Parlamento sergipano debate extermínio da Juventude Negra

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O debate despertou a atenção do público
O debate despertou a atenção do público

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Publicada em 20/05/2016 às 22:10:00

Numa audiência pública histórica, a Assembleia Legislativa de Sergipe reuniu coletivos de juventude, representantes de organizações governamentais e não governamentais, movimentos sociais, populares e sindicais, advogados, estudantes e militante de direitos humanos para debater o extermínio da juventude negra. A atividade foi uma realização da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Casa Legislativa, presidida pela Deputada Estadual Ana Lúcia.

Para aprofundar o tema, estiveram presentes o relator da CPI do extermínio da Juventude Negra, o deputado federal Paulo Fernando dos Santos (Paulão); o doutor em Economia pela PUC-Rio e técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, Daniel Ricardo Cerqueira; o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SE, Thiago Oliveira; o representante da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da SEIDH, Eude Carvalho. Também prestigiaram a discussão o representante da Defensoria Pública, Herick Argôlo, o militante histórico dos direitos humanos Pedro Montenegro; e o promotor de Justiça do MPE Fausto Valois.

"A violência no Brasil contra o jovem tem localização geográfica, que é a periferia e a zona rural, ela tem o corte de gênero, que é masculino, tem um recorte etário, que vai dos 14 a 29 anos, e tem ainda um corte econômico, já que a grande maioria de vítimas são jovens pobres", delimitou o deputado Paulo Fernando dos Santos, relator da CPI do Extermínio da Juventude Negra na Câmara dos Deputados. "Essa luta não é prioridade, porque atinge a periferia e não a elite da nossa sociedade", afirmou, reforçando o caráter de classe da pauta.

Em sua palestra, o deputado federal destacou os mais de vinte pontos detectados pela CPI do Extermínio da Juventude Negra que são foco do estudo da comissão. Entre os aspectos estão a cultura da violência contra negros e pobres, desamparo e insuficiência das políticas públicas, o racismo, o racismo institucional, o estigma do jovem negro alimentado pela mídia, os autos de resistência com forma de legitimar o assassinato de jovens pobres e negros, redução da idade penal, aperfeiçoamento das forças policiais e Sistema Único de Segurança Pública.
Já o doutor em Economia pela PUC-Rio e técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, Daniel Ricardo Cerqueira, apresentou em sua palestra uma profunda análise do panorama social, cruzando dados e apontando principais fatores que levam ao assassinato dos jovens no Brasil e apontando caminhos para solucionar este grave problema social. Entre os fatores determinantes apontados pelo pesquisador estão o perfil socioeconômico, a escolaridade, a idade e a cor da pele.

"Será que a maior letalidade de negro se dá porque os negros estão super representados nas camadas mais pobres da população e portanto estão mais vulneráveis?" questionou Ricardo Cerqueira, ressaltando que entre os 10% mais pobres da população, 73% são negros. Porém, a resposta é não. "Vários estudos, inclusive do IPEA, mostraram que, considerando outras características socioeconômicas, inclusive escolaridade, pelo fato de ser ser negro, um indivíduo vai receber menos no mercado de trabalho, por exemplo. Só pelo fato de ser negra, uma pessoa tem 48% mais chance de ser assassinada", apontou o pesquisador.
O advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Thiago Oliveira, inseriu o debate do extermínio da juventude negra no contexto de intolerância que o país está vivendo. "Esse recrudescimento e intolerância crescente no país, vai cair diretamente sobre os ombros deste grupo social, que sempre foi excluído e nunca teve oportunidade de demonstrar seu valor em nossa sociedade", lamentou.