O maior dos Sacramentos

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Publicada em 26/05/2016 às 00:50:00

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

A Igreja Católica celebra hoje a solenidade do 'Corpo e Sangue de Cristo'. Sem dúvida, o maior dos Sacramentos é a Eucaristia. Ela é a forma divina que Jesus encontrou para atender ao pedido que lhe fizeram os dois discípulos de Emaús: "Fica conosco, Senhor!". Ele já havia dito aos seus seguidores: "Trabalhai pelo alimento que o Filho do Homem vos dará, porque Deus, o Pai, o marcou com um selo. É meu Pai quem vos dará o verdadeiro pão do céu, porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida.  Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão terá a vida eterna". E, finalmente, mais incisivo ainda: "O pão que eu darei é minha carne para a vida do mundo". Leia isso, que Jesus disse em Cafarnaum, no Evangelho de São João, capítulo 6.º, do versículo 27 ao 51.

"Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o último extremo do amor", diz João, o discípulo amado. Aconteceu isso na noite da traição, antes da agonia no horto, antes de sua prisão, de sua paixão dolorosa e de sua morte ignominiosa. Foi na última Ceia Pascal que o Senhor Jesus celebrou com seus apóstolos, após ter lavado os pés de seus discípulos, tomou o pão, elevou os olhos ao céu e disse as solenes palavras, cumprimento do que prometera em Cafarnaum: 'TOMAI E COMEI, ISTO É O MEU CORPO' (Veja os Evangelhos de Marcos 14, 22 / Mateus 26, 26 e ss / Lucas 22, 19 e 20, e ainda São Paulo na 1.ª Carta aos Coríntios 11, 23 a 27).

A Eucaristia é o grande mistério de nossa fé. É Santo Tomás de Aquino, eminente Teólogo, que nos ensina num hino eucarístico: "Na cruz estava escondida só a divindade. Aqui está escondida também a humanidade. Creio em ambas e confesso a minha fé".
Mistério de fé, de pura fé, é também mistério de amor. De sumo e infinito amor. Já o discípulo amado, João, o apóstolo predileto de Jesus, como vimos acima, fala da Eucaristia como o extremo gesto de amor de Jesus por nós, no momento em que o ódio contra Ele mais se acirra e chega ao paroxismo da traição.
Meu amigo leitor, para comungar, para receber o Corpo do Senhor na Eucaristia, você precisa ter fé na presença real de Jesus na hóstia consagrada. Além disso, é preciso estar com a consciência tranquila, isto é, que sua consciência não o acuse de nenhuma falta grave. Se isso não acontece ou se faz mais de um ano que você se confessou, então você precisa, antes de comungar, receber o perdão de Deus, mediante a confissão individual, isto é, recebendo o Sacramento da Penitência, que o reconcilia com o Pai.  Mas não vá entender, amigo leitor, que cada vez que você vai comungar, precisa confessar-se, como alguns pensam. Não, repito: Você só precisa confessar-se se tiver pecado grave na consciência ou se faz mais de um ano que se confessou.

Lembro aqui uma coisa: todo católico, depois de feita a Primeira Comunhão, deve receber a Sagrada Eucaristia ao menos uma vez cada ano, no tempo pascal, ou por justa causa, em qualquer outro tempo do ano. É prescrição do cânon 920 do Código de Direito Canônico.
Ainda uma palavra final: Os cristãos que vivem maritalmente, sem terem recebido o Sacramento do Matrimônio, infelizmente não podem receber a Eucaristia. Ensina São João Paulo II: "Seu estado de vida contradiz objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada exatamente na Eucaristia". Esses cristãos que vivem essa situação irregular e desejam de coração receber Jesus na Eucaristia, devem fazer a Comunhão Espiritual, que é o desejo sincero e ardente de receber o Corpo de Cristo. Esse desejo, expresso numa oração íntima e pessoal, lhes dará graças abundantes. É o que fazem os cristãos da Pastoral da Segunda União, criada em Maceió por Frei Paulo Amâncio de Freitas, Capuchinho, e que tem dado tantos frutos espirituais.
O maior sacramento é o sacramento do amor de Jesus, que se faz pão para nosso alimento espiritual.

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AUXILIADORA DOS CRISTÃOS
Ainda vivendo as alegrias da festa de 'Nossa Senhora Auxiliadora', celebrada dia 24 passado, convém tecer algumas considerações sobre este título atribuído à Virgem Maria - Auxiliadora dos Cristãos -, sobre o qual, na história da Igreja, podemos distinguir três momentos originários. São eles: a criação do título, a instituição da festa e a propagação da devoção em âmbito mundial.
A origem do título vamos encontrar em 1571, quando da ameaça da invasão da Europa pelos turcos. O Papa São Pio V, o Santo Pontífice que viveu o agitado período do pós-Concílio de Trento, convocou os príncipes cristãos para organizarem uma armada, que enfrentasse o invasor turco e debelasse o perigo muçulmano. Sua confiança maior, porém, era na proteção da Virgem Santa e, por isso, solicitara de toda a cristandade a invocação de Maria mediante a oração do santo Terço. A 7 de outubro daquele ano, deu-se a sangrenta batalha naval perto do golfo de Lepanto, tendo como comandante da esquadra cristã, Dom João d'Áustria, auxiliado por vários outros príncipes da Europa cristã. A vitória foi esmagadora. Em memória desse fato, a Igreja celebra a festa do Rosário no dia 7 de outubro com a invocação de Nossa Senhora das Vitórias. Mas o Papa determinou que nas ladainhas de Nossa Senhora fosse acrescentado o título, até então, desconhecido, de Auxiliadora dos Cristãos. Três séculos depois, o Papa Pio VII fora levado prisioneiro por Napoleão para o castelo de Fontainebleau, na França. Invocando Maria, o Santo Pontífice obteve sua libertação, quando Napoleão foi vencido pelos ingleses e exilado. No dia 24 de maio de 1814, entrava Pio VII em Roma, sendo recebido triunfalmente na Basílica vaticana. Em memória a essa proteção da Virgem, que ele tanto invocara no exílio, o Papa instituiu a festa de Maria Auxiliadora dos cristãos no dia 24 de maio, em memória do faustoso acontecimento. Mas o título de Auxiliadora dos cristãos só teve divulgação mundial dessa denominação pelo seu grande devoto: São João Bosco. Ela foi a Senhora de seus sonhos. E seu grande sonho foi erigir-lhe um templo no bairro de Valdocco, periferia de Turim. Vencendo a relutância da administração municipal em aprovar um título muito "papista", a esperteza de Dom Bosco omitiu o nome e solicitou a aprovação apenas "para construir uma igreja em honra de Nossa Senhora".
Assim, em 1862, iniciou a construção da Basílica de Maria Auxiliadora, da qual Maria lhe dissera em sonhos: "Esta é a minha Casa, daqui sairá a minha glória".
Com a soleníssima festa da consagração da Basílica em 9 de junho de 1868, começaram a difundir-se no mundo a glória e a devoção à Auxiliadora, por obra dos filhos de Dom Bosco, e Maria Auxiliadora é hoje conhecida como a "Virgem de Dom Bosco".
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* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
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