Tudo loteado!

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Duas faces da mesma moeda
Duas faces da mesma moeda

Apesar de privatizada, a Emsurb é  quem está montando o palco da festa
Apesar de privatizada, a Emsurb é quem está montando o palco da festa

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Publicada em 26/05/2016 às 00:54:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O Forró Caju foi loteado. A lógica comercial que rege o calendário de eventos promovidos pelo poder público na aldeia alcança agora o ápice com a cessão da praça de eventos localizada entre os mercados municipais, durante os festejos juninos da capital sergipana. Na sociedade de castas administrada pelo prefeito João Alves Filho, os donos da grana não estão obrigados ao mesmo ar do populacho. Suja o pé de lama quem quer.

A convocação publicada há alguns dias no Diário Oficial do Município, sem muito alarde, perverte a noção de espaço público em benefício da iniciativa privada. A tradição local convertida em pretexto vulgar para o lucro de uns e outros. Foi João quem fez. Neste particular, contudo, o Governo de Sergipe e a Prefeitura de Aracaju operam de maneira idêntica.

Forçoso lembrar as declarações do governador advertindo que a extinção do Pré Caju não se deveu ao clamor popular nem às condenações por uso indevido de dinheiro público, imputadas pelo Tribunal de Contas da União, aos empresários responsáveis pela festa. Não foi a violência urbanística em desfavor da cidade. Segundo Jackson Barreto, o fim do Pré Caju foi apenas mais um entre os efeitos perversos provocados pela crise.

Aparentemente, a crise é parceira comercial de muita gente graúda. Segundo o secretário de Comunicação da Prefeitura, o jornalista Carlos Batalha, a penúria dos cofres municipais forçaram João Alves Filho à privatização do Forró Caju. Entre a oportunidade de resgatar a essência da festa e a possibilidade de capitalizar mais alguns metros quadrados da capital sergipana, prevaleceram os laços já muito antigos com o vil metal. Os trinta dinheiros de Judas não custariam mais caro aos nossos forrozeiros.