Renovação forçada

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\'Fiquei por minha conta\', aquarela de Rafael Douglas
\'Fiquei por minha conta\', aquarela de Rafael Douglas

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Publicada em 12/06/2016 às 12:49:00

O governador Jackson Barreto enxerga as eleições municipais deste ano como uma preparação para as eleições gerais de 2018. Admite que neste momento não é possível reunir todos os partidos aliados em torno de um só candidato em função das características das eleições municipais, mas pretende evitar um racha que inviabilize alianças futuras.
Em 2018 as principais lideranças da política sergipana estarão ainda mais velhas fisicamente. O próprio Jackson, João Alves Filho e Antônio Carlos Valadares - os que ainda estão em atividade - já estão com idade acima dos 70 anos, o que para o serviço público representaria a aposentadoria. Mas na política o limite é a derrota nas urnas, como ocorreu com o ex-governador Albano Franco.
A saída deles, no entanto, deixa um vácuo de liderança no Estado. Jackson, João, Valadares e Albano vão sair da política sem deixar herdeiros. O ex-governador Marcelo Déda, que hoje teria 56 anos, foi levado pelo câncer. O senador Eduardo Amorim não tem perfil de liderança - suas campanhas sempre foram conduzidas pelo irmão Edvan, hoje distante de Sergipe - e o deputado federal André Moura, agora líder do governo interino de Temer na Câmara e um nome em ascensão, anda sob o fio da navalha em virtude dos processos e condenações que carrega nas costas em função de uma prática política nociva aos interesses públicos.
Albano tenta transformar o filho Ricardo em seu sucessor, mas optou por caminhos tortuosos para fazer o seu début na política, como suplente da senadora Maria do Carmo Alves nas eleições de 2014. A negociação fez com que Ricardo assumisse a vaga da senadora ao menos enquanto João Alves for prefeito de Aracaju. O acordo não foi bem explicado nem digerido pela população.
Valadares tem o filho deputado federal e que tentará este ano, pela segunda vez, ser prefeito de Aracaju. Mas passa sempre a impressão de que é tutelado pelo pai e que não tem vontade própria.
João Alves tentará a reeleição para a prefeitura este ano e é candidato certo ao governo do Estado em 2018, independente de se reeleger ou não para o comando da PMA. A sua mulher também enfrenta problemas da idade. No seu grupo não há nenhum nome expressivo, mesmo tendo sido responsável pela criação dos irmãos Amorim.
Jackson sempre atuou no campo popular, nunca impôs nomes e apoiava aqueles que se destacavam em seus setores profissionais. A aliança mais duradoura foi com Déda e, da mesma forma que os outros setentões, não possui hoje um nome forte para apresentar ao eleitorado, caso mesmo faça a opção pela aposentadoria.
O fim dessa geração terá reflexos diretos na política sergipana. Sem um nome novo e com o desencanto da juventude pela política, poderão surgir aventureiros interessados apenas em obter vantagens. A crise política nacional agrava ainda mais a situação em Sergipe, que passará por uma renovação forçada, sem nenhum grande líder.

• Farra de cargos

Derrotados nas urnas, deputados e senadores que participaram do golpe parlamentar que afastou a presidente Dilma disputam agora os 23 cargos federais existentes em Sergipe, que serão divididos por quem disse sim ao impeachment. Os senadores Antonio Carlos Valadares, Eduardo Amorim, Maria do Carmo - ou Ricardo Franco - e os deputados federais André Moura, Laércio Oliveira, Fábio Reis, Adelson Barreto, Valadares Filho e Pastor Jony dividirão os cargos. Fábio Mitidieri e João Daniel, contrários ao impeachment, já perderam os cargos que tinham.
Na noite de sexta-feira, em entrevista ao programa Cidade Alerta Sergipe (TV Atalaia), André Moura considerou a divisão dos cargos como reflexo das mudanças, como se tivesse ocorrido outra eleição e o seu candidato tivesse sido o vencedor. "Mudanças já estão sendo feitas no Governo Federal. E isso é perceptível nas ações do presidente Michel Temer. Esta semana, nos foram apresentados 23 cargos federais e, para nós, isso é de grande importância", disse.
As mudanças, na verdade, são apenas a troca de comando nos órgãos federais.

• Depósito prévio
Um termo de ajuste de conduta a ser assinado esta semana entre a Prefeitura de Aracaju e a empresa Teo Santana Produções, contratada para executar o Forró Caju, poderá criar dificuldades para realização da festa. O MPE exige o depósito prévio de R$ 1.250 milhão na conta da PMA, montante previsto no valor do termo de cessão do espaço público assinado entre a empresa vencedora do chamamento público e a Secom.
A princípio, não existiria este depósito e a empresa apenas reservaria o dinheiro para o pagamento de despesas da festa, caso a captação de recursos não cobrisse os custos.

PT e PMDB

Numa das conversas que teve com o ex-deputado Márcio Macêdo, secretário nacional de Finanças do PT, o governador Jackson Barreto quis saber se o PMDB serviria para alianças em 2018, quando o próprio Márcio deverá ser candidato a deputado federal. O governador reagia a comentário do petista, que alegava discordar de uma aliança PT/PMDB nas eleições para prefeito de Aracaju, em função do quadro nacional.
Márcio é um dos líderes petistas que inclui o PMDB de Jackson no mesmo nível do PMDB do presidente interino Michel Temer, que teve participação direta no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Partido que possui várias correntes e pensamentos diferentes, o PMDB de Sergipe, Jackson principalmente, se posicionou contra o afastamento de Dilma mesmo depois que Temer assumiu. Acha que deve ser respeitado o resultado das urnas.
A posição de Jackson é ressaltada por outros dirigentes do PT, a exemplo do presidente estadual Rogério Carvalho, do deputado federal João Daniel e do deputado estadual Francisco Gualberto. Para eles, o futuro do PT sergipano está atrelado diretamente ao governador e não ao ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), que busca o apoio de todos para tentar viabilizar a sua nova candidatura à PMA.
Jackson ainda analisa as candidaturas de Edvaldo e do ex-secretário da Saúde José Sobral (PMDB) e só pretende definir sua posição em meados de julho, às vésperas das convenções partidárias que definirão candidatos e alianças. Na conversa com Márcio, no entanto, deixou claro que se prevalecer a posição do grupo que entende que o PT não pode se aliar ao PMDB nas eleições municipais em função da situação nacional, poderá fazer com que esse entendimento prevaleça também nas eleições gerais de 2018.

A divisão do PT

No início da semana passada, lideranças das várias correntes do PT se reuniram tentando chegar a um consenso em torno do candidato que o partido deve se coligar para prefeito de Aracaju: se o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) ou o ex-secretário Zezinho Sobral (PMDB).
Estavam presentes o presidente estadual do PT, ex-deputado federal Rogério Carvalho (Construindo um Novo Brasil); o presidente do Diretório Municipal, vereador Emmanuel Nascimento (Construindo um Novo Brasil); o secretário nacional de finanças, ex-deputado federal Márcio Macedo (Construindo um Novo Brasil); o deputado federal João Daniel (Esquerda Popular Socialista); e os deputados estaduais Francisco Gualberto (PT Classista) e Ana Lúcia (Articulação de Esquerda). Além da ex-primeira dama Eliane Aquino, que tem seu nome indicado pelo PT para vice.
João Daniel, Francisco Gualberto e Emmanuel, que seguem Rogério, defendem o apoio a Zezinho Sobral. Já Márcio Macedo, Ana Lúcia e Eliane Aquino desejam aliança com Edvaldo Nogueira, com Eliane de vice.
A divisão deverá levar o partido a decidir no voto, durante a convenção municipal. E aí o resultado será imprevisível, já que nenhuma corrente tem força sozinha para impor sua posição. O grupo que tiver maior capacidade de mobilização será o vencedor.

Operação Indenizar-se

Os 15 vereadores que foram alvo da Operação Indenizar-se, desencadeada pelo MPE e Polícia Civil no ano passado, deverão ser denunciados à Justiça a partir da próxima semana. Eles usavam uma mesma empresa para a prestação de contas das verbas indenizatórias - R$ 15 mil mensais - que eram distribuídas pela presidência da Câmara Municipal de Aracaju sem qualquer controle. A investigação comprovou que o dinheiro retornava aos bolsos dos vereadores, deixando uma espécie de "comissão" com a empresa.
Os 15 vereadores são Adriano Taxista/PSDB, Agamenon Sobral/PHS, Agnaldo Feitosa/PR, Anderson de Tuca/PRTB, Jailton Santana/PSDB, Augusto do Japãozinho/PRTB, Valdir Santos/PT do B, Ivaldo José/PRTB, Max Prejuízo/PSB, Daniela Fortes/PEN, Dr. Gonzaga/PMDB, Emmanuel Nascimento/PT, Roberto Moraes/SD, Renilson Félix/DEM e Adelson Barreto Filho/PR.

José Franco inelegível
O ex-deputado José Franco está na lista dos políticos inelegíveis nas eleições de 2016 encaminhada pelo Tribunal de Contas da União ao TSE, em virtude de contas julgadas irregulares. Na próxima semana será o Tribunal de Contas do Estado que encaminhará a sua lista ao TRE.
Só entram na lista ex-gestores que sofreram condenação definitiva nos tribunais. Franco teve problemas em convênios federais quando prefeito de Nossa Senhora de Socorro, onde ensaia nova candidatura.
Políticos nessas condições podem até se apresentar como candidatos, mas fatalmente serão declarados inelegíveis no TRE, a partir de ações da Procuradoria Regional Eleitoral, este ano sob o comando da procuradora Eunice Dantas.