Sinais de desespero

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 18/06/2016 às 19:17:00

O projeto encaminhado pelo pre-feito João Alves Filho à Câmara Municipal de Aracaju, na última quinta-feira, propondo o congelamento do IPTU pelos próximos quatro anos, mostra que está batendo o desespero em sua administração. Às vésperas da campanha eleitoral, João Alves dá um atestado de que realmente extorquiu a população aracajuana quando elevou em quase 300% o valor da planta base dos imóveis da capital e estabeleceu um reajuste progressivo no mesmo imposto de 30% ao ano até 2022.
O extorsivo reajuste do IPTU de João Alves provocou outro problema para os aracajuanos: o SPU, órgão do governo federal, usou a base de cálculo do imposto local para fixar o reajuste sobre valores da taxa de foro e taxa de ocupação de terrenos de marinha e acrescidos de marinha, com reajustes que chegaram a 300%. O escandaloso aumento foi derrubado na véspera do vencimento por determinação da Justiça Federal e, posteriormente, por uma MP que estabeleceu a correção anual através do IGPM, o que já havia sido decidido judicialmente.
O aumento do IPTU de João Alves foi alvo de inúmeras ações judiciais, mas o Tribunal de Justiça de Sergipe acabou dando ganho de causa à PMA, mesmo sem ter sido apresentado um estudo técnico que justificasse a correção exagerada da planta base e o reajuste anual quatro vezes acima da inflação da época. Na terça-feira, a um mês das convenções partidárias que confirmarão a recandidatura do prefeito João Alves, ele descobriu que a PMA não precisa tanto de recursos e que pode sim congelar o valor do IPTU.
A medida não deixa de ser benéfica aos aracajuanos, mas poderia motivar uma ação judicial que inviabilizasse a candidatura à reeleição do prefeito, por tratar a população com desrespeito, descaso e de forma meramente eleitoreira. Com uma Câmara de Vereadores servil e repleta de bajuladores, a começar pelo presidente, Vinicius Porto, quem garante que, em caso de reeleito, João Alves Filho não encaminhe em janeiro de 2017 um novo projeto anulando esse congelamento do IPTU, alegando quem sabe lá o quê?
Após a redemocratização, em 1985, João Alves Filho foi o prefeito de Aracaju que mais aumentou impostos, mais criou taxas e o que deixou a cidade em piores condições. A taxa de iluminação pública criada por ele não garante iluminação nas áreas mais pobres da cidade. As luzes de led só são instaladas nas avenidas da 13 de Julho e do Jardins, onde moram os mais ricos da cidade; na periferia lâmpadas amarelas parecem mais aqueles candeeiros de antigamente, colaborando para o aumento da criminalidade.
O dinheiro arrecadado pelo IPTU não se reveste em obras. Ele concentra sua ação na avenida Beira Mar, onde implantou uma confusa rotatória na ponte de acesso à Coroa do Meio e no calçadão que constrói no leito do rio de Sergipe, sem estudo de impacto ambiental e que está provocando novas inundações no entorno da Praça da Imprensa e o transbordamento do canal da avenida Anísio Azevedo.
Como prefeito de Aracaju, João Alves está conseguindo apagar a imagem que ele fazia de si mesmo em torno da competência administrativa. Sua gestão é um caos, tanto em relação a obras quanto em prestação de serviços e na relação com os servidores públicos - médicos e profissionais da saúde estão em mais uma longa greve, sem qualquer ação da administração para tentar minimizar os problemas gerados à população que precisa de atendimento nos postos de saúde de Aracaju.
Um dos motes da campanha de João Alves a prefeito, em 2012, era dizer que toda obra importante que existia na capital havia sido projetada por ele durante os 12 anos que governou o Estado. Nesta campanha ele pode repetir a estratégia, só que apresentando os elevados impostos e taxas que criou e/ou corrigiu, os buracos, inundações e a incompetência administrativa que implantou em Aracaju.
O congelamento do IPTU proposto agora pelo prefeito João Alves mostra que o desespero bateu à porta. A população aracajuana foi ludibriada por ele e os seus asseclas. É também um reconhecimento de que o reajuste de 2014, pago pelos contribuintes em 2015 e 2016, foi imoral e extorsivo.

Voo cego
Do filosofo, teólogo e escritor Leonardo Boff no artigo 'Sinceramente, o Brasil tem jeito', do último sábado:
"Chegamos a um ponto ridículo, aos olhos do mundo: dois presidentes, um usurpador, fraco e sem nenhuma liderança, e outro legítimo, mas afastado e feito prisioneiro em seu palácio; dois ministros do planejamento, um retirado e outro substituto: um governo monstruoso, antipopular e reacionário. Estamos efetivamente num voo cego. Ninguém sabe para onde vai esta nação, a sétima economia do mundo, com jazidas de petróleo e gás das maiores do mundo e com uma riqueza ecológica sem comparação, base da futura economia. Assim como se delineia a correlação de forças, não vamos a lugar nenhum, senão a um eventual conflito social."

Novo queridinho

Em entrevista na manhã desta sexta-feira, 17, a Gilmar Carvalho (MIX FM, Atalaia e Cidade AM, de Simão Dias), o deputado federal André Moura (PSC), líder do governo Temer na Câmara, disse que o deputado federal Valadares Filho (PSB), pré-candidato a prefeito de Aracaju, ofereceu ao grupo a indicação de seu companheiro de chapa.
André disse ao deputado que a prioridade do grupo é o lançamento da candidatura do senador Eduardo Amorim (PSC). "Mas nada impede que nosso grupo apoie Valadares Filho ou mesmo a reeleição do prefeito João Alves (DEM), que também nos procurou".
André revelou ainda que recentemente, em seu apartamento, ouviu do prefeito, em reunião que contou com a participação de Eduardo Amorim, pedido de apoio para sua campanha à reeleição.
Em 2012 o PSC apoiou a candidatura de João Aves, que retribuiu em 2014, aliando-se a Eduardo Amorim. A novidade é o aceno do PSB: até o mês de maio o partido integrava o bloco de apoio de Jackson Barreto, inclusive com indicações no governo.

Pressão não funciona

A pressão exercida pelo ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) para que o governador Jackson Barreto anunciasse logo apoio à sua candidatura não tem funcionado até agora. O governador marcou o anúncio do seu candidato a prefeito para o próximo dia 27, enquanto o PT, maior alvo do ex-prefeito, fixou em 6 de julho a definição sobre alianças nestas eleições.
Se não ocorrer maiores mudanças durante o São João, Jackson deverá optar pela candidatura do ex-secretário da Saúde, José Sobral (PMDB), estabelecendo futura aliança com Edvaldo para um eventual segundo turno. Será o próprio Edvaldo quem terá que montar a estrutura de sua campanha, o que nunca fez em sua longa trajetória política. De 1985 para cá, ou marchou ao lado de Jackson ou de Marcelo Déda, ou de ambos como ocorria nos últimos anos.
O PT que seria o maior avalista da campanha de Edvaldo só estará totalmente em seu palanque caso Jackson Barreto venha a fazer também essa opção. Se o governador optar mesmo pela candidatura de José Sobral, o PT ficará totalmente dividido. Quem é ligado ao presidente estadual Rogério Carvalho, inclusive os deputados João Daniel e Francisco Gualberto, estará com o candidato do governador.
A incógnita do PT continua sendo a posição do secretário nacional de Finanças, Márcio Macedo, que tem grande influência sobre Eliane Aquino, a viúva de Déda apresentada como nome do PT como candidata a vice-prefeita na chapa de Edvaldo ou de José Sobral. Se ele se unir ao grupo da deputada Ana Lúcia, que é contra o governo JB, é provável que a aliança formal seja com o PCdoB, mas até o dia 6, quando o PT vai decidir sua posição, muitas conversas de bastidores vão acontecer.
O governador fará uma rápida viagem de férias após o anúncio de sua posição na eleição de Aracaju. Vai para a Europa e deixará que os próprios petistas definam o seu futuro. Uma coisa é certa: não faltarão aliados em seu palanque, seja o qual for.

O Hospital do Câncer

O governador Jackson Barreto conseguiu encabular o senador Eduardo Amorim, sexta-feira, em Lagarto, quando começou a procurá-lo entre as autoridades que participavam da cerimônia de inauguração da unidade móvel de saúde do Sesc. Antes, JB havia anunciado a licitação para a construção do Hospital do Câncer de Sergipe, discurso único do senador Amorim nas últimas campanhas eleitorais.
Amorim foi elegante, recebeu o envelope com cópia do edital da licitação do hospital e cumprimentou o governador, mas era visível o seu constrangimento com o gesto.
Depois, o senador encaminhou à imprensa press release onde afirma: "Tivemos que esperar quase seis anos para esse momento chegar. Eu continuarei sendo um fiscal intransigente para a construção e verbas que serão liberadas para a obra do hospital".