TEMER, DAS DÍVIDAS DOS ESTADOS AO NOSSO FEIJÃO

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Publicada em 23/06/2016 às 19:05:00

Temer começou convivendo com os mesmos sabidos malandros que estiveram acomodados nos governos de Lula e Dilma. Nisso, a diferença consiste em que Lula soube utilizá-los para garantir a governança e Dilma, sem habilidade, não conseguiu governar. Sem eles, é penoso dizê-lo, sem os malandros, a política não anda, a Câmara, mais ainda apodrecida pelo hoje moribundo Cunha, não vota. Temer sabe perfeitamente disso, e teve o cuidado de não incomodá-los. Cunha mais uma vez tornado réu, perde substância política, e também se fragilizam os comparsas. Já se constrói o caminho para a indicação de um presidente da Câmara saído de um consenso entre o PSDB, PSB, PT, DEM, e outros partidos, tendo em vista uma assepsia na casa tão infectada.
Nesse clima Temer poderá aprovar, e vai aprovando, matérias essenciais para restaurar a credibilidade nas empresas estatais; para impor regras rígidas aos gastos públicos. Temer já fez o que sucessivos presidentes não conseguiram: a renegociação das dividas dos estados, que agora podem reequilibrar suas finanças, desde que não voltem a perpetrar as mesmas liberalidades e equívocos, bem ou mal intencionados.
E Temer vai mais longe. Preocupou-se com o nosso feijão, salvou a Olimpíada, que foi custosa mas não poderíamos perdê-la, porque o mundo nos contempla, e a nossa imagem já está suficientemente desgastada. Para o feijão a saída foi importar, trazê-lo mais barato da Argentina, do Uruguai, talvez até da China. Falta feijão porque o clima nos foi adverso, a cultura que é complicada vem sendo reduzida. Haja a vista o que sucede aqui entre nós, em Poço Verde, que quase não produz mais feijão. Nas redes sociais atribuem a culpa a Lula, que teria doado, já faz tempo, 600 toneladas ao povo cubano. Isso é um despropósito, resultante do preconceito que temos em relação a Cuba. 600 toneladas não afetariam nossos estoques reguladores, e se o povo cubano tem fome porque a ditadura dos Castro enroscou a economia, destruiu a produção nos campos, afinal, os cubanos não têm culpa disso, e o Brasil não pode deixar de ser generoso com os nossos irmãos latino americanos, ou outros, estejam onde estiverem.
Se Temer conseguir a médio prazo baixar o preço do feijão, já começa a marcar pontos positivos com o povo. É a sensação que passa um governo que governa. Exatamente o que faltava a Dilma.