Negociar ou ceder

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Publicada em 14/08/2012 às 14:46:00

Se os profissionais mandam às favas qualquer resquício de altruísmo quando as circunstâncias ou as ingerências dos homens públicos pisam em seu calo, não há como esperar comportamento diferente dos profissionais que conduzem as ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Apesar dos estragos impostos num momento extremamente delicado, a paralisação é justa. Até que a Justiça se manifeste de maneira contrária e acuse a ilegalidade da manifestação (e não custa lembrar que mesmo uma decisão judicial pode ser alvo de debate), o governo possui apenas duas alternativas: negociar ou ceder.

Essa não é a primeira vez que os condutores do Samu entram em conflito com a administração estadual. No início do ano, uma manifestação parecida mobilizou cerca de 150 trabalhadores e afetou 35 municípios sergipanos. À época, o sindicato que representa a categoria fazia reivindicações bastante razoáveis. Se hoje eles focaram a própria insatisfação nos rendimentos da categoria - eles lutam por um reajuste salarial que elevaria o salário de R$ 642,65 para R$ 2.460 -, antigamente os motoristas reclamavam condições de trabalho.

Isonomia da carga horária, reajuste salarial e direito de voto na mesa de negociação do Governo do Estado. Os condutores não esperavam mais do que isso. Se levarmos em consideração que eles aguardam a boa vontade da administração estadual há pelo menos seis anos (o último reajuste da categoria ocorreu em 2006), acabamos obrigados a relativizar o radicalismo levado a efeito pela paralisação.

Como sempre ocorre nesses casos, o JORNAL DO DIA mais uma vez lembra ao leitor que a organização de qualquer categoria em torno de suas demandas é perfeitamente legítima. O respeito ao direito constitucional de reivindicar, inclusive por meio da greve, pode ser tomado como um sinal de saúde democrática. Resta ao governo reconhecer o esforço realizado pelo funcionalismo e procurar um meio termo entre as ambições salariais das diversas categorias de trabalhadores, as próprias prioridades administrativas e a saúde dos cofres públicos.