PROJETOS NOVOS PARA ONDE NÃO CAI A CHUVA

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Publicada em 30/07/2016 às 20:11:00

Mais um ano passa, já é o sexto, em que as esperadas chuvas não caem no sertão, ou apenas rolam ralas, tímidas, sob a forma de enevoada garoa que nem umedece o chão.
Em todo o semiárido sergipano mais um inverno sem chuva, seguindo-se a outros, e mais os verões sem trovoadas, é algo como se fosse um castigo dos céus associado às omissões ou aos erros dos homens. Imaginou-se, em dias esperançosos, que a derrubada das cercas, e das cancelas do latifúndio improdutivo, depois, a divisão equânime da terra conquistada, geraria uma nova relação de trabalho e produção capaz de dar ao agricultor despossuído e miserável a dignidade de poder arar e plantar a sua própria terra. Dividiram-se os latifúndios em lotes sobre os quais construíram-se casas, e quase todos os assentados receberam financiamentos dos bancos oficiais. Plantou-se o milho, o feijão. A semente foi dada pelo governo, que também pagou as horas dos tratores. Mas as chuvas não vieram, afinal, ali é o semiárido, e para onde não há chuva, o modelo de produção deveria ser outro que não esse, inviável, a depender da água que não chega das nuvens. Fracassado o modelo inicial, agora, os pequenos produtores, ou muitos que nunca plantaram, sobrevivem com o Seguro Safra que é pago todos os anos, para cobrir os ¨prejuízos da safra frustrada¨. Junte-se isso à Bolsa Família, ao Funrural, aquela providencial aposentadoria do pequeno agricultor, desde que ele nunca tenha tido carteira assinada, e então, se terá a fotografia exata da nova pobreza sertaneja, apenas sobrevivendo, e sem perspectivas, espalhada por todo o semiárido sergipano, também, com o fogo, devastando as caatingas para fazer carvão. E ganhar uns trocados.
O modelo precisa urgentemente mudar. Em vez de plantar, criar: vaca de leite, bode, carneiro, galinha, e o que for possível e adaptado a uma terra árida, de chuvas incertas e comida escassa. Exemplos desse modelo já existem em alguns pontos do semiárido, como Santa Rosa do Ermírio, em Poço Redondo, onde uma estrutura resistente às secas torna possível grande produção leiteira, e a isso se dedicam dezenas de famílias.
Garantir a oferta mínima de água é essencial, e isso já está avançando nos dois municípios escolhidos, Canindé e Poço Redondo, onde semana passada a equipe que forma a Força Tarefa criada para dar vida ao projeto, esteve observando o que foi feito e o que será iniciado.
Para o Canion de Xingó, onde Canindé tornou-se o segundo destino turístico de Sergipe, busca-se uma integração entre os estados de Sergipe, Alagoas e Bahia, o que proporcionará a promoção em maior escala da região. Nesse sábado o governador Jackson Barreto e o prefeito Heleno Silva inauguraram a Orla de Canindé, equipamento que gerará a curto prazo um incremento calculado em dez por cento do fluxo turístico no município, e mais de 200 empregos diretos e indiretos. Nesse dia 28 passado, a Missa do Cangaço realizada na Grota do Angico, em Poço Redondo, teve uma afluência muito maior em consequência da criação no local de um Eco-Parque, nova iniciativa do empresário Manoel Foguete, que também acaba de levar de Salvador para o Lago de Xingó um iate, fazendo viagens restritas a pequenos grupos. O Turismo depois dos perímetros irrigados Califórnia e Jacaré-Curituba já é o maior gerador de empregos na região. E não depende de chuva, até pelo contrário.