EDIVAN SAI DA TOCA E VOLTA À CENA POLÍTICA

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 30/07/2016 às 20:12:00

Edivan Amorim sumiu por algum tempo da cena política. Envolvido nos seus negócios mineiros, afastou-se de Sergipe desde que amargou a derrota e o fracasso do seu ambicioso projeto de controlar o Estado. Retorna agora, às vésperas de mais uma eleição, para retomar o caminho temporariamente interrompido.
Edivan buscou a sombra reanimadora do deputado André Moura, agora agindo desenvolto, no ápice do prestigio como líder do governo na Câmara, posição que alcançou juntando sua habilidade pessoal à força imensa que ainda tinha o ex-poderoso aliado Eduardo Cunha.
Cunha faz agora churrascos de melancólica despedida da mansão oficial onde morava, sem conseguir compartilhar a sua picanha com um só dos que o acompanhavam na sua aventura com todas as características dos gângsteres de Chicago ou da Camorra napolitana.
Em pouco tempo, Edivan já demonstrou toda a sua engenhosidade intervindo diretamente e acelerando as negociações políticas que andavam um tanto emperradas. Assim, deu novo alento à candidatura de Valadares Filho.
Fechado o acordo sob as bênçãos do deputado André Moura, o deputado pastor Antônio foi feito candidato a vice, isso, para despertar no deputado federal Adelson Barreto entusiasmo em apoiar o filho do senador Valadares, com quem ele desentendeu-se seriamente quando se viu alijado da disputa pela prefeitura de Aracaju em 2012. Como se recorda, o PSB lançou o deputado Valadares Filho com o apoio de Déda e Jackson, também do então prefeito Edvaldo Nogueira, e ele perdeu a eleição para João Alves.
Adelson é nome forte na periferia de Aracaju, mas em virtude da cassação do deputado Augusto Bezerra, seu filho já se torna deputado sem precisar esperar pelo sucesso de Valadares Filho, assim, suas mágoas não serão aplacadas.
Como se observa a teia foi bem desenhada, mas não impediu a defecção dos Mittidieri, o filho, deputado federal, e o pai estadual, que deram o gás inicial à candidatura de Valadares Filho, avisando, porém que não aceitariam uma composição com Edivan Amorim e André Moura.
O senador Valadares sonhava há algum tempo com essa aliança, Edivan suspirava por ela, e então, finalmente concretizou-se o desejo.
O senador Valadares pensa no imediato que é a eleição do filho, e nas repercussões dos resultados deste ano em 2018, quando ainda pretende candidatar-se à reeleição ou ao governo do estado.
Edivan Amorim e o seu sustentáculo de agora, o deputado André Moura, pensam em 2018, mas, dando absoluta prioridade à eleição em Aracaju, onde esperam matar dois coelhos com uma só cajadada, e os coelhos que eles miram são, exatamente, João Alves Filho e Jackson Barreto. João, perdendo agora, estaria praticamente encerrando a longa carreira, o mesmo acontecendo com a senadora Maria do Carmo. Edivan Amorim, o ex-genro beneficiário de todos os carinhos e vastas atenções, torna-se o algoz dos ex-sogros.
Jackson terá mais dois anos de mandato, e uma derrota em Aracaju não estaria nos seus planos.
Sem João e Jackson pela frente e com um obediente aliado comandando a Prefeitura da capital, estaria aberto o caminho para as pretensões ilimitadas, tanto do homem de negócios e político Edivan Amorim, como do deputado André Moura, que veria chegada a hora de candidatar-se ao governo de Sergipe, cargo que almeja desde que foi prefeito inconformado com as exíguas dimensões de Pirambu.
Saindo da sua toca mineira e retornando a Sergipe, o esperto Edivan voltou a farejar os rastros pelos caminhos que levam ao Poder.
Esqueceu-se, talvez, na ânsia pelo esmagamento dos adversários, que o seu candidato Valadares Filho, correrá o risco indo eventualmente para um segundo turno, de enfrentar uma aliança dos outros grupos formada contra ele, que somente terá ao seu lado aqueles políticos elitistas que nunca conseguiram atrair o voto dos aracajuanos, e nem sabem por onde fica a periferia, território palmilhado, pisado e repisado pelo governador Jackson Barreto e pela senadora Maria do Carmo.