É ou não é?

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Publicada em 03/08/2016 às 00:42:00

Faltam dois dias para o prazo final das convenções partidárias e o prefeito João Alves Filho (DEM) ainda não oficializou se vai ser candidato a reeleição, deixando os vereadores da base aliada mais ligados a ele em polvorosa. Até porque precisam definir as coligações proporcionais que assegurem chance de vitória nas urnas.

João Alves não só cancelou pela segunda vez uma coletiva que daria ontem à tarde para anunciar sua posição política, como viajou a Brasília para uma audiência hoje no Ministério da Saúde, com o ministro Ricardo Barros, que acabou sendo antecipada para o final da tarde da terça-feira.
O prefeito deve estar confuso. Médicos recomendam que não seja candidato e familiares pressionam para que desista da reeleição. Já ele tem vontade de ir para o confronto, pelo seu espírito político, mesmo com todo o desgaste político pela administração pífia que faz e promessas não cumpridas de campanha. Também querem que seja candidato os vereadores aliados, pela necessidade de uma legenda competitiva para ajudá-los.  

Esse dilema vivido pelo prefeito vem fazendo com que protele a sua decisão final de ser ou não candidato nas eleições deste ano. JAF chegou a pensar em um plano B de não ir para a disputa e apoiar um candidato. Convidou primeiro o deputado estadual Robson Viana (PEN), depois o ex-vereador Juvêncio Oliveira (DEM), o vereador Renilson Félix (DEM) e, por último, o deputado federal Laércio Oliveira (SD).
Nenhum aceitou o convite. O que ainda demonstrou um certo interesse foi Robson Viana, mas acabou dissuadindo da ideia em razão de não ter a garantia de apoio do governador Jackson Barreto (PMDB) por já ter selado apoio ao pré-candidato Edvaldo Nogueira (PCdoB).
A indefinição de João Alves e a insatisfação com o convite a Robson Viana, que excluía o vice José Carlos Machado (PSDB) da chapa majoritária, fez com que alguns vereadores aliados, angustiados com esse quadro político, fossem buscar outros caminhos.

Os primeiros a fazer isso foram os vereadores do PRTB. Ivaldo José, Anderson de Tuca e Augusto do Japãozinho resolveram acompanhar os irmãos Amorim no apoio ao pré-candidato Valadares Filho (PSB).
Nessa última segunda-feira foi a vez dos vereadores do PSDB (Jailton Santana, Manuel Marcos e Adriano Taxista) procurarem Eduardo Amorim e Valadares Filho para uma conversa sobre a possibilidade de integrarem o grupo. A gota d´água foi a grande probabilidade do vice José Carlos Machado (PSDB) ficar de fora da chapa majoritária.

Também já conversaram com Valadares Filho lideranças do PEN e SD, partidos que também integram a base do prefeito João Alves. As conversas estão bem adiantadas, mas o martelo só será batido após uma posição oficial do prefeito João Alves sobre as eleições. O que deve acontecer nessa quarta ou quinta-feira.
Nessa altura do campeonato fica mais difícil para João Alves a definição por uma candidatura. A sua demora em uma posição sobre as eleições acabou desgarrando o seu agrupamento.
Não deve ser um bom negócio ir para a reeleição muito desgastado politicamente e administrativamente e, ainda por cima, com o seu grupo político esfacelado e desmotivado pela sua indiferença para com os vereadores que vão para a reeleição.
Agora é aguardar o desenrolar dos acontecimentos, pois até meia-noite da próxima sexta-feira, prazo final para as convenções partidárias, tem muita água para rolar por debaixo da ponte...

Eleição em Socorro
O deputado federal Jony Marcos (PRB) desistiu da disputa em Nossa Senhora do Socorro e vai apoiar o padre Inaldo (PCdoB). Às 15h de hoje, na casa da presidente da Câmara, Maria da Taiçoca (PSD), o pastor anuncia apoio ao padre nas presenças do prefeito Heleno Silva (PRB), dos deputados Jairo de Glória (PRB) e Robson Viana (PEN) e de alguns pastores do PCdoB da Assembleia de Deus.
Em conversa com a coluna, Jony disse que fez a opção pelo padre Inaldo pela dificuldade jurídica que tem hoje o pré-candidato Zé Franco (PSDB) em ser candidato. "Não tenho nada contra Zé Franco. Eu o apoiei quatro vezes: nas suas duas eleições de prefeito e nas duas de Fábio Henrique. O problema mesmo é a sua instabilidade jurídica. Se não conseguir o instrumento jurídico não terá como ser candidato", disse.  

O comunicado
Ontem à tarde, o presidente da Câmara Municipal Vinícius Porto (DEM) postou no grupo dos vereadores no whatsApp que o prefeito João Alves (DEM) tinha decidido ser candidato a reeleição e oficializaria posição quando retornasse de Brasília. Ele esteve com JAF antes da sua viagem, em reunião com a presença da secretária de governo Marlene Calumby.

Expectativa
Segundo um aliado do prefeito, ele espera ter na sua coligação nove partidos: DEM, PSDB, PHS, PV, PEN, PPS, PTN, PTdoB e SD. Diz que JAF conta que todos desfaçam os entendimentos já feitos com outros pré-candidatos.

Surpresos
Os vereadores do PSDB (Jailton Santana, Manuel Marcos e Adriano Taxista), o vereador Roberto Moraes (SD) e a vereadora Daniela Fortes (PEN) estavam tendo uma nova conversa ontem à tarde sobre a participação dos três partidos na coligação do pré-candidato Valadares Filho (PSB), com um dos coordenadores da campanha de VF, o Maurício Pimentel, quando receberam no zap a mensagem de Vinícius Porto dizendo que João era candidato. Ficaram atônitos.

A coligação com VF
O PSDB, PEN e SD estão praticamente acomodados na coligação de Valadares Filho. Esses partidos, inclusive, chegaram a fechar coligação proporcional na chapa majoritária de VF, que terá como vice o deputado estadual Antônio dos Santos (PSC). A coligação é PSDB/PEN/SD/PROS.

Com Edvaldo
Já o PPS e PTdoB estão se entendendo com o pré-candidato Edvaldo Nogueira (PCdoB). O presidente estadual do PPS, Clóvis Silveira - que tem diferenças com o PSC e Cia, por problemas políticos em eleições anteriores - esteve conversando com Edvaldo e o próprio governador Jackson Barreto (PMDB).

Sem problema
Clóvis, inclusive, chegou a declarar que não teria problema algum em apoiar Edvaldo Nogueira, por ter estado com ele e o governador nas últimas eleições. Disse que somente se coligaria oficialmente caso a direção nacional venha a permitir aliança com PCdoB e PT, mas se não aceitar podia fazer coligação branca sem problema algum. Lembrou que o PPS já realizou sua convenção partidária, registrando os nomes dos 36 candidatos a vereador, deixando em aberto o candidato majoritário.
Situação de
outros aliados
O único partido da base aliada de João Alves que ainda está sem rumo é o DEM, que é a legenda do próprio prefeito, e tem apenas quatro pré-candidatos: os vereadores Vinícius Porto e Renilson Félix, e os ex-vereadores Juvêncio Oliveira e Branca de Neve. O PV e PHS já fecharam coligação proporcional.

Os candidatos
de JAF
João Alves primeiro pensou em disputar a reeleição tendo Robson Viana como vice. Depois, já pensando em não ser candidato, convidou Robson para ser o candidato tendo como vice Juvêncio Oliveira. Como o deputado ficou relutante, JAF convidou Juvêncio, Renilson Félix e Laércio Oliveira.

Não aceitaram
Laércio Oliveira alegou o fato de estar impedido de ser candidato, por ser presidente da Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio). Tinha que ter se desincompatibilizado no tempo estabelecido pela legislação eleitoral. Renilson Félix disse ontem que recusou a proposta porque se preparou para disputar a reeleição de vereador.

Com JB e JAF
O deputado Robson Viana viajou ontem à tarde a Brasília com o governador Jackson Barreto (PMDB). Em contato com a coluna, disse que conversaria com JB sobre as eleições e quando retornasse já teria uma definição sobre Aracaju. À noite, Robson jantou com João Alves.

Pote de mágoa
Robson só não apoiará a pré-candidatura de Edvaldo Nogueira. Tem divergências políticas com ele desde as eleições de 2010, pelo fato do então prefeito do PCdoB ter retirado votos dele para deputado estadual para repassar para a candidata do seu partido, Tânia Soares, o que levou a sua derrota nas urnas e a da própria comunista.

É fato  
Ontem, início dos trabalhos legislativos do segundo semestre na Câmara Municipal de Aracaju, o clima era de velório entre os vereadores da base aliada do prefeito João Alves que ainda aguardam uma posição política dele sobre as eleições municipais.

O fujão
A oposição não perdeu a oportunidade de tirar onda. A vereadora Lucimara Passos (PCdoB) disse que o prefeito ficará conhecido na história da política como 'João Fujão'. "Quem apostou nessa gestão poderá ter que engolir um 'João Fujão'. Abandonou a cidade, traiu os amigos, os eleitores e os aliados. Foge na hora do vamos ver e pensa que vai voltar em 2018 como governador de Sergipe. Ele está afrontando a inteligência dos aracajuanos", alfinetou.
Mais críticas
Já o ex-aliado Nitinho (PSD) usou a tribuna para dizer que João Alves passa por dificuldades para fechar seu agrupamento por ter isolado seus amigos que sempre estiveram ao seu lado e por não ter consciência que as coisas na política mudam de acordo com o tempo. "Talvez, se João Alves tivesse dado mais espaço para o seu vice, José Carlos Machado, as coisas estariam diferentes, pois ele é um homem ativo e dinâmico", opinou.

Alfinetada
Do ex-deputado Jorge Araújo (PSD) sobre a informação publicada na coluna de que o senador Eduardo Amorim (PSC) está apoiando em Poço Redondo o seu candidato a prefeito Ivan Rosa (DEM), que tem como vice Bitoja (PSD): "O possível apoio de Amorim ainda não foi consolidado, pois o vereador mais votado do seu partido, o Cidinho de Bento, de Sítios Novos, está na campanha de outro candidato, o Júnior Chagas, do PRB".

Veja essa...
O vice-governador Belivaldo Chagas almoçou ontem com o presidente estadual do PSB, deputado e pré-candidato Valadares Filho, oportunidade que comunicou que estava deixando o partido por questões pessoais. Chegou a dizer que como vice-governador não tinha mais como ficar no projeto do PSB.

...e essa...
O que antecipou a saída de Belivaldo Chagas do PSB foi a declaração do senador Valadares de que ele tinha sido avisado das conversas do partido com o PSC e Cia e que, inclusive, tinha incentivado a aliança de Valadares Filho com os Amorim. Belivaldo negou que tenha feito isso. O seu caminho é se filiar ao PMDB mais na frente. O convite já foi feito pelo próprio governador.

Curtas
Com o título "Ninguém acredita", a coluna Esplanada do Correio Braziliense, de ontem, publicou a seguinte nota: "Apesar de tranquilizar o atual líder do Governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), de que fica no cargo, Temer articula um nome do PMDB ou DEM para o cargo".

O governador Jackson Barreto, o prefeito João Alves, o empresário Edivan Amorim e o deputado Robson Viana embarcaram ontem à tarde no mesmo voo para Brasília. Imagine o clima.

De Renilson Félix, ontem, na Câmara Municipal, chateado com o atual quadro político imposto pelo prefeito: "Se for para me prejudicar retiro minha candidatura e arrombo com Vinícius Porto, o candidato de Machadão".
Em Santana do São Francisco, o PCdoB se recusa a apoiar o candidato a prefeito do PMDB, Ricardo Roriz. Quer apoiar o candidato do PSC, Júnior Barroso, que é ligado ao deputado federal André Moura. Pode ter troco em Aracaju.

Ontem, já no seu fechamento, às 21h30, a coluna recebeu a informação de que Robson Viana autorizou os pré-candidatos a vereador do seu partido a fechar ata apoiando a pré-candidatura de Valadares Filho.

A coluna também recebeu a informação de que o PSDB nacional garantiu aos vereadores tucanos que podiam apoiar Valadares Filho sem qualquer retaliação, ou seja, sem risco de que venham a perder o mandato. Mesmo o PSDB apoiando João Alves, em uma eventual candidatura, os vereadores vão ficar com VF.