DO JEITO E DOS JEITINHOS OLÍMPICOS DO BRASILEIRO

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Publicada em 06/08/2016 às 16:55:00

O jeitinho brasileiro é o meio termo entre a malandragem e a virtude, Com ele temos vivido, sobrevivido, e com ele nos inventamos e reinventamo-nos. Jeitinho ou quebra- galho, eis a fórmula inteligente, a solução macunaímica para os nossos males. Nem é preciso perder por inteiro o caráter, para que recorramos ao jeitinho. Macunaíma, o herói sem caráter, que já se quis identificar com a personalidade ou característica do brasileiro, nem era assim, dele tão desprovido . Era alegre, fornicador, e também, as vezes, solidário irmão da sua gente. Um dia, ainda, alguma empavonada autoridade erigirá uma imponente estátua ao jeitinho brasileiro. Se não houver recursos, nem projetos para a obra, dar-se-á um jeitinho, se encontrará a solução do quebra-galho. E logo se fará, do monumento, uma enorme gozação, uma piada pronta. Do jeitinho nada escapa, nem dele mesmo.
Gostam de escrachar o jeitinho brasileiro, de considerá-lo uma afronta à ética, à moral e aos bons costumes, eis porém, que o mundo se rende a ele, o nosso espancado jeitinho, e enxerga naquele majestoso, apoteótico, emocionante espetáculo que foi a abertura desta Olimpíada antes tão malsinada, a força, a capacidade, a inteligência, a tenacidade que tem o brasileiro para dar jeitinhos. Jeitinhos na crise, jeitinho na decepção, na desesperança, jeitinho para aquietar a odiosidade que nos contaminou, jeitinho na dureza da vida, jeitinho para driblar tudo de ruim e sair saracoteando, pulando, fazendo festa. Fazendo aquela festa olímpica, a maior e mais bonita de todos os tempos. Tudo isso porque o jeitinho é nosso, brasileiro, privilégio dos duzentos e quatro milhões de macunaímas jeitosos que vivem nesta Pindorama que se chamou Brasil. Com jeitinho aplaudimos tudo na festa da Olimpíada, e demos também sonora vaia no Temer. Foi o jeitinho melhor de dizer a ele: Não tire proveito político daquilo que você não fez. O jeitinho brasileiro, descontraidamente, sem partidos nem militâncias, leva ao equilíbrio político, e se Lula ali estivesse, também receberia a sua vaia.
O jeitinho brasileiro, essa descontração, essa tendência para desconstruir mitos e personalismos, logo tornou ridículos os nossos ditadores, os generais de cara fechada, e não se conforma com minutos de silêncio nem com cerimoniais alongados. Há, nesse jeitinho, um viés anárquico nos induzindo ao culto de uma liberdade meio bagunceira .  Reprovamos preconceitos, olhamos com certa ironia para tudo aquilo com a forma de poder ou autoridade.  
É preciso que tenhamos orgulho dele, do Brasil, e do jeitinho brasileiro. Ele é nosso, e ninguém tasca.