Mal consumado

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Publicada em 06/08/2016 às 16:59:00

Notícia velha não vende jornal. Por isso, e só por isso, a ausência do mosquito Aedes Aegypti no noticiário. Não significa que as estatísticas relacionadas à incidência de dengue, zika e chikungunya tenham dado algum refresco. Pesquisas recentes realizadas pelo  Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe  (Lacen) e da Universidade de São Paulo, por exemplo, confirmam a circulação do vírus Chikungunya em Sergipe.
O Lacen já cadastrou 1.913 amostras em seu banco de dados. Destas, 878 confirmaram para diagnóstico de Febre Chikungunya. Ou seja: Embora o mosquito da dengue já não possua o mesmo apelo midiático, continua firme e forte, dando um show de obstinação e perseverança, favorecido pela ausência de campanhas e medidas práticas sob a responsabilidade do poder público.
Os alertas, no entanto, seguem soando preocupantes. Pelo menos sete municípios sergipanos estão em vias de enfrentar epidemia e surto de infestação por Aedes Aegypti. Sem combate, o mosquito ficou mais forte, se multiplicou e aumentou o próprio poder de fogo. No estado inteiro.
A iniciativa de promover uma mobilização um pouco mais expressiva, no sentido de enfrentar o mosquito da dengue nunca superou o discurso. Atordoado e reticente, o poder público, em todas as esferas, foi o último a perceber a gravidade da questão. Agora, mesmo com o mal consumado, as autoridades seguem enxugando gelo, protelando o investimento no básico indispensável à qualidade de vida da população, ignorando um fato público e notório: Onde há acesso a saneamento e saúde, o mosquito não prospera.