Ex-deputado recebeu dinheiro para pagar dívida de campanha

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Publicada em 15/08/2012 às 16:58:00

Débora Zampier
Agência Brasil

Brasília - O advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende o ex-deputado federal Paulo Rocha (PT-PA) no processo do mensalão, admitiu ontem que seu cliente recebeu R$ 620 mil do PT, mas afirmou que os recursos eram para saldar dívidas da campanha presidencial de 2002. Gomes Filho negou que seu cliente soubesse da origem ilícita do dinheiro e que tenha tentado esconder os pagamentos.

Paulo Rocha responde oito vezes pelo crime de lavagem de dinheiro, no processo que está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a denúncia do Ministério Público, o então parlamentar e presidente do PT-PA recebeu valores ilícitos das empresas de Marcos Valério, por meio de sua secretária, Anita Leocádia, que também é ré no processo.

"Para qual pessoa ele dá ordem senão para a secretária de 15 anos [de trabalho]? Eu até aceitaria [a tese de lavagem de dinheiro] se fosse uma pessoa afastada do convívio, mas isso só chegou a Paulo por conta de Ana. Em lugar nenhum do mundo se lava dinheiro na própria conta", justificou o advogado.
Segundo Gomes Filho, a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 gerou débitos para o PT-PA, que era então presidido por Paulo Rocha. Sem ter como pagar, ele pediu auxílio ao tesoureiro nacional do partido, Delúbio Soares, que contraiu empréstimos bancários para saldar os compromissos. "Na cadeia causal, ele [Paulo Rocha] é um irrelevante. O dinheiro já chegou limpo no diretório do PT-PA. Foi essa a sistemática".

O advogado atesta que Paulo Rocha desconhecia o esquema ilícito montado com Marcos Valério, mas admitiu que o dirigente não hesitaria em pagar as dívidas se soubesse que o dinheiro era de caixa 2. "Que homem público desse país não teve verba de campanha que não contabilizou? Pagou a conta, se houve justiça social aqui foi nesse pagamento. E não é atrevido de minha parte falar isso".