Um só telefonema tornou ex-ministro réu, diz defesa

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Publicada em 15/08/2012 às 16:58:00

Daniella Jinkings
Agência Brasil

Brasília - A defesa do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto negou que ele tenha praticado os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa, ao fazer sua sustentação oral ontem, no julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Roberto Pagliuso disse que Adauto só é réu no processo porque fez um único telefonema ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Segundo Pagliuso, Adauto teria ligado para Delúbio para ajudar o ex-deputado Romeu Queiroz. O advogado disse que Queiroz procurou Adauto para saber como poderia saldar suas dívidas de campanha, pois as contas não estavam fechando. Diante disso, Adauto contou a Queiroz que ele teria recebido o dinheiro para pagar suas dívidas de campanha de Delúbio Soares. "Houve, de fato, uma única conversa de Anderson Adauto com Romeu Queiroz. […] E esse telefonema [a Delúbio] lhe custou a condição de réu pela prática do crime de corrupção ativa."

Pagliuso disse que não havia relação entre Anderson Adauto e Roberto Jefferson e garantiu que Adauto não participava de reuniões de cúpula dos partidos. "A relação entre o PT e o PTB era contínua, estável. Anderson não transitava na cúpula desses partidos, ele se filiou ao PL em 2002, acompanhando o vice-presidente José Alencar. Ele era recém-chegado ao PL, por isso, não participava de nenhuma reunião de cúpula."

Na ação penal, Anderson Adauto responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Adauto foi ministro dos Transportes entre 2003 e 2004 e, atualmente, é prefeito do município mineiro de Uberaba.
Durante a sustentação, Pagliuso admitiu que Adauto recebeu dinheiro do PT para saldar dívidas de campanha do PL. No entanto, ele afirmou que o ex-ministro não sabia da origem ilícita dos recursos.