Campanha a ser esquecida

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A arte de Leonardo Alencar
A arte de Leonardo Alencar

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Publicada em 02/10/2016 às 00:42:00

A perspectiva de segundo turno nas elei-ções para prefeito de Aracaju existia desde o início e em função da participação de sete candidatos, dos quais três considerados competitivos, até o fraco desempenho nas pesquisas do prefeito João Alves Filho (DEM), que disputa a reeleição. Edvaldo Nogueira (PCdoB) sempre esteve à frente e Valadares Filho (PSB), cercado pelo deputado federal André Moura e os irmãos Amorim, não teve o crescimento previsto nem mesmo pela coordenação da sua campanha.

Pelas contas dos coordenadores, Valadares Filho deveria entrar na segunda quinzena de setembro na frente de Edvaldo, o que não ocorreu em nenhum momento. O resultado da pesquisa Ibope, a última divulgada na capital, na última sexta-feira, 30, mostrava Edvaldo ainda numa situação confortável, com 39% contra Valadares 27%, ou 45% dos votos válidos. Índices parecidos com a pesquisa Única, divulgada pelo JORNAL DO DIA no dia anterior.

Apesar das intrigas nas redes sociais, a campanha em Aracaju foi tranquila, sem agredir o eleitor. Se Edvaldo tinha problemas em função da crise econômica do Estado, provocando o atraso nos salários dos servidores, aposentados e pensionistas, Valadares Filho tratou de deixar escondidos os apoios que recebeu de última hora, quando ele decidiu de vez romper com o governo Jackson Barreto. Trocou o apoio de um correto Fábio Mitidieri por André e os irmãos Amorim, que ele sequer deixa aparecer nas fotos de campanha, até porque nunca foram bem posicionados na capital.

Em caso de segundo turno, o eleitorado mais à esquerda tende a votar em Edvaldo, independente do posicionamento dos atuais candidatos - Dr. Emerson (Rede), Sônia Meire (Psol) e Vera Lúcia (PSTU). Sobram João Tarantela (PMN), que parece não ter controle nem mesmo sobre a sua própria cabeça, e João Alves, que estará atarefado tentando organizar a reta final de sua conturbada administração e evitar mais um vexame no fim de sua carreira política - a rejeição das contas da administração pelos órgãos de controle.

A única eleição em que foi necessária a realização de segundo turno para definir o prefeito de Aracaju ocorreu em 1996 do século passado, quando houve a disputa de João Gama (PMDB) - o vencedor - com Ismael Silva, na época do PT. De lá pra cá, Marcelo Déda venceu duas vezes em primeiro turno (2000 e 2004), Edvaldo em 2008 e João Alves em 2012.
O fraco desempenho de Edvaldo Nogueira no debate promovido pela TV Sergipe na última quinta-feira animou muito Valadares Filho e os seus correligionários, que comemoraram a perspectiva da realização do segundo turno como se já tivessem vencido as eleições.

A campanha de 2016 está sendo marcada não apenas pela falta de recursos - é a primeira desde a proibição de doações empresariais, que faziam a festa dos partidos e seus tesoureiros -, mas também por um marketing mais pobre e sem grandes mobilizações. A festa revelada pelos candidatos durante caminhadas na periferia só era percebida por seus assessores. Cada candidato chegava a um ato de campanha cercado com pelo menos 200 pessoas com camisas nas cores dos partidos. Educado, o eleitor simplesmente cumprimentava o candidato, o suficiente para a gravação de imagens e a exibição nos programas de TV como se isso representasse apoio e/ou voto.

Os discursos do "volta Edvaldo" da campanha do ex-prefeito, do "novo" de Valadares Filho e o "fica" de João Alves não representaram absolutamente nada, soando de forma patética. Será uma campanha a ser esquecida rapidamente pela população, mesmo que só seja concluída no dia 30, com a realização do segundo turno.
Mostra também que os partidos precisam trabalhar muito na preparação de seus quadros. Na nova safra de políticos sergipanos não há um articulador e orador exímio como o ex-governador Marcelo Déda, um líder como Jackson Barreto ou um estrategista como o senador Valadares. As opções são muito fracas, inclusive entre os que disputam a PMA.

Culpa da Justiça

Somente ontem à tarde, após o fechamento desta coluna, é que o TRE concluiria o julgamento de candidatos a prefeito que estão sub júdice. Caso de José Franco, candidato do PSDB a prefeito de Nossa Senhora do Socorro, segundo maior eleitorado do Estado. Em caso de impugnação, os seus votos serão declarados nulos.

O tempo fecha

O deputado federal André Moura (PSC), líder do governo Temer na Câmara, finge que está tudo bem, mas a sua situação jurídica está cada vez mais complicada. A cada mês sai uma decisão mantendo condenações dele e de quase toda a sua família, em função de problemas na prefeitura de Pirambu.
Em decisão prolatada na quarta-feira, 28, o ministro Edson Fachin, do STF, acolheu o pleito liminar do Ministério Público do Estado de Sergipe, formulado pela Procuradoria-Geral de Justiça, na Reclamação ajuizada perante o Supremo Tribunal Federal.
A Reclamação registrada sob o nº 25.216-SE foi aforada visando desconstituir decisão monocrática exarada pelo Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, Dlberto Romeu Gouveia Leite, que suspendeu a eficácia de Acordão proferido pela 1ª (primeira) Câmara Cível do mesmo Tribunal, o qual manteve a condenação por improbidade administrativa de André Luiz Dantas Ferreira, Alice Maria Dantas Ferreira, Cláudia Patrícia Dantas Ferreira, Elio José Lima Martins, Lara Adriana Veiga Barreto Ferreira e Juarez Batista dos Santos.
Segundo a denúncia do MP, "os demandados foram condenados por organizarem um complexo esquema de apropriação e desvio de bens públicos, em proveito próprio, inclusive mediante o pagamento de despesas em bares e restaurantes, bem como eventos e publicidade, tudo às custas dos cofres do Município de Pirambu".
Com a concessão do pedido liminar, os comandos consubstanciados na suspensão dos direitos políticos, na aplicação de multa civil, além da proibição de contratar com o poder público passam a surtir efeitos.
Segundo o promotor de Justiça, Daulo José Francisco Alves Filho, que compõe a Coordenadoria Recursal, órgão auxiliar da Procuradoria-Geral de Justiça: "A decisão do Ministro Fachin confere concretude aos mandamentos insculpidos na Constituição Federal e na Lei de Improbidade Administrativa, podendo gerar efeitos já nesse pleito eleitoral".
Na noite de sexta-feira, André conseguiu que o ministro do STF revisasse a sua posição, evitando, no momento, a impugnação imediata das candidaturas de Lara, em Japaratuba, e Élio, em Pirambu. Mas os processos vão continuar, mesmo que eles sejam eleitos hoje.
Ficar protelando os processos não rende muita coisa. A qualquer momento, os tribunais superiores podem decidir pela condenação final do próprio André.

 

Só pra lembrar

Durante a sua gestão, o prefeito João Alves Filho obteve apoio maciço dos vereadores da Câmara Municipal para aumentar a arrecadação e beneficiar empresários concessionários de serviços públicos. Como costuma lembrar o colunista Adiberto Souza, João Alves reajustou em até 200% o IPTU, criou a Taxa de Iluminação Pública para deixar a cidade ainda mais escura e concedeu elevados reajustes na passagem de ônibus, com o apoio integral dos vereadores Anderson de Tuca, Dr. Agnaldo, Adelson Barreto Filho, Manoel Matos, Valdir Santos, Renilson Felix, Dr. Gonzaga, Ivaldo José, Augusto do Japãozinho, Jailton Santana, Adriano Taxista, pastor Roberto Morais, Max Prejuízo, e Agamenon Sobral. Embora não tenha votado nos três projetos, o presidente da Câmara, Vinícius Porto, orientou os vereadores a ficarem contra os aracajuanos.

Sina de Canindé

Na quinta-feira, vereadores de Canindé do São Francisco que estão sendo denunciados pelo uso indevido das verbas indenizatórias - em Aracaju provocou o afastamento de 10 vereadores, com a prisão de Agamenon Sobral e Adelson Barreto Filho - colocaram para correr equipes de inspeção do Tribunal de Contas do Estado. O presidente do TCE, Clóvis Barbosa de Melo, pediu providências do secretário da Segurança, João Batista, e o inquérito deve ser concluído nos próximos dias.
Vereadores de Canindé repetiam prática dos vereadores de Aracaju e contratavam empresas fantasmas que atestavam a prestação de serviços nunca realizados, e depois devolviam a maior parte dos recursos para os próprios vereadores.
Aliás, Canindé não dá mesmo sorte com os seus políticos. Depois da era de terror implantada por Genivaldo Galindo, o município conquistou uma rápida calmaria e organização com a passagem de Orlandinho Andrade pelo comando da prefeitura, mas o atual prefeito Heleno Silva voltou a desorganizar o município e está com os recursos bloqueados, porque não paga nem mesmo a folha de pessoal.

Sem parcelamento

O governador Jackson Barreto ainda não conseguiu pagar a folha dos servidores dentro do mês, mas ao menos acabou com o parcelamento dos salários. A folha dos servidores ativos será concluída no próximo dia 12. Os aposentados e pensionistas já receberam os salários de setembro. E já há a garantia de que a folha de outubro também não será fatiada.