Uma herança maldita

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Publicada em 09/10/2016 às 00:20:00

 

Edvaldo Nogueira e Valadares Filho es
tão travando um embate duro, que 
para muitos pode representar o futuro político de Sergipe, por uma prefeitura completamente falida, com débitos milionários a fornecedores e prestadores de serviço, além de salários atrasados dos servidores municipais. É esta a herança que o eleito em 30 de outubro vai receber do prefeito João Alves Filho (DEM) em primeiro de janeiro.
A gestão João Alves Filho é desgastada e desmoralizada em todos os setores. No primeiro turno da disputa eleitoral ficou com menos de 10% dos votos válidos, em empate técnico com o vereador Emerson Ferreira, da Rede. Na quinta-feira, a empresa Cavo que ele trouxe para Aracaju numa polêmica contratação emergencial em análise na justiça, avisou que suspenderia a coleta de lixo a partir do sábado, 08, em função da falta de pagamento por parte da PMA. Na sexta-feira, João convocou uma reunião emergencial com o secretariado para tentar uma solução e evitar, mais uma vez, o acúmulo de lixo na cidade.
O secretário de Comunicação, Carlos Batalha, admitiu que a PMA estava com os cofres completamente zerados, reconheceu um débito de R$ 19 milhões com a Cavo e disse que o secretário de Finanças, Jair Araújo, estava fazendo um balanço na rede bancária para ver o que tinha entrado no caixa para fazer uma transferência automática para a empresa do lixo. Como a Cavo anunciou que manteria o serviço, a prefeitura deve ter obtido alguma garantia real para pagar os R$ 5,9 milhões reivindicados imediatamente.
Esse movimento da Cavo é apenas pequena parte do problema que veio a público. João Alves quebrou literalmente a Prefeitura de Aracaju, que até sua gestão sempre conseguiu honrar compromissos com a folha e manteve os serviços em ordem. Outros serviços essenciais já estão parados, não há borra de asfalto para tapar os buracos nas ruas, a merenda está atrasada, serviços de iluminação pública não são mais repostos, os postos de saúde e hospitais estão sem medicamentos e insumos, os médicos e outros profissionais de saúde estão parados.
A expectativa é de que o novo prefeito receba ao menos a folha de dezembro e do 13º salário para pagar em janeiro, juntamente com a folha do mês, e terá que fazer uma renegociação das dívidas para que serviços essenciais, como a coleta do lixo, não sejam totalmente paralisados - isso se forem mantidos até 31 de dezembro, quando acaba o catastrófico mandato de João Alves Filho.
Mas o caos na PMA não impede a acirrada e desleal disputa entre Valadares Filho e Edvaldo Nogueira. No primeiro turno houve empate técnico - EN conquistou 38,76% dos votos (99.815) e VF obteve nas urnas 38,09% dos votos (98.071).
Nas redes sociais, o clima é de guerrilha e nenhum dos dois candidatos tenta dar respostas para o protesto da população no primeiro turno: em Aracaju, 18,04% do eleitorado, o correspondente a 71.646 eleitores, não compareceram ao local de votação em 2 de outubro. Já 16,60% (54.062 eleitores) resolveram sair de casa para votar, mas preferiram anular o voto, e 4,30% (14.015 eleitores) fizeram a opção de votar em branco. A soma dos que preferiram votar em branco, anular o voto ou se abster chega a 38,94%, quase o mesmo percentual que tiveram os candidatos Valadares Filho e Edvaldo Nogueira.
Líderes políticos do governo e da oposição se apressam em dizer que o grupo vitorioso na eleição de Aracaju sai na frente na disputa pelo governo do Estado em 2018. Uma eleição não tem nada a ver com a outra. A maioria dos prefeitos vitoriosos nestas eleições - talvez inclusive o da capital - não poderá nem subir nos palanques dos candidatos a governador nas próximas eleições. Estarão tão desgastados junto ao eleitorado, que serão escondidos por seus próprios aliados.

Uma herança maldita

Edvaldo Nogueira e Valadares Filho estão travando um embate duro, que para muitos pode representar o futuro político de Sergipe, por uma prefeitura completamente falida, com débitos milionários a fornecedores e prestadores de serviço, além de salários atrasados dos servidores municipais. É esta a herança que o eleito em 30 de outubro vai receber do prefeito João Alves Filho (DEM) em primeiro de janeiro.

A gestão João Alves Filho é desgastada e desmoralizada em todos os setores. No primeiro turno da disputa eleitoral ficou com menos de 10% dos votos válidos, em empate técnico com o vereador Emerson Ferreira, da Rede. Na quinta-feira, a empresa Cavo que ele trouxe para Aracaju numa polêmica contratação emergencial em análise na justiça, avisou que suspenderia a coleta de lixo a partir do sábado, 08, em função da falta de pagamento por parte da PMA. Na sexta-feira, João convocou uma reunião emergencial com o secretariado para tentar uma solução e evitar, mais uma vez, o acúmulo de lixo na cidade.

O secretário de Comunicação, Carlos Batalha, admitiu que a PMA estava com os cofres completamente zerados, reconheceu um débito de R$ 19 milhões com a Cavo e disse que o secretário de Finanças, Jair Araújo, estava fazendo um balanço na rede bancária para ver o que tinha entrado no caixa para fazer uma transferência automática para a empresa do lixo. Como a Cavo anunciou que manteria o serviço, a prefeitura deve ter obtido alguma garantia real para pagar os R$ 5,9 milhões reivindicados imediatamente.

Esse movimento da Cavo é apenas pequena parte do problema que veio a público. João Alves quebrou literalmente a Prefeitura de Aracaju, que até sua gestão sempre conseguiu honrar compromissos com a folha e manteve os serviços em ordem. Outros serviços essenciais já estão parados, não há borra de asfalto para tapar os buracos nas ruas, a merenda está atrasada, serviços de iluminação pública não são mais repostos, os postos de saúde e hospitais estão sem medicamentos e insumos, os médicos e outros profissionais de saúde estão parados.

A expectativa é de que o novo prefeito receba ao menos a folha de dezembro e do 13º salário para pagar em janeiro, juntamente com a folha do mês, e terá que fazer uma renegociação das dívidas para que serviços essenciais, como a coleta do lixo, não sejam totalmente paralisados - isso se forem mantidos até 31 de dezembro, quando acaba o catastrófico mandato de João Alves Filho.

Mas o caos na PMA não impede a acirrada e desleal disputa entre Valadares Filho e Edvaldo Nogueira. No primeiro turno houve empate técnico - EN conquistou 38,76% dos votos (99.815) e VF obteve nas urnas 38,09% dos votos (98.071).

Nas redes sociais, o clima é de guerrilha e nenhum dos dois candidatos tenta dar respostas para o protesto da população no primeiro turno: em Aracaju, 18,04% do eleitorado, o correspondente a 71.646 eleitores, não compareceram ao local de votação em 2 de outubro. Já 16,60% (54.062 eleitores) resolveram sair de casa para votar, mas preferiram anular o voto, e 4,30% (14.015 eleitores) fizeram a opção de votar em branco. A soma dos que preferiram votar em branco, anular o voto ou se abster chega a 38,94%, quase o mesmo percentual que tiveram os candidatos Valadares Filho e Edvaldo Nogueira.

Líderes políticos do governo e da oposição se apressam em dizer que o grupo vitorioso na eleição de Aracaju sai na frente na disputa pelo governo do Estado em 2018. Uma eleição não tem nada a ver com a outra. A maioria dos prefeitos vitoriosos nestas eleições - talvez inclusive o da capital - não poderá nem subir nos palanques dos candidatos a governador nas próximas eleições. Estarão tão desgastados junto ao eleitorado, que serão escondidos por seus próprios aliados.


Luciano de volta

Depois de quatro meses de disputa judicial, Luciano Bispo (PMDB) deve reassumir na próxima terça-feira o seu mandato de deputado estadual, É que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, assinou na terça-feira, 04, o deferimento do registro da sua candidatura, que já foi publicado no Diário da Justiça do Tribunal Superior Eleitoral. Agora só falta o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) notificar a Assembleia Legislativa da decisão do ministro Gilmar Mendes.

Em relação à presidência, será preciso um entendimento entre Luciano e o atual presidente Garibalde Mendonça, que assumiu após a perda do mandato de deputado. É provável que Garibalde não crie problemas e volte à condição de vice-presidente. A Assembleia também já reelegeu a mesa para o biênio 2017/2018, com Luciano presidente.

Já Conceição Vieira (PT) volta a condição de primeira suplente.


Frente anti-PT

O seu adversário é do PCdoB, mas os novos aliados de Valadares Filho formam uma verdadeira frente anti-PT: Laércio Oliveira (SD), Reynaldo Nunes (PV), Albano Franco, José Carlos Machado e Franco, do PSDB. Além dos grupos de Edivan e Eduardo Amorim e André Moura.

Tem ainda o deputado Robson Viana, braço direito do prefeito João Alves, e o vereador Jailton Santana, um dos envolvidos nas fraudes da Câmara de Vereadores, e que foi candidato a vice de João.


Um arrastão na Câmara

Dos 20 vereadores de Aracaju que disputaram a reeleição apenas oito vão continuar na Câmara Municipal a partir de 2017: Iran Barbosa (PT) - o campeão de votos -, Vinícius Porto (DEM), Lucas Aribé (PSB), Bigode do Santa Maria (PMDB), Anderson de Tuca (PRTB), Dr. Manuel Marcos (PSDB), Nitinho (PSD) e Dr. Gonzaga (PMDB).

Não conseguiram a reeleição os vereadores Pastor Roberto Moraes (SD), Renilson Félix (DEM), Adriano Taxista (PSDB), Valdir Santos (PTdoB), Max Prejuízo (PSB), Bertulino Menezes (PSB), Daniela Fortes (PEN), Augusto do Japãozinho (PRTB), Emanuel Nascimento (PT), Lucimara Passos (PCdoB), Ivaldo José (PRTB) e Agamenon Sobral (PHS). Não disputaram a reeleição Jailton Santana (PSDB), Dr. Agnaldo (PR), Dr. Emerson (Rede) e Adelson Barreto Filho (PR).

Sete dos 10 vereadores que estão impedidos de frequentar a sede da Câmara Municipal por estarem sendo investigados, através da Operação Indenizar-se, por desvio dos recursos das verbas indenizatórias, não conseguiram a reeleição: Agamenon Sobral (chegou a ser preso), Renilson Félix, Adriano Taxista, Valdir Santos, Daniela Fortes, Augusto do Japãozinho, Emanuel Nascimento. Os outros três não disputaram a reeleição: Adelson Barreto Filho, Dr. Agnaldo e Jailton Santana (foi o vice de João Alves Filho).

Os novos vereadores eleitos são a surpreendente Kitty Lima (Rede), Zezinho do Bugio (PTB), Isac (PCdoB), Pastor Alves (PRB), Dra. Emília Correia (PEN), Seu Marcos (PHS), Jason Neto (PDT), Fábio Meirelles (PPS), Palhaço Soneca (PPS), Thiaguinho Batalha (PMB), Professor Bittencourt (PCdoB), Cabo Amintas (PTB) e Américo de Deus (Rede). Além dos ex-vereadores que retornam a Câmara: Juvêncio Oliveira (DEM), Evando Franca (PSD) e Elber Batalha (PSB).


Jackson tenta respirar

O governador Jackson Barreto já encaminhou à Assembleia Legislativa os planos de reestruturação de carreira da Polícia Militar. Apesar de ainda haver divergências em relação aos valores do piso e do teto, JB acredita que 80% da tropa ficou satisfeita com o projeto do governo, que incorpora aos subsídios todas as gratificações recebidas pelos PMs, garantindo o recebimento após a reserva (aposentadoria).

Jackson ressalta que a maior conquista dos policiais é a definição da carreira dentro da PM. "A partir de agora, no momento em que ingressar em seus quadros, o policial militar vai saber quanto tempo terá para ser promovido, os cursos que precisa fazer para a troca de patente. Ou seja, terá uma vida complemente planejada", explica.

Jackson disse que os militares possuem um representante na Assembleia Legislativa, que poderá propor mudanças ao projeto, desde que não alterem os valores já definidos, "fruto de um grande esforço do governo, num período de crise".

Enquanto isso, o governador segue tentando garantir o pagamento da folha dentro do mês e o equilíbrio das contas da previdência. Na próxima quinta-feira, 13, Jackson participa de reunião de todos os governadores. Na pauta, tentativa de elaborar uma proposta conjunta para o problema do déficit previdenciário dos Estados. A ideia é elaborar uma proposta conjunta a ser apresentada a todas as Assembleias Legislativas. A reunião acontecerá na residência oficial do governo do Distrito Federal. A reforma é combinada com o presidente Michel Temer, que terá que enviar projeto semelhante ao Congresso Nacional.

O déficit do governo de Sergipe com a previdência corresponde a R$ 100 milhões mensais.