Cápsulas de iodo radioativo são encontradas em área de Socorro

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Publicada em 19/10/2016 às 09:32:00

 

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
A Polícia Civil abriu in
quérito para investigar 
o abandono de 20 cápsulas da substância iodeto de sódio I-131, considerada radioativa e usada para o tratamento de câncer na tireóide. Elas foram achadas no começo da manhã de ontem em um ferro-velho no loteamento Taiçoca de Fora, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju).Uma equipe da 5ª Delegacia Metropolitana (5ª DM) esteve no local para entregar uma intimação, quando os policiais viram uma mulher tentando abrir as camadas de chumbo que envolviam uma embalagem de plástico, na qual estavam porções em pó do iodeto. A procedência do material ainda é investigada. 
De acordo com o delegado Thiago Leandro Oliveira, responsável pela 5ª DM, um dos policiais desconfiou dos objetos que estavam no ferro-velho e perguntou à mulher sobre o que ela estava quebrando. "O que chamou à atenção dele foi o símbolo de material radioativo da cápsula. Foi quando ele perguntou sobre a origem desse material e ela respondeu que uma pessoa tinha trazido as cápsulas de um hospital e estava vendendo. Entramos em contato com a Defesa Civil, com a Secretaria da Segurança Pública e com a doutora Conceição [Mendonça], secretária de Estado da Saúde, para que fossem acionadas as equipes de emergência", explicou Leandro.
A cápsula, semelhante a um pote médio de tempero, estava com uma etiqueta que trazia o nome da substância os emblemas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), entidade federal que regula o material radioativo no Brasil, e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), autarquia científica ligada ao Governo do Estado de São Paulo e fabricante da substância. Estavam indicadas ainda que o iodeto, de uso exclusivamente hospitalar, foi embalado no dia 5 de outubro e perdeu a validade cinco dias depois. 
Segundo a ficha de informações químicas do I-131, disponível no site do Ipen, o material tem um baixo poder de contaminação, mas "oferece risco à saúde por exposição externa à radiação, que pode se prolongar em caso de permanência prolongada junto à embalagem" e "podem causar efeitos similares às queimaduras em casos de altas doses". A bula alerta ainda que o iodeto  só deve "ser manipulado apenas por pessoas devidamente treinadas e autorizadas pela Cnen". Por segurança, o material é envolvido em uma camada de chumbo que impede a saída da radiação.
A polícia apurou que as cápsulas foram compradas no último sábado, ao preço de R$ 150,00, e que principal interesse dos donos do ferro-velho estaria na retirada do chumbo para revenda. Algumas das cápsulas tiveram o chumbo retirado. Por isso, o terreno do ferro-velho foi isolado por soldados do Corpo de Bombeiros e técnicos da Defesa Civil Estadual e Defesa Civil de Socorro. Engenheiros de segurança da Petrobras também foram chamados para verificar, com a ajuda de um equipamento especial, se houve algum dano radiológico ou risco de contaminação. Após uma perícia que durou quase toda a tarde, os técnicos constataram que não houve nenhuma radiação transmitida. 
A área foi liberada após o término da perícia, mas o material foi recolhido pela Defesa Civil e guardado em um local seguro. Até o fim desta semana, as cápsulas serão enviadas ao Ipen, em São Paulo, que providenciará o descarte definitivo delas. O delegado Thiago Leandro já colheu os depoimentos dos proprietários do ferro-velho e deve ouvir o homem que teria revendido as cápsulas aos comerciantes. O descarte indevido de material hospitalar é previsto na Lei de Crimes Ambientais e os responsáveis poderão ser processados judicialmente.

Gabriel Damásio

gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br


A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o abandono de 20 cápsulas da substância iodeto de sódio I-131, considerada radioativa e usada para o tratamento de câncer na tireóide. Elas foram achadas no começo da manhã de ontem em um ferro-velho no loteamento Taiçoca de Fora, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju).Uma equipe da 5ª Delegacia Metropolitana (5ª DM) esteve no local para entregar uma intimação, quando os policiais viram uma mulher tentando abrir as camadas de chumbo que envolviam uma embalagem de plástico, na qual estavam porções em pó do iodeto. A procedência do material ainda é investigada. 

De acordo com o delegado Thiago Leandro Oliveira, responsável pela 5ª DM, um dos policiais desconfiou dos objetos que estavam no ferro-velho e perguntou à mulher sobre o que ela estava quebrando. "O que chamou à atenção dele foi o símbolo de material radioativo da cápsula. Foi quando ele perguntou sobre a origem desse material e ela respondeu que uma pessoa tinha trazido as cápsulas de um hospital e estava vendendo. Entramos em contato com a Defesa Civil, com a Secretaria da Segurança Pública e com a doutora Conceição [Mendonça], secretária de Estado da Saúde, para que fossem acionadas as equipes de emergência", explicou Leandro.

A cápsula, semelhante a um pote médio de tempero, estava com uma etiqueta que trazia o nome da substância os emblemas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), entidade federal que regula o material radioativo no Brasil, e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), autarquia científica ligada ao Governo do Estado de São Paulo e fabricante da substância. Estavam indicadas ainda que o iodeto, de uso exclusivamente hospitalar, foi embalado no dia 5 de outubro e perdeu a validade cinco dias depois. 

Segundo a ficha de informações químicas do I-131, disponível no site do Ipen, o material tem um baixo poder de contaminação, mas "oferece risco à saúde por exposição externa à radiação, que pode se prolongar em caso de permanência prolongada junto à embalagem" e "podem causar efeitos similares às queimaduras em casos de altas doses". A bula alerta ainda que o iodeto  só deve "ser manipulado apenas por pessoas devidamente treinadas e autorizadas pela Cnen". Por segurança, o material é envolvido em uma camada de chumbo que impede a saída da radiação.

A polícia apurou que as cápsulas foram compradas no último sábado, ao preço de R$ 150,00, e que principal interesse dos donos do ferro-velho estaria na retirada do chumbo para revenda. Algumas das cápsulas tiveram o chumbo retirado. Por isso, o terreno do ferro-velho foi isolado por soldados do Corpo de Bombeiros e técnicos da Defesa Civil Estadual e Defesa Civil de Socorro. Engenheiros de segurança da Petrobras também foram chamados para verificar, com a ajuda de um equipamento especial, se houve algum dano radiológico ou risco de contaminação. Após uma perícia que durou quase toda a tarde, os técnicos constataram que não houve nenhuma radiação transmitida. 

A área foi liberada após o término da perícia, mas o material foi recolhido pela Defesa Civil e guardado em um local seguro. Até o fim desta semana, as cápsulas serão enviadas ao Ipen, em São Paulo, que providenciará o descarte definitivo delas. O delegado Thiago Leandro já colheu os depoimentos dos proprietários do ferro-velho e deve ouvir o homem que teria revendido as cápsulas aos comerciantes. O descarte indevido de material hospitalar é previsto na Lei de Crimes Ambientais e os responsáveis poderão ser processados judicialmente.