Roteiro de terror

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
AS ESCULTURAS DO SERGIPANO VÉIO PASSEIAM PELO MUNDO
AS ESCULTURAS DO SERGIPANO VÉIO PASSEIAM PELO MUNDO

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 23/10/2016 às 08:47:00

Tribuna

 

Gilvan Manoel

 

Roteiro de terror

 

O prefeito eleito de Aracaju, a ser co
nhecido na noite do próximo do
mingo, 30, quando será realizada a disputa final entre Edvaldo Nogueira (PCdoB) e Valadares Filho (PSB), terá poucos dias de festa. Após a divulgação do resultado, o eleito terá que começar a se preparar para enfrentar uma das maiores crises da história da Prefeitura de Aracaju, provocada pelo atual prefeito João Alves Filho (DEM).
São obras paralisadas, salários atrasados, serviços de saúde suspensos em função da greve dos servidores e a falta de medicamentos, escolas e creches sem merenda, limpeza da cidade comprometida inclusive com o risco de a empresa contratada emergencialmente parar a coleta do lixo e suspender as atividades em função de uma dívida milionária superior a R$ 20 milhões, contraída em menos de seis meses, crateras abertas até nas grandes avenidas e a sensação de que a cidade está acéfala, sem um prefeito há mais de dois anos.
Na gestão de João Alves na PMA cada secretário agia como um reizinho, responsável por sua área, sem a interferência do prefeito, a não ser para definir as poucas obras que executou ou trocar a empresa responsável pela coleta do lixo, que teve o dedo do prefeito. Uma espécie de 'carta' divulgada na última quinta-feira pelo secretário de Comunicação Carlos Batalha admite todos os desmandos e atribui os problemas enfrentados pela incompetência do prefeito João Alves, a "perseguições" do ex-presidente Lula no longínquo ano de 2003 - João se transformou em prefeito de Aracaju em janeiro de 2013.
"O novo Governo Federal tenta ajustar a economia do país, mas ainda não conseguiu e o reflexo é o que nós estamos vendo. Aliás, essa tragédia era anunciada pelo prefeito João Alves, lá em 2003, quando ele liderou uma luta à época por uma reforma tributária justa, onde ele já previa que os estados e municípios chegariam à situação de hoje, então ele liderou essa luta contra o Governo Federal. A princípio, contou com o apoio de vários governadores que aos poucos foram lhe deixando sozinho, o que valeu uma tremenda perseguição a ele e ao estado, por parte do então presidente Lula. Hoje a realidade é esta", diz trecho do texto de Batalha, que tenta justificar os desmandos de João e sua turma.
O secretário admite atraso nos salários dos servidores e o caos na área de saúde, reconhece a dívida milionária junto ao Ipesaúde - que presta assistência médica/hospitalar a 6 mil servidores da PMA e seus dependentes - e defende ardorosamente a nomeação de antigos cabos eleitorais para cargos em comissão, com salários acima de R$ 10 mil, "porque estariam vagos", assim como a nomeação de Sérgio Viana, irmão do deputado estadual Robson Viana (PEN), como novo secretário de Articulação Política e Relações Institucionais, num momento em que a Câmara Municipal não possui nem vereadores para deliberar com quorum qualificado, devido ao afastamento determinado pela Justiça de dez vereadores envolvidos no desvio de recursos das verbas indenizatórias.
Nos últimos dias, categorias mais organizadas de servidores, como os da área de Saúde e da Educação, estão pressionando o Tribunal de Contas do Estado para que decrete o bloqueio das contas da PMA para priorizar o pagamento do funcionalismo, mas há resistência da maioria dos conselheiros, com ligações políticas e pessoais com o prefeito. Mesmo assim, o presidente do TCE, Clóvis Barbosa, e o conselheiro responsável pela fiscalização das contas da capital, Ulices Andrade, convocaram secretários da PMA para traçarem um cronograma de pagamento dos servidores até o final da gestão.
Ficou acertado que os salários de setembro do pessoal da Saúde, motivo do fechamento dos postos de saúde e hospitais municipais, serão pagos no dia 31 de outubro, e até o início de novembro, João Alves terá que dizer como vai pagar os salários de outubro, novembro, dezembro e o 13º salário do funcionalismo. As interferências dos órgãos de controle não garantem a atualização dos salários, porque simplesmente a PMA não tem dinheiro e parte da arrecadação já está bloqueada. O dinheiro que entra na rede bancária é sacado diariamente.
O prefeito eleito terá que fazer dinheiro para honrar os compromissos assumidos durante a campanha, inclusive a regularização dos salários ainda no mês de janeiro. É um verdadeiro filme de terror.

 

O prefeito eleito de Aracaju, a ser conhecido na noite do próximo domingo, 30, quando será realizada a disputa final entre Edvaldo Nogueira (PCdoB) e Valadares Filho (PSB), terá poucos dias de festa. Após a divulgação do resultado, o eleito terá que começar a se preparar para enfrentar uma das maiores crises da história da Prefeitura de Aracaju, provocada pelo atual prefeito João Alves Filho (DEM).

São obras paralisadas, salários atrasados, serviços de saúde suspensos em função da greve dos servidores e a falta de medicamentos, escolas e creches sem merenda, limpeza da cidade comprometida inclusive com o risco de a empresa contratada emergencialmente parar a coleta do lixo e suspender as atividades em função de uma dívida milionária superior a R$ 20 milhões, contraída em menos de seis meses, crateras abertas até nas grandes avenidas e a sensação de que a cidade está acéfala, sem um prefeito há mais de dois anos.

Na gestão de João Alves na PMA cada secretário agia como um reizinho, responsável por sua área, sem a interferência do prefeito, a não ser para definir as poucas obras que executou ou trocar a empresa responsável pela coleta do lixo, que teve o dedo do prefeito. Uma espécie de 'carta' divulgada na última quinta-feira pelo secretário de Comunicação Carlos Batalha admite todos os desmandos e atribui os problemas enfrentados pela incompetência do prefeito João Alves, a "perseguições" do ex-presidente Lula no longínquo ano de 2003 - João se transformou em prefeito de Aracaju em janeiro de 2013.

"O novo Governo Federal tenta ajustar a economia do país, mas ainda não conseguiu e o reflexo é o que nós estamos vendo. Aliás, essa tragédia era anunciada pelo prefeito João Alves, lá em 2003, quando ele liderou uma luta à época por uma reforma tributária justa, onde ele já previa que os estados e municípios chegariam à situação de hoje, então ele liderou essa luta contra o Governo Federal. A princípio, contou com o apoio de vários governadores que aos poucos foram lhe deixando sozinho, o que valeu uma tremenda perseguição a ele e ao estado, por parte do então presidente Lula. Hoje a realidade é esta", diz trecho do texto de Batalha, que tenta justificar os desmandos de João e sua turma.

O secretário admite atraso nos salários dos servidores e o caos na área de saúde, reconhece a dívida milionária junto ao Ipesaúde - que presta assistência médica/hospitalar a 6 mil servidores da PMA e seus dependentes - e defende ardorosamente a nomeação de antigos cabos eleitorais para cargos em comissão, com salários acima de R$ 10 mil, "porque estariam vagos", assim como a nomeação de Sérgio Viana, irmão do deputado estadual Robson Viana (PEN), como novo secretário de Articulação Política e Relações Institucionais, num momento em que a Câmara Municipal não possui nem vereadores para deliberar com quorum qualificado, devido ao afastamento determinado pela Justiça de dez vereadores envolvidos no desvio de recursos das verbas indenizatórias.

Nos últimos dias, categorias mais organizadas de servidores, como os da área de Saúde e da Educação, estão pressionando o Tribunal de Contas do Estado para que decrete o bloqueio das contas da PMA para priorizar o pagamento do funcionalismo, mas há resistência da maioria dos conselheiros, com ligações políticas e pessoais com o prefeito. Mesmo assim, o presidente do TCE, Clóvis Barbosa, e o conselheiro responsável pela fiscalização das contas da capital, Ulices Andrade, convocaram secretários da PMA para traçarem um cronograma de pagamento dos servidores até o final da gestão.

Ficou acertado que os salários de setembro do pessoal da Saúde, motivo do fechamento dos postos de saúde e hospitais municipais, serão pagos no dia 31 de outubro, e até o início de novembro, João Alves terá que dizer como vai pagar os salários de outubro, novembro, dezembro e o 13º salário do funcionalismo. As interferências dos órgãos de controle não garantem a atualização dos salários, porque simplesmente a PMA não tem dinheiro e parte da arrecadação já está bloqueada. O dinheiro que entra na rede bancária é sacado diariamente.

O prefeito eleito terá que fazer dinheiro para honrar os compromissos assumidos durante a campanha, inclusive a regularização dos salários ainda no mês de janeiro. É um verdadeiro filme de terror.

-----------------------------------------------------------

Quem é o culpado?

Setores do PSB estão procurando o culpado pela presença da senadora Maria do Carmo Alves, mulher do prefeito João Alves, no ato realizado no Iate Clube, com a participação do prefeito de Salvador, ACM Neto, um dos poucos sobreviventes do DEM no País, que marcou a adesão do deputado Robson Viana e de todo o bloco que apoiou João Alves Filho no primeiro turno à campanha de Valadares Filho.

Acham que a senadora só se misturou no meio dos cabos eleitorais espalhados no salão, porque teria sido estimulada por algum dos organizadores do ato. Já há até a suspeita de que Robson Viana seria "um agente infiltrado" do governador Jackson Barreto na campanha de Valadares Filho.

O fato é que a campanha do PSB parou de crescer a partir do momento que o eleitorado passou a ter a percepção de que todo mundo de João apoia a candidatura.

------------------------------------------------------------

Os tuítes do senador

Depois de 'comuna azedo de raiva' em referência ao candidato Edvaldo Nogueira, o senador Valadares, pai do candidato Valadares Filho, segue atacando pelo twitter, rede social de sua preferência. Agora o próprio senador retransmite suas postagens em grupos de whatsapp e pelo Facebook.

Veja as últimas mensagens do senador em seu perfil no Twitter, retransmitas em outras redes sociais:

O Senador da gente ?@ValadaresPSB 

"Eleitores bravos da campanha de @Valadares_Filho, continuemos unidos com a mesma disposição. Venceremos a máquina de mentira de Edvaldo e JB"

O Senador da gente ?@ValadaresPSB

 

"Temporada de manipulação de pesquisas, pressão contra vereadores eleitos com oferta de dinheiro e ameaças a CCs e servidores terceirizados"

-----------------------------------------------------------

Emenda da Codevasf


A decisão da bancada sergipana em incluir uma emenda impositiva de R$ 100 milhões a favor da Codevasf surpreendeu alguns parlamentares. A Codevasf é um órgão do governo federal, controlado a nível nacional pelo senador Valadares, e local pelo deputado federal André Moura.

 

Esse tipo de emenda terá que ser liberada, mas a Codevasf pode utilizar os recursos em qualquer um dos Estados atendidos por ela e não apenas no Estado de Sergipe. Talvez seja porque nenhum município ou instituição sergipana precise de recursos tão volumosos.

-----------------------------------------------------------

Demissões em massa

Prefeitos municipais, inclusive os que conseguiram a reeleição, estão promovendo demissões em massa em seus municípios. É o caso do prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PR), que já exonerou mais de 500 ocupantes de CCs e contratados, com o argumento de que precisa ajustar as contas.

Em Canindé do São Francisco, sindicatos dos servidores entregaram à Câmara de Vereadores um pedido de afastamento do prefeito Heleno Silva, que não paga os salários há vários meses. Heleno conseguiu transformar Canindé num município que não respeita as leis. Por conta dos desmandos de sua gestão, não teve condições nem de disputar a reeleição.

----------------------------------------------------------

Pesquisas animam

Passada a votação do primeiro turno, quando ficou à frente com pouco mais de mil votos, partidários de Edvaldo Nogueira reconheceram um clima estranho no início do segundo turno, como se a derrota já estivesse consumada. A reestruturação do programa no horário gratuito e a participação do governador Jackson Barreto nas mobilizações de rua deram novo ânimo ao candidato, culminando com as pesquisas divulgadas na última quinta-feira, 20, registrando empate técnico.

Nas duas pesquisas Valadares Filho mantém a dianteira, mas a vantagem que chegou a 20 pontos, segundo a primeira pesquisa do segundo turno divulgada pelo Dataform, caiu para situação de empate técnico. Na do Instituto Única, divulgada pela TV Atalaia, ele aparece com um índice de 40,2%, contra 39,2% de Edvaldo Nogueira. Esse resultado é o empate técnico mais óbvio, já a margem de erro é de 4% e o intervalo de confiança é de 95%.

Já no levantamento feito pelo Ibope, através da TV Sergipe, Valadares Filho ficou com 44% e Edvaldo 41%. Com a margem de erro de 4%, o resultado também é de empate.

No momento da divulgação das pesquisas, Edvaldo realizava uma grande reunião de campanha no Iate, mesmo local onde o PSB promoveu o ato com ACM Neto.