NORDESTE ENFRAQUECIDO, A SECA E A SUDENE MORTA

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Publicada em 23/10/2016 às 08:55:00

 

No domingo dia 
16, o Globo 
Rural, um dos melhores programas da Globo, exibiu um entristecedor cenário do nordeste castigado pela mais longa das estiagens. No sudoeste piauiense, especialmente na região da Gurgueia, onde se expandem as culturas da soja e do milho agricultores que vieram do sul ali se instalaram e se tornaram grandes produtores, amargam prejuízos, estão endividados e reduzindo as atividades. Paralelamente, foram focalizados pequenos agricultores de vários pontos do nordeste, que se tornam ainda mais pobres com a perda dos seus reduzidos rebanhos. O quadro é desolador. Mas o programa mostrou também áreas bem verdes e produzindo muito, usando a água farta que sai do subsolo, que guarda um dos maiores aquíferos do mundo. Os agricultores contratam empresas privadas que fazem a perfuração, formam associações e dividem os custos. Um único poço cavado pelo governo, e que tem excepcional capacidade, está abandonado e jorrando água desperdiçada. É a imagem da desídia, da indiferença, do crime.
Diferente do Piauí, em Sergipe, desde Déda e agora com Jackson, o governo tem um programa de perfuração de poços, realizado por modernas perfuratrizes, sem nenhum custo para os pequenos produtores. Em Canindé, numa área em que existe o aquífero Tucano, a COHIDRO, onde José Carlos Felizola faz um excelente trabalho, já concluiu mais de 20 poços que estão produzindo água doce. Se o BANESE tivesse, além da ânsia pelo lucro, alguma iniciativa de fomento, ao lado desses poços já existiriam áreas produzindo massa verde para tornar possível a pecuária leiteira, a criação de caprinos e ovinos, atividades mais adequadas ao semiárido. Para esse projeto se poderia contar com o apoio da Secretaria da Inclusão, onde Marta Barreto já sinalizou positivamente.
Desde que o presidente Fernando Henrique decidiu acabar a então já enfraquecida SUDENE, e Lula ficou apenas na promessa de reativá-la, o nordeste se foi tornando ainda mais fraco, os governadores perderam o elo que os faziam relacionados e protagonistas de ações comuns.
A agência de desenvolvimento criada por Juscelino Kubitscheck por inspiração de gente lúcida como Celso Furtado, Rômulo Almeida, foi modelo de eficiência e sucesso, apontado pela ONU como a melhor formuladora de políticas de desenvolvimento econômico e social, que deveriam ser replicadas nas áreas pobres do planeta.
Da SUDENE restam apenas, no Recife, as ruinas do que foi o futurista edifício na Avenida Caxangá. A SUDENE fez nascer um novo nordeste, era um fórum de debates, um centro de decisão, um órgão aglutinador da força política dos nove estados, e que faz muita falta a um nordeste ainda não conseguindo conviver com o recorrente episódio climático, as secas periódicas que agora não produzem mais o cenário calamitosos dos retirantes, dos paus de arara, transportando levas de miseráveis das regiões mais secas para o sul do país, para as cidades onde se transformavam em pedintes, em trabalhadores quase escravizados, ou cedendo às tentações da marginalidade.
A SUDENE, com a política de incentivos fez nascer, no nordeste, alguns polos importantes de desenvolvimento, mas agora a estiagem alongada ameaça cidades como Campina Grande, com mais de 400 mil habitantes e que começa a perder indústrias, e o colapso aproxima-se, caso as chuvas não venham até o final do ano.
Com o fim da SUDENE deixou-se de pensar em políticas abrangentes para todo o nordeste e assim, com os nove estados tratando cada um de si mesmo, a região continuará capitulando diante dos seus desafios.


Luiz eduardo costa

 

NORDESTE ENFRAQUECIDO, A SECA E A SUDENE MORTA.

No domingo dia 16, o Globo Rural, um dos melhores programas da Globo, exibiu um entristecedor cenário do nordeste castigado pela mais longa das estiagens. No sudoeste piauiense, especialmente na região da Gurgueia, onde se expandem as culturas da soja e do milho agricultores que vieram do sul ali se instalaram e se tornaram grandes produtores, amargam prejuízos, estão endividados e reduzindo as atividades. Paralelamente, foram focalizados pequenos agricultores de vários pontos do nordeste, que se tornam ainda mais pobres com a perda dos seus reduzidos rebanhos. O quadro é desolador. Mas o programa mostrou também áreas bem verdes e produzindo muito, usando a água farta que sai do subsolo, que guarda um dos maiores aquíferos do mundo. Os agricultores contratam empresas privadas que fazem a perfuração, formam associações e dividem os custos. Um único poço cavado pelo governo, e que tem excepcional capacidade, está abandonado e jorrando água desperdiçada. É a imagem da desídia, da indiferença, do crime.

Diferente do Piauí, em Sergipe, desde Déda e agora com Jackson, o governo tem um programa de perfuração de poços, realizado por modernas perfuratrizes, sem nenhum custo para os pequenos produtores. Em Canindé, numa área em que existe o aquífero Tucano, a COHIDRO, onde José Carlos Felizola faz um excelente trabalho, já concluiu mais de 20 poços que estão produzindo água doce. Se o BANESE tivesse, além da ânsia pelo lucro, alguma iniciativa de fomento, ao lado desses poços já existiriam áreas produzindo massa verde para tornar possível a pecuária leiteira, a criação de caprinos e ovinos, atividades mais adequadas ao semiárido. Para esse projeto se poderia contar com o apoio da Secretaria da Inclusão, onde Marta Barreto já sinalizou positivamente.

Desde que o presidente Fernando Henrique decidiu acabar a então já enfraquecida SUDENE, e Lula ficou apenas na promessa de reativá-la, o nordeste se foi tornando ainda mais fraco, os governadores perderam o elo que os faziam relacionados e protagonistas de ações comuns.

A agência de desenvolvimento criada por Juscelino Kubitscheck por inspiração de gente lúcida como Celso Furtado, Rômulo Almeida, foi modelo de eficiência e sucesso, apontado pela ONU como a melhor formuladora de políticas de desenvolvimento econômico e social, que deveriam ser replicadas nas áreas pobres do planeta.

Da SUDENE restam apenas, no Recife, as ruinas do que foi o futurista edifício na Avenida Caxangá. A SUDENE fez nascer um novo nordeste, era um fórum de debates, um centro de decisão, um órgão aglutinador da força política dos nove estados, e que faz muita falta a um nordeste ainda não conseguindo conviver com o recorrente episódio climático, as secas periódicas que agora não produzem mais o cenário calamitosos dos retirantes, dos paus de arara, transportando levas de miseráveis das regiões mais secas para o sul do país, para as cidades onde se transformavam em pedintes, em trabalhadores quase escravizados, ou cedendo às tentações da marginalidade.

A SUDENE, com a política de incentivos fez nascer, no nordeste, alguns polos importantes de desenvolvimento, mas agora a estiagem alongada ameaça cidades como Campina Grande, com mais de 400 mil habitantes e que começa a perder indústrias, e o colapso aproxima-se, caso as chuvas não venham até o final do ano.

Com o fim da SUDENE deixou-se de pensar em políticas abrangentes para todo o nordeste e assim, com os nove estados tratando cada um de si mesmo, a região continuará capitulando diante dos seus desafios.

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DO RITZ PARISIENSE À CARCERAGEM DA PF

Acostumado a frequentar o Ritz parisiense, o Wald orf Astória nova-iorquino, o hoje presidiário Eduardo Cunha recebeu na sua cela a mulher dispendiosa, Cláudia Cruz. Para o casal hedonista, os compristas inveterados, gastar 300 mil dólares em cada viagem à Europa, aos Estados Unidos, aos Emirados Árabes, era coisa comum, corriqueira.

A ex-apresentadora global que fez festa no Copacabana Palace onde gastou mais de meio milhão de reais, pagos em espécie, viu-se, de repente, num cubículo 3x3 onde apertavam-se uma cama, uma latrina, torneira e chuveiro com água fria. Deve ter pedido ao marido: Pelo amor de Deus faça logo essa delação, livre-se e livre a mim! Já imaginou as nossas vidas anos a fio em locais como esses, repugnantes, sem nenhum charme. O que será dos meus cabelos, das minhas unhas, da minha pele?

Treme a República, balançam os Palácios, periclitam os poderes e os poderosos. Quem em Brasília não está (sem trocadilhos) a temer?

Cunha não se limita ao que está sendo objeto da lava jato. Ele comanda vasta quadrilha, com uns 150 deputados federais e, pelo menos, cinco senadores. Seus tentáculos não se circunscrevem ao Congresso. A coisa vai muito além do tamanho imaginado pelos investigadores.

Suspeita-se que o mafioso Eduardo Consentino Cunha, que possui também nacionalidade italiana, tenha envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Seu papel seria o de amaciar autoridades.

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ORGULHEMO-NOS MAIS UMA VEZ SERGIPANOS

O deputado André Moura, primeiro sergipano a ser réu na Lava Jato, com direito a foro privilegiado, escapa do Juiz Sérgio Moro e será julgado pelo Supremo Tribunal Federal, onde não será o primeiro.

O deputado deve ser agora, também, o único sergipano que apareceu numa foto de primeira página no sisudo jornal de negócios, Financial Times. Ele é visto ao ombro do agora presidiário Eduardo Cunha, naquela atitude de ansioso papagaio de pirata, comemorando, com o amigo do peito, padrinho e sócio nas empreitadas, a vitória na eleição para a presidência da Câmara.

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QUE FALTA FAZ MACHADO NA BANCADA SERGIPANA

Reuniram-se, em Brasília, deputados e senadores de Sergipe para tratar das emendas, aquele dinheiro que destinam para o estado, municípios e instituições. No tempo em que o ex-deputado Machado era o coordenador da bancada, as coisas corriam tranquilamente, havia sensatez, e o interesse público ficava em primeiro lugar. O senador Valadares substituiu Machado na coordenação, e tudo corria muito bem até que o senador, nos últimos meses, passou por um estranho processo de sectarização eleitoreira. Discutia-se sobre emendas de bancada para o Hospital do Câncer, a UFS, a Prefeitura de Aracaju e a Codevasf, entre outros. Valadares insistia em privilegiar a Codevasf, e isso gerou um sério atrito com o deputado Jony Marcos, e críticas fortes do deputado Mitidieri. O deputado Jony foi impedido de mudar o voto inicial para garantir verbas para a UFS e o Hospital. Depois que a reunião terminou chegou o deputado André Moura, e na Ata elaborada houve uma mudança de votos, o Hospital do Câncer ficou de fora, e também a UFS, para decepção do reitor Angelo Antonioni, depois de pedir encarecidamente que Valadares assegurasse recursos para a UFS. Dessa verba dependia a manutenção do Campus do Sertão em Glória. O senador e os que por ele foram convencidos preferiram destinar 100 milhões para a Codevasf. Naquela empresa Valadares colocou na presidência a sua chefe de gabinete no Senado e nomeou o irmão da sua mulher para ficar junto da presidente, além de outros parentes e cabos eleitorais.

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UM TEXTO QUE REPRODUZIMOS

Do ex-deputado federal João Fontes, reproduzimos trechos do texto que ele postou nas redes sociais: "Amigos, quem avisa amigo é", como bem diz o ditado popular. Ano passado quando da visita do deputado Eduardo Cunha ao estado de Sergipe para cabalar votos, preveni aos políticos de Sergipe que tivessem muito cuidado ao recebê-lo, pois corriam sérios riscos de serem presos junto com o complicadíssimo rapaz!

Outro ditado popular diz: "Digas com que andas que eu direi quem tu és".

Escolher Eduardo Cunha para ser companheiro de andanças pelo Congresso Nacional e pelo Brasil pode trazer sérias implicações aos nossos representantes em Brasília, afinal, não torcemos para ver amigos trocarem domicílios pela Papuda ou Curitiba.

Alerta outro ditado popular: "Quem com porcos se mistura, farelo come".

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UM COMUNA AZEDO E O SOCIALISTA AMARGO

O senador Valadares, político que nunca foi agressivo, muito menos grosseiro ou deselegante, vem perdendo, infelizmente, aquelas características de cordialidade que o diferenciavam. No calor dessa acirrada campanha, quando o quadro de favoritismo que desenhou para o seu filho começa a desfazer-se, o senador tornou-se amargo e intolerante. Depois de chamar de "covarde e traidor" um amigo e aliado, Belivaldo Chagas, com o qual esteve lado a lado durante mais de 30 anos, Valadares investiu agora contra Edvaldo Nogueira, adversário do seu filho, chamando-o de "Comuna azedo de raiva". Além do destempero, Valadares demonstrou preconceito e desconhecimento lamentável das ideias políticas, e do que essas ideias representaram ao longo da História. Logo ele, que agora se intitula socialista!

O preconceito e a intolerância só cabem nas pessoas que não se libertam do sentimento frustrante de amargura e rancor.

Se em 1964 o senador Valadares se intitulasse socialista, iria parar na cadeia. Naquele tempo, um time de futebol, o Socialista, teve compulsoriamente de mudar de nome, tornando-se então Maruinense. O jornal Gazeta Socialista, antes já trocara de nome para Gazeta de Sergipe, mas, mesmo assim, o raivoso major Raul, quase concretiza a ameaça de jogar "na maré" as suas subversivas máquinas de escrever e imprimir.

Felizmente, o senador Valadares tornou-se socialista em tempos mais amenos. Soube, precavidamente, esperar o momento propício para fazer a nova opção, que o ajudou a refazer-se politicamente.

"Comuna", nos tempos em que mais se acirrava o embate ideológico, era a maneira pejorativa como extremados, raivosos, denominavam a todos os que não pensavam como eles. Depois da queda do Muro de Berlim esse conflito perdeu sentido, tornou-se fora de moda. O clima de guerra fria só é revivido por oportunismo, ignorância ou descompasso com o passar do tempo. A palavra comuna, para quem conhece um pouco a História, traduz um objetivo que enobrece a raça humana.

Na Idade Média foram surgindo as comunas, juntando trabalhadores, camponeses, ou urbanos, e essas novas associações, em alguns casos, aliaram-se aos senhores da terra, em outros, romperam as amarras do feudalismo e criaram as cidades livres na costa báltica da Alemanha, transformadas em grandes centros de comércio. Os formuladores dos modelos de sociedades perfeitas, como Thomas Morus, Robert Owen, Tomaso Campanela, em seu livro póstumo A Cidade do Sol, Fourrier, e seus falanstérios, Saint-Simon e a ideia de produzir mais com menor esforço e liberdade, todos eles, alimentaram os sonhos tendo como base a estrutura solidária das comunas.

A Comuna de Paris em 1871 foi a primeira experiência moderna de cogestão e avanços sociais, alguns ousadíssimos e rejeitados, outros, agora vigentes nas sociedades modernas, a exemplo das sociais-democracias europeias. Disse o escritor Rougerie: "Coma Comuna a Utopia passou a existir na prática".

Mas a Utopia durou apenas 72 dias.

O mesmo aconteceu na Espanha, durante a matança da Guerra Civil, quando as comunas andaluzes e de tantas outras regiões, faziam experiências incríveis, entre elas a abolição do dinheiro.

Socialista, o senador Valadares já olhou com simpatia os movimentos sociais, as transformações ocorridas ao longo da História, para as quais a participação dos socialistas foi importante. Pode ser que agora, cercado pelas novas companhias, ele esteja pensando transferir-se para uma nova sigla, que faz parte da base de apoio ao seu filho candidato. Lá, no meio da sua turma hoje preferida, ele talvez se adaptasse melhor, trocando o Partido Socialista Brasileiro pelo PSC, onde estão o intolerante, truculento Bolsonaro, o pastor Feliciano, inventor da "cura gay", e, last but not least, o deputado André Moura. Agora, incorpora-se ao grupo de apoiadores do filho do senador, o energúmeno Silas Malafaia. A raiva que ele extravasa é contagiosa.

Talvez vivendo esses tempos de algum inconsciente constrangimento, o senador que foi cordial, se transfigura, mostra a face ríspida, pouco amistosa, e trata do embate político como se fosse uma guerra pessoal, que ele terá de vencer. Com muita raiva, se for preciso.

Será que o senador Valadares ainda não descobriu que a raiva é a prisão de ventre e hemorroida da alma?

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SILAS MALAFAIA CABO ELEITORAL EM ARACAJU

O candidato Valadares Filho não deve ter avaliado bem o impacto daquele tapa que deu na cara da inteligência sergipana, quando convidou o furibundo Silas Malafaia para gravar mensagem pedindo aos aracajuanos para votarem nele, no 40.

Malafaia é a própria negação de tudo o que é justo, sensato e correto na convivência democrática. Ele é intolerante, sectário, prega a violência, o ódio, dissemina preconceitos, defende a truculência. Além de tudo é um analfabeto político que ignora o que seja civilidade, a prática democrática do diálogo, que inclua necessariamente os contrários, o respeito mútuo, o sentimento de justiça social e cidadania.

Silas Malafaia, o novo cabo eleitoral de um candidato que diz representar a renovação e a mudança, ofende a todos os que acreditam numa sociedade harmoniosa, na prevalência do Direito e dos bons costumes, para que se evite um retorno à idade da pedra.

Para decepção da intelectualidade sergipana, da comunidade acadêmica, dos religiosos que repudiam a odiosidade, dos operadores do Direito, dos estudantes, dos trabalhadores, dos que acreditam na evolução social e na democracia, Valadares Filho juntou-se ao pior dos brucutus.

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EM DEFESA DA VAQUEJADA

Quando Jânio Quadros entre um porre e outro resolveu proibir a briga de galos e o biquíni, os galistas, que não eram poucos, argumentaram fracamente em defesa daquele coisa ridícula: dois bichos de penas e estraçalhando numa rinha rodeada de espectadores fazendo apostas e gritando como loucos. Já o biquíni, interditado, gerou bem humorados protestos, e provocações de ousadas mulheres, que foram desafiar a determinação moralisteira de um hipócrita demagogo, exibindo cada vez mais os corpos, numa progressão fascinante rumo a uma nudez inconclusa.

As mulheres resistiram, venceram, e o biquíni sumário tornou-se a marca da ousadia voluptuosa das brasileiras. Já os galistas, reprovados e mofinos, se conformaram em sobreviver como contraventores, escondendo seus combatentes e os levando a torneios frequentados por poucos aficionados, entre eles o publicitário Duda Mendonça.

Já a vaquejada é coisa bem mais ampla, é esporte ou lazer, arraigado e forte no nordeste, e em torno da qual gravita um mundo de negócios lucrativos e geradores de empregos.

Na Espanha quiseram proibir a tourada, uma tradição tão antiga quanto a própria velha Castela. O balé desafiador do esguio toureiro esquivando-se com a sua capa e espada da fúria do desassossegado miura, é a metáfora do sangue borbolejante do irredentismo espanhol.

A tourada, ou "a arte de Cuchares", denominação que homenageia um grande toureiro, existe há quase mil anos e em todo esse tempo sofreu proibições, sempre revogadas. Uma bula do papa Pio V proibiu a "corrida". O povo ficou descontente, os nobres que organizavam as fiestas, foram ao rei Filipe II pedir a sua intervenção, e ele perguntou-lhes: O que proibiu o Papa? Os nobres responderam: Proibiu a corrida dos touros. Então, disse Filipe, não contrariemos Sua Santidade, vamos por para correr as vacas.

O filósofo Ortega y Gasset disse que não se pode compreender a Espanha, sem que se tenha pleno conhecimento da história das touradas.

Ousamos então dizer: Não se pode compreender melhor a alma nordestina sem que se tenha um conhecimento da corrida de mourão, da pega de boi no mato, do mourejar da vaqueirama.

O nordeste se organiza em defesa da vaquejada. Por esses dias estarão muitos em Brasília pedindo aos senadores e deputados que regulamentem a vaquejada, que a tornem legal e garantida, desde que se exijam os cuidados indispensáveis com os animais.

Por aqui há também muita movimentação. O deputado Jairo de Glória, defendendo a vaquejada tem percorrido o sertão, se manifestado na Assembleia. A deputada Sílvia Fontes organizou um concorrido evento na Assembleia.

Não vamos nos conformar com o preconceito e a discriminação.