Preso que foi queimado no Copemcan morre no Huse.

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 25/10/2016 às 09:52:00

Gabriel Damásio

 

O detento Jailson Nunes dos Santos, que estava detido no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto, (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju), morreu na madrugada de ontem, após passar pouco mais de dois dias internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Ele não resistiu aos graves ferimentos que sofreu na manhã da última sexta-feira, quando foi enforcado e queimado vivo por um colega da cela onde estava, no Pavilhão 4 da unidade. Segundo os médicos do Huse, Jailson teve queimaduras profundas em mais de 80% do corpo e sofreu complicações decorrentes dos ferimentos, que o levaram à morte. O corpo foi recolhido ao Instituto Médico-Legal (IML) na manhã de ontem.

Com a morte da vítima, o caso passa a ser tratado como homicídio qualificado e oferece uma chance de punição maior ao principal acusado do crime, o detento Fernando Sérgio de Lima, que foi preso em flagrante após a descoberta da então tentativa de homicídio. Segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc), Sérgio assumiu a autoria do crime, mas não disse qual foi o motivo. No entanto, investiga-se a possibilidade de participação de outros presos. Sabe-se, no entanto, que os dois presos teriam se envolvido em uma briga. O caso é apurado pela 12ª Delegacia Metropolitana (12ª DM), em São Cristóvão, e pela Corregedoria da Sejuc, que abriu um procedimento administrativo.

O Copemcan é considerado o maior presídio de Sergipe e enfrenta muitos problemas, sendo a superlotação o principal deles. Mais de 2.500 detentos se apinham em cinco pavilhões com capacidade total de 800 presos. Em julho de 2015, o juiz Hélio Mesquita Neto, da Vara de Execuções Penais de Sergipe, decretou a interdição parcial do complexo, proibindo-o de receber novos detentos. A decisão chegou a ser derrubada no mês seguinte pelo presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), desembargador Luiz Mendonça. No entanto, a proibição voltou a vigorar em agosto deste ano, quando o ministro Humberto Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou uma ação impetrada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) para suspender definitivamente a decisão administrativa da primeira instância.