Mais do que um ponto de vista

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Publicada em 15/08/2012 às 17:20:00

De acordo com os mensageiros do Governo Federal a educação brasileira finalmente alcançou a média e obteve pontuação necessária para passar de ano. Segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), as previsões mais otimistas não chegariam a tanto. Em uma escala de 0 a 10, a nota atribuída aos anos iniciais do ensino fundamental brasileiro chegou a 5. O resultado supera a meta estabelecida para 2011, 4,6 pontos. Também é 0,4 ponto superior ao verificado em 2009.

Apesar da euforia, é preciso observar os números com mais cuidado. Pelos dados apresentados, as notas de mais de 37% das cidades brasileiras nos anos finais do Ensino Fundamental, por exemplo, ficaram abaixo da meta estipulada pelo Ministério da Educação para 2011. Não seria tão mau se a tal meta não fosse pífia: em média, o MEC esperava que as redes públicas, ao final da 8ª série, fossem capazes de atingir nota 3,7. Mesmo assim, muitas não conseguiram. Em oito estados, Sergipe entre eles, menos de 50% dos municípios atingiram a meta. Em Roraima, um recorde macabro: nenhum dos 17 municípios foi capaz de chegar aos 3,7. A nota do estado como um todo - 3,6 - foi inferior à nota que havia sido registrada pelo Ideb em 2009 - quadro que se repetiu no Amapá, em Alagoas e no Mato Grosso do Sul.

O Ideb é calculado a partir da taxa de aprovação e do desempenho dos alunos na Prova Brasil, avaliação aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) a cada dois anos. Com base nessas informações, são atribuídas notas para cada escola pública do país, assim como para as redes de ensino e para os municípios e os estados. Cada escola, prefeitura e governo estadual tem uma meta que deve ser atingida de dois em dois anos.

É evidente que o governo vai tentar vender os dados auferidos pelo Ideb como uma vitória de suas políticas públicas. Ocorre que reduzir uma questão tão séria a um simples ponto de vista é mais do que manipular a verdade.