Descoberta de túnel provoca motim em Tobias

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Publicada em 26/10/2016 às 09:05:00

Gabriel Damásio

 

A descoberta de um plano de fuga em massa provocou ontem um motim de presos no Presídio Regional Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto (Centro-Sul). Durante cerca de seis horas, cerca de 120 detentos promoveram um quebra-quebra dentro do Pavilhão 5 da unidade, arrancando grades das celas e colocando fogo em colchões. A confusão começou por volta das 8h, perto do início do horário de visitas, e foi controlada às 13h por agentes penitenciários do próprio Premabas e do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe). Em seguida, soldados do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM) entraram para fazer a revista das celas. Não houve reféns e nem feridos entre os presos ou entre os agentes.

Segundo a assessoria da Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc), houve a transferência de 20 detentos do Premabas para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju), considerado de segurança máxima. Desses, 14 foram apontados como os líderes do motim e os outros seis foram responsabilizados pela escavação de um túnel de aproximadamente 10 metros de extensão. O buraco começa em um pátio do dentro do Pavilhão 5 e sua saída estava prestes a ser aberta no lado de fora do presídio, em um descampado na área dos fundos.

A secretaria suspeita que pelo menos 100 presos do Premabaspoderiam fugir de lá, se o túnel não fosse descoberto a tempo. Isso aconteceu na noite desta segunda-feira, quando integrantes do serviço de inteligência do Desipe investigaram e confirmaram informações sobre o planejamento de uma fuga em massa dos presos do Pavilhão 5. Os agentes que faziam rondas no presídio fizeram uma ronda e encontraram o buraco, que foi isolado e começou a ser fechado na tarde de ontem, logo após o motim dos presos. A investigação que se seguiu apurou que o local do túnel era coberto com alguns sacos de areia camuflados com terra e foi escavado pelos presos com o uso de pedras, chuços e pedaços de ferro, posteriormente apreendidos dentro do Pavilhão durante a revista da PM.

Apurou-se ainda que o plano de fuga foi criado e organizado pelos seis primeiros detentos transferidos ontem para o Compajaf, ainda na manhã de ontem. A notícia da transferência dos colegas teria atiçado a revolta dos presos, que passaram a arrebentar os cadeados das grades e a sair de suas celas, iniciando o quebra-quebra e a queima dos colchões. O fogo foi controlado pelos próprios presos do pavilhão, os quais ainda tentaram, sem sucesso, envolver os presos dos outros quatro pavilhões no levante. No entanto, não houve novas adesões e os familiares autorizados a fazer a visita na manhã de ontem ficaram isolados nos pavilhões2 e 3, de onde saíram após a entrada da polícia no presídio. De acordo com a Sejuc, agentes que cumpriam hora-extra de serviço no Premabas ajudaram os agentes lotados no local a negociar diretamente com os presidiários, conseguindo que eles se rendessem.

Após a revista nas celas e a contagem dos presos, decidiu-se pela transferência dos 14 presos que comandaram o motim, a fim de “quebrar” a influência dos líderes dentro do presídio. A repartição informou que os 20 detentos levados ao Compajaf são considerados de alta periculosidade e têm risco de cometer outros crimes. Eles ficarão isolados em um regime disciplinar diferenciado, sem contato com outros detentos ou com o mundo exterior. Um procedimento administrativo foi aberto pela Sejuc para apurar as circunstâncias do incidente de ontem. Em menos de um mês, esta foi a segunda tentativa de fuga frustrada pelos agentes penitenciários dentro do Premabas, que tem atualmente 477 presos em cinco pavilhões, quando tem capacidade para 350.