Desespero leva servidora da Saúde a se acorrentar na porta da secretaria

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Publicada em 26/10/2016 às 09:41:00

Milton Alves Júnior

 

À beira do desespero, servidores da Secretaria Municipal de Saúde promoveram ontem mais uma série de atos públicos com o propósito de reivindicar o recebimento de salários, parcela do décimo terceiro, férias e horas extras. Sem dinheiro, os profissionais da saúde bloquearam a entrada principal da SMS, e, sem suportar a situação, alguns chegaram ao ponto de elaborar atitudes ainda mais irreparáveis.

Com as contas atrasadas e sendo obrigada a cozinhar na lenha por não ter dinheiro para adquirir um gás de cozinha, a agente de combate a endemias, Ivânia Alves dos Santos, pensou em tirar a própria vida pulando do último andar da Secretaria de Saúde. Após ser acolhida por colegas de trabalho, amigos e familiares, ela desistiu do plano e optou por se acorrentar junto ao portão de entrada do órgão. Ela, assim como os demais trabalhadores, espera que os gestores municipais possam se comover com a situação e busquem respeitar todos os direitos do servidor público.

"São dois meses sem receber e já não tenho dinheiro nem para alimentar meus filhos. Essa semana o jeito foi mandar um filho que queria café para a casa da avó porque não tenho mais dinheiro para comprar comida. Já pensei em tirar minha vida porque não consigo suportar essa situação. Nós da saúde somos tratados como ninguém", lamentou. Ainda segundo Ivânia, é preciso que o poder judiciário possa intervir a favor dos profissionais em greve. Ela acredita que apenas com o apoio do Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, e do Ministério Público Estadual poderá regularizar os pagamentos.

"Confio primeiramente em Deus, e depois nos juízes e promotores. A prefeitura está abandonada. Os nossos salários estão atrasados, parcelados, e até o momento ninguém sabe mesmo quando iremos receber. Os secretários prometem um dia e quando chega na data o dinheiro não sai. São capazes até de pedir desculpas. Estamos sofrendo e desculpas não adiantam nada neste momento. Estamos perdendo as nossas forças para sobreviver", pontuou.

Na manhã de ontem, após audiência pública na sede do MPE a Prefeitura de Aracaju prometeu quitar os débitos até a próxima sexta-feira, 28.Conforme prometido pela Secretaria Municipal de Finanças, esta data refere-se ao pagamento dos débitos oriundos dos meses de agosto e setembro. Para o salário e demais benefícios atrelados ao mês de outubro não existe prazo para serem quitados. A PMA se comprometeu a apresentar uma data de pagamento na sexta-feira da semana que vem, dia 05 de novembro. Com esta afirmativa os sindicatos já começam a se mobilizar para continuar com o movimento grevista, uma vez que os trabalhadores optaram por paralisar todas as vezes que os salários não fossem pagos dentro de cada mês vigente.

Na avaliação do agente Luis Carlos dos Santos, o erro nos debates envolvendo servidores públicos, gestores e MPE já começou com a impossibilidade de a imprensa participar, como é de costume, do encontro realizado no dia de ontem. Por mais de três horas os participantes dialogaram sobre o caos instalado no Sistema Único de Saúde (SUS) de Aracaju, e se mostraram preocupados com o final da atual administração municipal. O medo das 11 categorias participantes da audiência é que João Alves e secretários deixem a dívida referente aos meses de novembro e dezembro para o novo prefeito.

"Precisamos de transparência e da imprensa ao nosso lado. O que nos deixa preocupado é que a prefeitura está no sentido do retrocesso e o Governo de Sergipe não é muito diferente. Tenho vários amigos atuantes no estado que também sofrem com o descaso. Esse debate inclusive deveria ser ampliado para os servidores que sofrem com João e Jackson Barreto", avaliou. Atualmente, mais de dois mil profissionais encontram-se em greve; cerca de quatro mil pacientes deixam de ser atendidos diariamente.

Sobre a probabilidade de herança de débitos, em contraponto a Secretaria de Comunicação, por meio do jornalista Carlos Batalha, informou que as dificuldades são reais, mas que todos os esforços estão sendo adotados para regularizar os pagamentos em curto prazo. Gestores das secretarias de finanças e planejamento estão trabalhando em parceria a fim de atender aos pleitos dos servidores.