NA CAMPANHA DE ARACAJU A MINIATURA DE DONALD TRUMP

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Publicada em 30/10/2016 às 00:49:00

luiz eduardo costa

 

NA CAMPANHA DE ARACAJU A MINIATURA DE DONALD TRUMP

 

A disputa eleitoral em Aracaju ficará marcada pela troca de acusações. Os problemas da nossa capital ficaram de fora.

De certa forma, guardadas as devidas proporções, a renovação proposta por Valadares Filho foi algo que muito se assemelha à “renovação” prometida pelo desembestado candidato Donald Trump.

A parte doentia ou fanática do eleitorado americano aderiu a ele.

Em Aracaju, não há nenhuma parte doentia do eleitorado. A capital sergipana sempre se destacou pela independência e politização dos seus eleitores. Não corre o risco de deixar-se levar por modelos fabricados em dispendiosos laboratórios de marketing eleitoral.

A marquetagem do candidato Edvaldo derrapou, quando acusou o candidato Valadarezinho de ter crescido indevidamente o patrimônio pessoal, desde que se tornou deputado.

O revide veio pesado e grosseiro. A campanha mergulhou num terreno movediço, onde a elegância ficou ausente.

Em princípio, é preciso reconhecer que nem Valadarezinho, nem Valadares pai são ladrões.

Edvaldo, vindo de família pobre de Pão de Açúcar e, aqui, tendo feito estudos e a carreira política, sem depender de papai, teve a grande oportunidade para roubar, se fosse desprovido de escrúpulos, quando, por cinco anos, foi Prefeito de Aracaju. Não roubou, não houve escândalos na sua administração.

Jackson, que não é candidato e também não será em 2018, apesar disso, é alvo de ataques de quem, faz menos de seis meses, era aliado, ocupava os principais cargos do governo e esperou apoio do governador até a última hora.

Jackson também não é ladrão. Filho de bodegueiro e professora, não teve pai poderoso para fazê-lo bem sucedido na carreira política, que já se faz longa. Sergipe, como tanto repete Albano Franco, “é muito pequeno e aqui todos se conhecem”. Sabe-se quase tudo sobre a trajetória e o comportamento dos nossos homens públicos.

Partindo da premissa de que nenhum dos dois candidatos é ladrão, torna-se desprezível qualquer investida marqueteira tentando sugerir algemas para os seus pulsos.

Sabe-se de Edvaldo, ex-prefeito, que ele não roubou e não deixou que roubassem.

Valadares Filho, ele próprio, certamente também, se for eleito, não irá roubar, todavia, pelos compromissos assumidos com gente tão conhecida e com prontuário bem visível, poderá ser induzido a ter a mesma permissividade revelada no decorrer dessa conturbada disputa política.

Assim, existem preocupações de outra ordem.

Valadarezinho não conduziu a sua campanha como se esperaria de alguém que, pertencendo ao Partido Socialista Brasileiro, teria algum legado de civilidade política e de convicções democráticas a preservar. Sua campanha chafurdou no lodo do radicalismo, da intolerância e, sobretudo, naquela falsidade de assumir posições que nunca teve, de negar o passado bem recente ao lado de Lula, Dilma, do PT e ocupando, ele, o pai e seus amigos, posições importantes na República Petista, que agora, por oportunismo, renegam. Valadarizinho tornou-se porta-voz de tudo o que é intolerância. O capítulo final da campanha, com a participação virulenta e indecente de um fóssil político chamado Silas Malafaia, foi a adesão deles, os “socialistas”, tudo o que há de mais retrógrado, feio e indigno no cenário marginal da política brasileira. Censuraram o humor, a criatividade artística, proibiram o riso e espalharam a raiva. Refugiaram-se no discurso repugnante do rancoroso Malafaia. Se Valadarizinho não teve nojo de Malafaia e o fez aliado, é possível também, que não saiba manter a asséptica distância de gente tão conhecida que agora o cerca e sustenta sua candidatura, gente reincidente em meter as mãos nos cofres públicos. Essa gente, embora respondendo a processos, já planeja “licitações” para o lixo, para obras em geral, para alimentar uma rede de comunicação, ou fazer mais festas. Há o risco real de ver-se instalada na Prefeitura de Aracaju aquela mesma turma que andou ludibriando bancos, escondendo frotas de caminhões e participou das trambicagens do hoje presidiário, Eduardo Cunha.

Nisso reside a grande diferença entre um e outro candidato.

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RENAN, O “JUIZECO” E OS PODERES DA REPÚBLICA

Formou-se o que de pior poderia acontecer às nossas, até agora, aparentemente sólidas instituições republicanas. Instalou-se o imbróglio entre poder e se já se chegava a prever que acabariam, os três, engalfinhando-se num duelo insensato.

Claro, o presidente do Senado não poderia deixar de sair em defesa do poder que representa, mas foi desastrosamente infeliz ao chamar de “juizeco”, o magistrado que autorizou a invasão do Senado.

Ai vem o STF, através da decisão sábia do ministro Teori Zavascki, e suspende a operação policial autorizada pelo Juiz chamado de “Juizeco”. Parece que o Supremo reconheceu, assim, que o Juiz não poderia ter autorizado a invasão policial a um poder da República. Tal medida seria de competência exclusiva do STF, que foi ignorada pelo Juiz de primeiro grau.

Vieram os bombeiros e apagaram o fogo já ameaçando derreter o preceito constitucional sobre a independência e harmonia entre os poderes.

Se dependesse do Ministro da Justiça, que tresanda fascismo e parece não ter nenhuma devoção pelo Estado Democrático de Direito, a complicação teria sido bem maior.  Entrou em cena o presidente Temer. Com habilidade abafou a crise e conseguiu juntar em torno de uma mesa, ele, a presidente do STF, tão indignada com o depreciativo e inoportuno “juizeco”, e ao seu lado, o criador do neologismo infeliz, mas que não foi infeliz ao defender o poder que representa.

Há no Senado uma parcela do lixo político tornando os brasileiros indignados com a política. Por isso, agentes federais entrando Senado adentro sem pedir licença, representa, para muitos, a melhor forma de sanear a detestada lixeira.

Mas o lixo lá foi colocado pelo voto do povo e isso legitima e deve fazer respeitado o poder.

A instituição Senado Federal é permanente, o lixo, que eventualmente lá se encontra, é passageiro. O eleitor é convocado a ser o lixeiro da República.

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O PROCURADOR QUE QUASE REINVENTA A ARITIMÉTICA

O procurador Sérgio Monte Alegre é aquele que desafiou a exatidão da ciência dos números e subverteu a aritmética. Ele já é fruto de uma outra subversão, que permitiu a não concursados ocuparem cargos de provimento efetivo e vitalício. Sérgio é um procurador inconcursado. É competente? Sem dúvidas. Conhece o Direito? Tanto, que se houvesse participado de qualquer concurso, seria aprovado. O procurador, vez por outra, revela, além de conhecimentos, também algumas idiossincrasias, ou esquisitices, das quais, a mais famosa, foi o vasto parecer no qual, doutamente, sentenciava que uma pessoa só completa 70 anos depois de doze meses, quando chega aos 71. Com isso, ele pretendia espichar o prazo limite para a aposentadoria compulsória, então fixada em 70 anos. Tornou-se motivo de chacota no mundo jurídico.

A afronta aos números que arrepiaria, desde um Pitágoras, a quem apenas sabe somar, se junta o desprezo diante da exigência de isenção política no cargo que abiscoitou e ocupa. Até os 75, ou ao apagar a septuagésima sexta velinha.

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A MEMÓRIA DE SERGIPANOS QUE DEVEM SER LEMBRADOS

Felizmente, já incorporado aos nossos salutares costumes, está aquele de honrar a memória de sergipanos, cujas vidas foram exemplares. Agora são comemorados dois centenários: o de Manoel Cabral Machado e o do empresário José Arivaldo Prudente, Zeca Prudente. O professor, deputado, conselheiro, vice-governador Cabral Machado dedicou sua vida ao exercício de cargos públicos e isso correspondia à prática ininterrupta das suas convicções baseadas na crença no Direito, na democracia, no progresso e na força construtiva da fé cristã. Juntaram-se nas homenagens a Cabral, o Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa. No TC, o presidente Clóvis Barbosa promoveu eventos, publicou livros. Na Assembleia, foi lembrada a figura do parlamentar combativo. Naquela ocasião, tão valorizada pelo presidente Luciano Bispo, o filho do homenageado, professor Odilon Cabral, êmulo, (ou seria clone?) do pai, em cultura e eloquência, falou, fez referências e rememorou episódios, entre eles, o golpe civil militar de 64. Odilon fez justiça ao pai, acentuando o papel conciliador que ele desempenhou como Secretário da Educação, um dos mais próximos auxiliares do governador Celso Carvalho, que, num período de grandes turbulências político-militares, evitou radicalismos.

Já a família de Zeca Prudente faz a ele a singela homenagem do afeto que se junta à saudade. Prudente morreu nonagenário. Sua vida foi exemplo de correção na atividade empresarial, de presença solidária e construtiva na sociedade e de leal dedicação aos amigos. Quando aconteceu o Crime da Rua de Campos, Zeca teve a coragem de discordar da voz popular e do ódio pré-fabricado do julgamento prévio. Entre os réus, o coronel Afonso Ferreira, que era seu amigo, e ele acreditavam na sua inocência. Isso lhe causou dissabores, inclusive, com reflexo na sua atividade comercial.

Os filhos de Zeca, que dele tanto se orgulham, mandam celebrar neste domingo uma missa às 19:30 horas, na Igreja de São Pedro e São Paulo, na 13 de Julho. Casado com Lúcia, amor de toda a sua vida, tiveram os filhos: Joseluci, coronel R/1 do Exército, Conceição, médica cardiologista, Jorge, empresário, Ilza, médica ginecologista, Tereza, pedagoga, e Ana, médica anestesiologista.

Zeca e Lúcia dedicaram-se a essa família e a fizeram exemplar.

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ROCHINHA AOS NOVENTA

Ele chega aos 90 neste 7 de novembro. Não é ainda longevo, isso para os padrões de vida saudável e corpo rijo que exibe, com o riso feliz e tímido da criança que nunca deixou de ser. O médico Jilvan Pinto, cidadão sapiente, irmão maçônico de José Francisco da Rocha, o lépido nonagenário, revela que os check-ups demonstram que o nonagenário, praticante assíduo da Ioga, pode ultrapassar com folga o centenário.

O jurista José Francisco da Rocha é muito mais do que um sábio e inspirador ancião-menino, é cidadão do qual se pode dizer, com justiça: é justo, aproxima-se da virtude, porque lapida todos os dias a sua própria consciência e cada vez mais se torna participante ativo e lúcido, movido pelo entendimento de que tudo o que é humano jamais lhe será indiferente. Rochinha é patrimônio valioso e valoroso da sua família, dos amigos, da instituição maçônica de Sergipe. Os filhos, netos, genros, noras fazem festa para recepcionar amigos e, com eles, compartilharem a felicidade de soprar tantas velinhas, assinalando o tempo de uma vida exemplar.

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A RODOVIA LAURO PORTO

Lauro de Britto Porto, o médico, o humanista, o professor, dá agora o seu nome a uma rodovia, ou longa e quase urbana avenida, que na imagem feita pela neta, Maria Amélia, simboliza uma das preocupações do seu avô: o desenvolvimento irradiando-se, equilibradamente, da cidade para o campo. O governador Jackson Barreto ao descerrar a placa com o desembargador Roberto Porto, filho do homenageado, disse que a nova via é a maior obra de mobilidade urbana já feita em Aracaju e Socorro. A Lauro Porto vai facilitar a chegada ao mercado de Aracaju dos produtos vindos principalmente do celeiro, que é Itabaiana. Jackson assegurou que toda aquela região vai mudar ainda mais com a implantação de um Centro de Abastecimento às margens da rodovia.

Foi inaugurada também uma extensa ciclovia que levou o nome de Dejenal Cruz, o Vovô do Pedal, desportista incentivador da prática do ciclismo, cidadão que espalhava alegria e solidariedade, que morreu atropelado enquanto pedalava. Entre a multidão dos que foram ver a Lauro Porto e a ciclovia Vovô do Pedal, estavam os Zuandeiros, ciclistas que Vovô liderava. Entre eles, estava um filho do homenageado, o militar e Zuandeiro Alisson, que falou em nome da família.

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SARACURA “CANTA” NA ACADEMIA

Antônio Francisco de Jesus, que prefere ser chamado de Saracura, talvez, por acompanhar fascinado, pelos ermos de Itabaiana, o andar do pernalta esquivo e cantador, nas matas margeando rios e lagoas. A saracura recebe também outros nomes, entre eles, um que é onomatopaico, ou seja, resulta da impressão auditiva dos sons do canto, associados a frases ou a palavras. Assim, a Saracura também é: três potes, três potes, três potes. Mas Antônio Francisco prefere mesmo ser Saracura. Assim, nessa segunda-feira 31, Saracura estará cantando na Academia Sergipana de Letras. Cantará na sua posse na Academia, tendo a saudá-lo o assim chamado recipiendário, que será o acadêmico e desembargador federal, Vladimir Carvalho, um itabaianense como Saracura, também autor de importante literatura regionalista.

Antônio Francisco de Jesus tem a consolidar o canto da Saracura uma vasta obra literária, onde se incluem romances e contos quase todos inspirados na terra e nas gentes do pé da serra.

Que bem e livremente cante então a saracura...

 

A CIFRA QUE ASSUSTA E A MORTE DE IGOR

Igor Faro Franco é mais um nome que se junta à cifra trágica e inadmissível de pessoas vítimas da violência, que nos assusta e nos deixa inconformados. Igor era um jovem que se formou jornalista, mas preferiu ser empresário. E vinha tendo sucesso. Na calçada do seu novo e bem sucedido empreendimento, Salomé Bar, ele caminhava tranquilo. Desceram de uma moto dois bandidos e o executaram. Igor era um cidadão sem manchas, admirado pelos amigos, adorado pela família. Agora é mais um nome entre milhares, que têm a vida tolhida pela estupidez assassina. Vivemos dias terríveis e é essencial que a eles não nos acostumemos. Menos de uma semana depois da morte de Igor, vem a revelação sombria de que Sergipe, deploravelmente, figura agora no triste primeiro lugar de estado com maior número relativo de mortes. A sociedade não pode acostumar-se a isso, muito menos, eximir-se das suas responsabilidades. Construir uma cultura de paz é tarefa de todos. Precisamos rever ou readequar as atividades policiais, as ações do judiciário, precisamos, enfim, de um mutirão para deter a morte e construir a vida.

Uma notícia animadora foi a reunião que fez, na sexta-feira, o presidente Temer, juntando em torno de uma mesa os três poderes que andavam se estranhando, para começar a elaborar uma agenda nacional de ações abrangentes, tanto especificamente repressivas, como educativas, ou civilizatórias, se preferem. Vivemos cercados por uma onda midiática que induz e também festeja a epidemia de violência.

O governo do estado já anuncia para a próxima semana, ações visando identificar erros ou obstáculos, que estariam travando a eficácia policial. O governador Jackson Barreto voltará a reunir-se com o Judiciário, o Ministério Público e o Legislativo, buscando os meios possíveis para ações em tempos de crise financeira. É possível que sejam anunciadas alterações na estrutura do governo.

Quando houve o assassinato do delegado de polícia, numa onda da comoção provocada, a sociedade manifestou-se, mas não bastam as palavras. O momento requer e impõe ações, decisão, participação, trabalho, exigências, cobranças.

A título de sugestão para análise, fica a constatação de que há visíveis diferenciações na capacidade operacional das polícias nos diversos municípios. Em alguns, com o mesmo número de policiais, com o mesmo equipamento, com os mesmos meios e, evidentemente, os mesmos salários, as coisas andam melhor, bandidos são com mais frequência presos, crimes elucidados. Sente-se melhor a presença da polícia. Agora, Canindé pode ser a demonstração de uma realidade também replicada em outros municípios. Ali, tanto a PM, como a Civil demonstram maior eficiência. No comando do batalhão, o tenente-coronel Rolemberg consegue superar a limitação dos meios disponíveis, na civil, o delegado Antônio Francisco, com as mesmas carências, cerca-se de uma equipe pequena, mas operacional, onde estão os agentes Gregório, Joab e outros. E há resultados visíveis.

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UMA DIFERENÇA NOTADA

O deputado federal Jony Marcos participou de um jantar com parlamentares onde estava o presidente Temer. Com ele foi o ex-deputado federal e agora prefeito de Canindé, Heleno Silva. Falaram com o presidente e Heleno expôs a situação de dificuldades financeiras do seu município, as agruras que vive o sertão sergipano, afligido por uma seca que vai aos seis anos. Os dois pediram que fossem adotadas ações emergenciais mais abrangentes, o aumento da frota de caminhões pipa. O presidente, que os ouviu com atenção, ligou na hora para o Ministro da Integração Nacional. No outro dia Jony e Heleno eram recebidos pelo Ministro, que já marcou uma reunião para tratar especificamente do caso de Sergipe e prometeu que as ações serão rápidas.

Jony, agora deputado, e Heleno que já foi, lembram que com Dilma as coisas eram bem diferentes. Até porque, conversar com ela, era quase impossível, até para os seus próprios ministros.