Edvaldo fala em transição e promete respeitar contratos.

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto


Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 01/11/2016 às 09:02:00

Gabriel Damásio

 

Após à vitória no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Aracaju, o prefeito eleito Edvaldo Nogueira (PC do B) se prepara para montar a equipe de transição de governo. Ontem, nas primeiras concedidas em emissoras de rádio e TV, ele anunciou que terá os próximos 15 dias para escolher os nomes da equipe e definir as diretrizes do trabalho, que consistirá basicamente em levantar informações sobre a situação atual do município. Ainda nesta semana, ele deve marcar uma audiência com o atual prefeito João Alves Filho (DEM) e iniciar as conversas entre a equipe de transição e os nomes indicados por João. O processo de interação entre os dois grupos deve acontecer por todo este mês de novembro.

A expectativa é de que o novo prefeito tenha dificuldades em ter acesso a tais informações, pois, segundo ele, há alguns contratos e dados não são de acesso público e só devem ser concedidos por intervenção de outras instituições. “Nós precisamos conhecer ainda certos contratos, certas questões que não são transparentes. Infelizmente, a atual Prefeitura não é transparente, não tem o Portal da Transparência. A gente, pra conseguir alguma informação, tem que ir buscar no Tribunal de Contas [do Estado, TCE]. Por isso é que nós vamos fazer a comissão de transição, que vai analisar esses contratos e, a partir do resultado dela, decidir as medidas que serão tomadas”, disse Edvaldo, citando a regulamentação recente do TCE sobre as transições de governo nos municípios.

Uma das questões citadas foi a venda da folha de pagamento da PMA para a Caixa Econômica Federal, em agosto de 2014, ao preço de R$ 30 milhões. Ao ser questionado se cancelaria esta venda, o prefeito eleito informou que precisaria ter informações sobre ele, mas garantiu que a sua gestão vai respeitar os contratos firmados pelo município, sem deixar de analisar a legalidade deles. “Eu vou respeitar os contratos, porque você não entra e desrespeita os contratos feitos. A Prefeitura é uma instituição. Você não pode fazer o que quer numa instituição. Ela é impessoal”, afirmou ele, evitando responder se irá ou não pedir alguma auditoria nas contas do Município.

Igualmente sem citar nomes, Nogueira reafirmou que dará preferência a nomes de perfil técnico, “competente, que toque o trabalho e dê resultados”, tanto na equipe de transição quanto em seu secretariado. E voltou a negar que teria convidado o médico e ex-deputado Rogério Carvalho (PT) para assumir a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), conforme foi dito em tom de crítica por seus adversários durante a campanha. “Já disse isso no meu programa de televisão, em todas as entrevistas que dei na campanha, que Rogério Carvalho não será secretário da minha administração e nem indicará nenhum secretário. O secretário da Saúde da minha administração será uma indicação pessoal do prefeito eleito Edvaldo Nogueira. Será um técnico, um gestor, que tenha capacidade de conversar com todos os setores e de liderar”, enfatizou o eleito.

 

Prioridades – Foi justamente a área de saúde, cuja situação foi classificada por Edvaldo como “no fundo do poço”, que está escolhida como a maior prioridade dos primeiros dias da sua gestão.  Para o ex-estudante de medicina, o quadro atual da rede municipal nunca foi visto por ele em seus 35 anos de carreira política. “Nós vamos colocar os postos de saúde pra funcionar, acabar com as filas para a marcação de consultas e exames, diminuir o tempo em que o médico pede o exame e a pessoa demora pra fazer. Nós vamos contratar mais clínicas e laboratórios para que as pessoas possam fazer a maior parte dos exames num lugar só. Vamos melhorar as UPAs da zona norte e zona sul, melhorar a saúde mental... vamos trabalhar para reconstruir a saúde do município.”, garantiu.

Outra questão considerada prioritária foi a crise da coleta de lixo em Aracaju, que voltou a ser suspensa ontem pela empresa Cavo, alegando falta de pagamento da dívida de R$ 19 milhões. Além de analisar o contrato emergencial feito em março entre PMA e Cavo, o prefeito eleito prometeu fazer uma nova licitação para a escolha das empresas responsáveis, em regime de consórcio com as prefeituras das cidades da Grande Aracaju (Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão). “Até lá, vamos ver que contrato é esse que foi feito e tomar todas as providências para que a limpeza seja regulamentada e normalizada, como sempre foi na minha gestão”, declara Edvaldo. O mesmo regime de consórcio deve ser adotado para fazer a licitação do transporte público.

Uma terceira prioridade citada pelo prefeito eleito é a reorganização das finanças da PMA. Edvaldo deixou claro que pretende cortar gastos de custeio que forem considerados supérfluos. O objetivo é normalizar o pagamento dos servidores municipais, que vêm sendo pagos com atraso desde 2015. “O prefeito tinha que fazer como eu fiz em 2009: sentido que vai ter crise, economiza, corta gastos, não coloca tantos cargos em comissão, não cria secretaria. Gasto com celular, diária, passagem, carro, combustível... O que puder cortar, corta”, admitiu, reafirmando que vai revogar o decreto que permite o aumento progressivo do IPTU (Imposto Predial e territorial Urbano), assinado em 2015 por João Alves e contestado na Justiça por meio de uma ação movida pelo próprio PCdoB.