Após eleição, empresas anunciam suspensão de serviços na capital.

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Publicada em 02/11/2016 às 00:04:00

Milton Alves Júnior

A menos de dois meses para deixar o comando da Prefeitura de Aracaju, João Alves Filho - que no início do atual mandato disse ter recebido uma 'herança maldita' deixada por Edvaldo Nogueira -, agora tende a dar o troco e deixar para o ex-prefeito, e agora eleito, um verdadeiro calote na empresa Cavo Serviços Urbanos. Com uma dívida de R$ 19 milhões, o serviço de coleta de lixo e urbanização da cidade foi cancelado na tarde de ontem e assim segue por tempo indeterminado. O anúncio foi oficializado no início da noite de ontem por meio de nota pública emitida pela empresa.

Convocada através de um contrato emergencial, a Cavo disse acumular débitos milionários, os quais não possui mais condições financeiras para segurar a interrupção dos serviços. Sem constar o devido repasse acordado em contrato, a decisão em determinar o cancelamento das atividades operacionais partiu da cúpula da empresa, a qual decidiu de forma instantânea comunicar o fato à PMA. Sem coleta, o povo aracajuano começa a enfrentar os habituais problemas no acúmulo de lixo nas portas de casa e terrenos baldios. A suspensão dos serviços ocorreu às 17h45 de ontem e deve acumular 500 toneladas de lixo a cada dia de paralisação.

O 'Presente de grego' evidentemente já deve ser estudado pelo ex, e futuro chefe do executivo municipal. As pendências financeiras e a decisão em decretar greve das atividades foram comunicadas ao Ministério Público Estadual (MPE). Cerca de 1.200 garis e margaridas estão orientados a não atuar na capital sergipana até segunda ordem.

"A Cavo informa aos cidadãos de Aracaju que está suspendendo a coleta de lixo na cidade porque a prefeitura não cumpriu o cronograma de pagamento acertado para saldar parte da dívida que tem com a empresa. A Cavo não tem mais condições de arcar com recursos próprios com a limpeza da cidade e espera receber da prefeitura o mais breve possível para retomar a execução dos serviços", informou. Essa é a terceira paralisação autorizada pela empresa em decorrência da falta de compromisso financeira protagonizada pela Prefeitura de Aracaju.

Ao Jornal do Dia a assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) comunicou estar ciente da decisão adotada, lamenta a paralisação, e segue aguardando o repasse das verbas por parte da Secretaria da Fazenda. Mesmo sendo responsável pela contratação emergencial da Cavo, a Emsurb não possui autonomia do dinheiro a ser repassado para os fornecedores. Segundo Cristina Rochadel, a direção da empresa municipal - assim como a Cavo e os trabalhadores -, segue aguardando o cumprimento do acordo de quitação das dívidas.

"Trata-se de um fato lamentável, mas que não está ao nosso alcance administrativo. A Emsurb foi comunicada da decisão, mas ressalta que todos os debates sobre o assunto devem acontecer com os órgãos responsáveis por repassar o dinheiro reivindicado pela Cavo. Torcemos para que este problema seja solucionado em curto prazo para o bem estar de todos os aracajuanos e servidores ligados à coleta de lixo", disse.

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Empresa suspende limpeza das UPAs Fernando Franco e Nestor Piva

 

Minutos após os servidores da saúde terem decretado o fim da greve que durou 29 dias, as unidades Fernando Franco e Nestor Piva voltaram a suspender os atendimentos destinados a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em decorrência da falta de condições higiênicas. O problema agora refere-se a uma dívida orçada em R$ 8.454.181,18 entre a Prefeitura de Aracaju e a Multiserv, empresa responsável pela serviços de limpeza, higienização e apoio administrativo nas unidades vinculadas à Secretaria da Saúde de Aracaju (SMS). Assim como ocorre com a empresa Cavo, o repasse financeiro destinado à Multisev foi acordado com a PMA, mas até o momento não foi depositado.

O problema tende a piorar para os aracajuanos que necessitem de assistência médica emergencial. De acordo com a direção do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), a informação apresentada à categoria indica multiplicação no fechamento dos postos de saúde a partir desta manhã. Sem o serviço básico de manutenção e limpeza das estruturas, fica impossibilitada a realização de consultas e exames. O fato também já foi comunicado oficialmente ao executivo municipal e ao Ministério Publico Estadual. Sem dinheiro a empresa garante seguir sem promover as atividades.

Na tarde de ontem a Prefeitura de Aracaju informou que está ciente do assunto e que segue trabalhando internamente para regularizar os pagamentos pendentes e reestabelecer os serviços. O prefeito João Alves Filho, questionado sobre as dívidas acumuladas, garantiu que deixará o governo com todas as pendências devidamente quitadas. João e os demais subordinamos só não explicaram como e quando devem quitar essas pendência milionárias. Com a decisão da Multiserv, mais de 200 profissionais seguem sem promover as respectivas funções.

"Infelizmente essa situação já vinha sendo apurada e denunciada pelo sindicato há alguns meses, mas o que se percebe é que não fizeram nada para evitar essa paralisação. Estamos vivenciando um momento caótico na saúde pública de Aracaju e somente a justiça pode neste momento colaborar para a regularização das pendências. Nós estamos dispostos a trabalhar, mas com condições de atender a população. Sem higienização fica difícil", afirmou o presidente João Augusto.

Sobre o futuro das demais unidades de saúde, o sindicalista disse tratar de uma incógnita."Voltamos agora de uma greve a qual pleiteávamos também melhorias nas condições de trabalho, e olha o cenário encontrado pelos servidores. Nessa segunda ainda foi possível atender aos aracajuanos nas demais unidades, mas ninguém sabe como será a partir desta terça-feira em diante", pontuou.

Em nota, a Multserv informou que: "tem alertado aos gestores do município há alguns meses sobre os riscos desta suspensão dos serviços, do impacto que pode causar no atendimento à saúde da população de Aracaju, sem obter êxito na resolução das pendências. No último dia 27/10/2016 foi apresentada notificação ao Município de suspensão dos serviços e do contrato, o que está sendo cumprido nesta data, até que ocorra a regularização dos pagamentos atrasados”.

“Os salários dos trabalhadores serão regularizados nesta data pela Multserv, com o esforço de buscar os recursos financeiros através de empréstimos bancários. Lamentamos profundamente circunstância tão adversa e postergada além dos limites suportáveis, restando-nos somente essa extrema medida legal, na expectativa de um possível fato novo ou imediata intervenção do Município na resolução das pendências com a minimização dos transtornos gerados aos cidadãos de Aracaju".