Vitória marcante

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Publicada em 01/11/2016 às 09:29:00

Gilvan Manoel

 

Tribuna

 

Vitória marcante

A vitória de Edvaldo Nogueira (PCdoB) acabou surpreendendo quem só leva em consideração os resultados das pesquisas eleitorais divulgadas às vésperas das eleições. No primeiro turno, as pesquisas mostravam uma folga do ex-prefeito, mas Valadares Filho (PSB) surpreendeu e foi praticamente um empate técnico.

Durante toda a campanha do segundo turno, Valadares esteve à frente de Edvaldo inclusive na véspera da eleição, quando o Ibope divulgou a vantagem de dois pontos. Uma pesquisa que praticamente apontava o resultado que deu nas urnas foi proibida judicialmente pelo PSB, que conseguiu liminar quando o Dataform iria divulgar a pesquisa. O PSB comemorou na véspera e no dia da eleição preparou o trio elétrico para a festa da vitória, que não aconteceu.

A derrocada da campanha de Valadares Filho começou quando ele passou a aceitar o apoio de todas as lideranças envolvidas com a administração João Alves Filho e que participaram da sua fracassada campanha à reeleição. A presença da senadora Maria do Carmo na festa da adesão de Robson Viana a Valadares no Iate Clube, no comício com o prefeito de Salvador, ACM Neto, confirmou o que a campanha de Edvaldo já dizia desde o início do segundo turno: João Alves e todos os seus aliados haviam firmado uma aliança com o candidato do PSB. Em nenhum momento, Valadares Filho foi veemente em negar o acordo, nunca disse que faria uma auditoria para apurar os desmandos da atual administração.

Edvaldo Nogueira evitou a presença do governador Jackson Barreto, desgastado junto a setores do funcionalismo em função dos atrasos no pagamento dos salários, no programa na TV, mas 15 dias antes da eleição percebeu que sem o engajamento dele não teria como reverter a aparente vantagem do adversário. Nos últimos 15 dias, JB se fez presente em todos os atos de campanha na periferia da cidade e acabou consolidando a vitória.

Apesar de uma diferença pequena, menos de 12 mil votos, o resultado foi marcante. Edvaldo só tinha ao seu lado o governador, o deputado Fábio Mitidieri (PSD) e o desgastado PT, que indicou a candidata a vice-prefeita Eliane Aquino, um dos grandes marcos da campanha. Valadares Filho estava com os senadores Valadares, Eduardo Amorim, Maria do Carmo, a maioria dos deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores, Albano Franco, lideranças empresariais e praticamente todo o PIB sergipano, além da turma de João Alves Filho, no segundo turno. O empresário Edvan Amorim, irmão do senador Eduardo, participou ativamente da campanha.

O senador Valadares, achando que o filho já havia ganhado a PMA antecipadamente, se perdeu com comentários infelizes nas redes sociais, a exemplo do “comuna azedo de raiva” em relação a Edvaldo, com quem tinha uma relação amistosa até recentemente. Foi o senador quem estimulou também o filho a atacar os ex-presidentes Lula e Dilma, o PT e o governador, de quem eram aliados e participaram dos governos.

Foi uma das campanhas mais duras dos últimos anos, com agressões de parte a parte. Tanto Edvaldo quanto Valadares – principalmente o pai – reclamam da campanha suja, através das redes sociais, onde senador se mantém atuante, inclusive para continuar atacando os adversários após o resultado do pleito.

Na festa da vitória, Edvaldo Nogueira lembrou do ex-governador Marcelo Déda: “No domingo, quando concluiu a apuração eu me lembrei de Déda, que dizia que cada obra que a gente concluía significa um sorriso que as pessoas têm. E eu estou com isso na minha cabeça. Vou trabalhar para que o aracajuano volte a sorrir e que a nossa capital volte a ser a capital da qualidade de vida”.

Na segunda-feira, ainda na euforia da vitória, as primeiras más notícias para o prefeito eleito: A Cavo, contratada emergencialmente pelo prefeito João Alves Filho, anunciou a suspensão da coleta de lixo em Aracaju, por falta de pagamento de uma dívida de R$ 19 milhões; a Multiserv, responsável pelos serviços de limpeza e higienização dos postos de saúde da PMA, anunciou a suspensão do contrato com a Secretaria Municipal da Saúde, em função do atraso no pagamento de R$ 8,5 milhões. A empresa não recebe há quase um ano.

Outros problemas vão estourar até a formação da equipe de transição.

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Desabafo

Depois do silêncio que se impôs durante a campanha eleitoral, o governador Jackson aproveitou a festa da vitória de Edvaldo, domingo à noite, para criticar os senadores Antonio Carlos Valadares (PSB) e Eduardo Amorim (PSC). “Esse grupo queria tomar a prefeitura de assalto. Vencemos essa quadrilha em 2014 e em 2016 e vamos vencer em 2018. Eles são moleques, irresponsáveis e incompetentes”, disparou Jackson. “Eu não tenho ódio, mas não vou perdoar Valadares o pai, o filho e Robson Viana que eu tinha como um homem leal, mas é um oportunista”, completou.

 

Dando nomes

Ontem, em entrevista a TV Sergipe, o apresentador quis saber a razão do termo “quadrilha”. E Jackson citou nominalmente o senador Eduardo e o seu irmão Edvan, em função de problemas judiciais no terceiro governo João Alves, entre 2003 e 2006. “Até hoje o senador responde a inquérito no STF, que corre em segredo de Justiça”, lembrou.

 

Coronel Saruê

O discreto vice-governador Belivaldo Chagas, que acompanhou o senador Valadares por 30 anos e hoje se transferiu para o PMDB, também atacou o senador. “Fui chamado de oportunista pelo senador Valadares, mas oportunista é você Coronel Saruê”, disse, em alusão a um personagem da novela Velho Chico, da Globo, que atuava como um antigo coronel, até ser derrotado pelo maioria da população.

 

Gesto ignóbil

O publicitário Carlos Cauê, responsável pelo marketing vitorioso de Edvaldo, também desabafou pelas redes sociais: “Em meio a tantas razões para comemorar, quero também registrar aspectos lamentáveis nessa eleição diferente e singular. Uma delas, sem sombra de dúvidas, foi a postura ignóbil do senador Valadares. No afã de proteger sua cria, Valadares destilou um ódio mesquinho e inoportuno, completamente inadequado para um senador da República. Fui diversas vezes alvo desse sentimento menor que o ex-governador revelou ao longo da campanha”.

 

Compostura

“Na verdade, o senador perdeu a compostura, desceu ridiculamente do salto e envergonhou o próprio Senado. Lamentável Aracaju ter que assistir a epílogo tão deprimente de uma carreira que já teve sua relevância. O marketing do mal irradiou dele mesmo. Um marketing menor, é verdade, inócuo e deletério. Sua aparição na TV foi patética. Sua fisionomia denunciava o estado de espírito já derrotado que viria se confirmar dias depois. O verdadeiro retrato de Dorian Gray, onde o pai fez o papel da fotografia e o filho (sic) o do personagem”, completou.

 

Sem respeito

Pela mesma rede, o senador Valadares também atacou: “Esse grupo político [liderado pelo governador Jackson Barreto] ganhou a eleição, porém, pelo menos da minha parte, não ganhou o meu respeito. Ainda assim, receberá o meu combate de opositor justo e equilibrado em benefício da sociedade”.

 

Decisão do povo

Valadares continuou dizendo: “Tenho que respeitar a decisão do povo, mas não posso deixar de registrar o meu protesto ante a conduta antiética, demagógica e eleitoreira da campanha de Edvaldo Nogueira. Jackson e Edvaldo, de forma direta ou através de membros de sua campanha, foram impiedosos com Valadares Filho, nos ataques pessoais feitos nos eventos de ruas, nas redes sociais e nos programas de rádio e TV (suspensos várias vezes por ordem judicial). Essa disputa pela prefeitura ficou marcada por uma baixaria sem precedentes em toda a história das eleições em Aracaju”.

 

Amarelo

No domingo à noite, Jackson Barreto apareceu num pequeno filmete de camisa amarela e usando um aparelho de telefone também amarelo – a cor da campanha de Valadares Filho – tentando completar uma ligação. Reclamava que ele não atendia a ligação. Aliados sorriam ao seu lado.

 

Surpreso

Edvaldo Nogueira admitiu que ficou surpreso e impressionando com a “arrogância e prepotência” adotada por Valadares Filho na reta final da campanha. “Tão jovem, e já se comportava como um coronel”, disse o prefeito eleito. Ele acusa o grupo que apoiou seu adversário de querer usar a Prefeitura de Aracaju “em defesa de interesses pessoais”.

 

Tranquilo

Apesar de sua coligação ter elegido apenas oito dos 24 vereadores, Edvaldo Nogueira acha que será possível chegar a uma maioria pontual em torno dos projetos mais importantes para os aracajuanos. Disse que vai conversar com todos.

 

IPTU

O prefeito eleito confirmou que vai apresentar projeto de lei anulando a correção anual do IPTU em 30%, até 2022, que se transformou em lei a partir de proposta do atual prefeito João Alves, aprovada pela maioria dos vereadores. Disse que sua ideia é que o imposto seja corrigido anualmente pelo INPC ou outro índice da inflação, como sempre ocorreu até a gestão de João.

 

Na lua

No domingo, depois de votar, João Alves garantiu que todas as contas da prefeitura estavam em dia. Detalhe: muitos servidores ainda não receberam os salários de setembro e nesta segunda-feira, a Cavo suspendeu a coleta de lixo e a Multiserv o trabalho de higienização dos postos de saúde.

 

Curiosidade

Na festa da vitória de Edvaldo, O ex-prefeito João Gama conversou por um bom tempo com Ismael Silva. Os dois disputaram o segundo turno da eleição para prefeito de Aracaju em 1996, vencido por Gama.

 

13º Salário

Jackson Barreto admitiu que pensa em usar a mesma solução do ano passado para quitar a segunda parcela do 13º salário dos servidores estaduais. Os servidores foram autorizados a sacar através do Banese o valor correspondente à parcela do décimo, e o Estado se responsabilizou pelo pagamento dos juros da operação. “No ano passado não ocorreu nenhum problema”, destacou.

 

Pirambu

Por unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral manteve a impugnação do registro de Élio Martins, o Elinho, que foi reeleito prefeito de Pirambu. Com isso, sua votação foi anulada e como obteve mais de 50% dos votos válidos, deve ocorrer nova eleição no município. O advogado do prefeito, Hunaldo Mota anunciou recurso ao TRE. A expectativa é de que todos os recursos sejam julgados até a data final prevista para a diplomação dos eleitos, 19 de dezembro.