Estupros caem e assaltos aumentam em SE, diz anuário.

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 04/11/2016 às 09:14:00

Novos dados sobre a criminalidade em Sergipe foram revelados ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com a divulgação da íntegra do 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Entre os dados que mais ganharam destaque, estão os relativos a crimes como assalto, roubos e furtos de veículos e de armas, registrados entre 2014 e 2015. Na semana passada, o Anuário ganhou repercussão ao revelar que Sergipe assumiu o posto de estado mais violento do país, com o índice de 57,3 homicídios por 100 mil habitantes.

A íntegra da pesquisa revelou que houve queda nos casos de estupro, atos libidinosos, atentado violento ao pudor e tentativas, todos classificados na pesquisa como ‘crimes contra a liberdade sexual’. Em 2015, foram registrados 442 estupros em Sergipe, o que equivale à taxa de 19,7 ocorrências por 100 mil habitantes. Já em 2014, foram 510 casos, para uma taxa de 23,0 por 100 mil. Já as tentativas de estupro somaram 44 no ano passado e 47 no ano retrasado. Apesar da queda de 14% nos dados em Sergipe, eles ainda preocupam, pois representam a média de 1,2 vítima de crimes sexuais por dia. Tanto a polícia quanto o FBSP acreditam que o número de estupros pode ser maior, já que, por vergonha ou medo do julgamento alheio, muitos casos acabam não sendo denunciados formalmente às autoridades.

Os roubos e furtos de veículos cresceram no mesmo período. Foram 3.091 ocorrências do tipo em 2015, o que equivale a 467,0 crimes por 100 mil veículos. Tais casos incluem 2.210 roubos (à mão armada ou com uso de violência) e 881 furtos (sem violência). No ano passado, o total foi de 2.801, ou seja, 449,9 crimes por 100 mil. Por outro lado, houve diminuição nos roubos de carga (36 em 2015 contra 51 em 2014) e nos crimes contra instituições financeiras, incluindo explosões de caixas, assaltos a agências e transportadoras de valores. Estes casos somaram 30 no ano passado, contra 46 no retrasado.

Os chamados ‘crimes intencionais não letais contra a pessoa’, isto é, quando não há mortes, tiveram variações diferentes entre si entre 2014 e 2015. Aumentaram as tentativas de homicídio (de 231 para 382) e as lesões corporais culposas de trânsito (2.961 para 3.416), mas caíram as lesões corporais dolosas (de 3.932 para 3.711), as outras lesões corporais culposas (109 para 103) e os outros crimes que resultaram em lesão corporal (34 para 22).

 

Reunião com Jackson – Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública sobre os homicídios em Sergipe foram tema de uma reunião ocorrida ontem à tarde no Palácio de Despachos, entre o governador Jackson Barreto (PMDB), o secretário João Batista Santos Júnior e toda a cúpula da Segurança Pública. No encontro, ficou definida a elaboração de um plano para a redução dos crimes mortais em todo o estado, principalmente em áreas com maior número de ocorrências.

“Nós avaliamos que o município de Itabaiana, a região do bairro Santa Maria, a região do Santos Dumont e nas suas imediações, nós precisamos fazer um trabalho muito mais profundo de segurança da população, porque é justamente nestas áreas que estão colocados 40% desses homicídios que ocorrem em nossos estados, mas não vamos apenas cuidar nestas áreas”, disse Jackson, em entrevista à TV Atalaia. Ele admitiu ainda que há dificuldades causadas pelo baixo efetivo das polícias Civil e Militar, apesar da realização recente de concursos públicos. “Não temos condições financeiras de duplicar esse efetivo do dia pra noite”, justifica o governador, quem citou a possibilidade de conceder gratificações ao atual efetivo para aumentar a presença de policiais nas ruas. (Gabriel Damásio)