A BATALHA DE STALINGRADO E O ¨GENERAL¨ JACKSON BARRETO

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Publicada em 06/11/2016 às 00:55:00

 

A BATALHA DE STALINGRADO E
O ¨GENERAL¨ JACKSON BARRETO

A BATALHA DE STALINGRADO EO ¨GENERAL¨ JACKSON BARRETO

A Batalha de Stalingrado foi a mais decisiva da Segunda Grande Guerra. A cidade não era apenas um local estratégico, era emblemática. Além do significado do próprio nome, o bastião fortalecido às margens do Volga marcava o ponto crucial, que se ultrapassado, abriria o caminho para os alemães chegarem aos grandes campos de petróleo, às infindáveis planícies férteis da Rússia. Depois, seria fácil cruzar os Urais, avançar pelas estepes e chegar às praias da Sibéria asiática para fazer uma junção estratégica com os aliados japoneses. Hitler consolidaria o domínio da Europa, apressaria o projeto da bomba atômica, esse tornaria imbatível.  

A luta pela posse de Estalingrado, a valentia dos seus defensores, tornou-se sinônimo da resistência ao avanço do nazi-fascismo.

Durante a campanha eleitoral em Aracaju, um jornalista que gosta de fazer imagens assim grandiosas, associando o presente à episódios da História, riscou um panorama certamente exagerado, mas, bem acentuando as ressalvas: ¨essa disputa pela Prefeitura de Aracaju, guardadas as devidas proporções, é como se fosse uma batalha de Stalingrado¨. Pois bem, então, mal começava a noite de domingo, dia 2, quando os primeiros resultados da eleição foram divulgados, o jornalista telefonou para um amigo e disse- lhe: ¨Jackson é o general da nossa Batalha de Stalingrado¨.

Vencer a maior coalizão política já formada em Aracaju, parecia mesmo uma tarefa impossível. Parodiando a colunista Thaís Bezerra, diríamos que de A até Z, todas as elites políticas, e também facções (isso no sentido mesmo de agremiações delituosas) se juntaram, colocando à frente do camuflado projeto um jovem que poderia até alimentar ideias novas, mas, ficou prematuramente envelhecido, por conta do proposito consciente ou inconscientemente a representar. A Prefeitura de Aracaju, ou, mais especificamente, os seus recursos, os seus meios, seriam colocados à disposição de um projeto de poder individualizado, personalista, e em certos aspectos nitidamente patrimonialista. Para que se faça essa constatação basta que se verifique a biografia, ou o prontuário dos que, não podendo nele colocar a própria cara, buscaram uma face mais aceitável, e que tivesse a necessária esperteza política para esconder muito bem aquela parte dos seus mal embuçados apoiadores.

O ¨general¨ que venceu a batalha impossível, certamente, com sensibilidade política, irá retirar dela algumas indispensáveis lições, que assim poderiam ser resumidas:

Reconhecer que o resultado duramente alcançado, as circunstâncias difíceis do momento, não deixam margem para grandes euforias.

Admitir que existe enorme insatisfação na sociedade (os votos nulos e brancos revelam), impondo, assim, urgente readequação no governo, que chega aos dois anos assolado pela devastadora crise nacional.

Por fim, feitas essas óbvias constatações, e ultrapassada a fase dos desabafos naturais diante da carga exagerada de ofensas sofridas, o ¨general¨ da nossa Stalingrado, que se fez imbatível pelo carisma que ainda conserva, e pela sagacidade de farejador dos sentimentos populares, terá de manter nos seus pés as sandálias da humildade, e abrir um caminho de pacificação dos espíritos, fazendo, da vitória, o instante da descoberta de que Sergipe nada ganha com o radicalismo contaminando a nossa forma de fazer política. Deixando bem claros, todavia, os sentimentos que já expressou, de que, entendimento a favor de Sergipe não se pode confundir com projeto político idêntico.

Depois de vencida a nossa batalha de Estalingrado, ou simplesmente de Aracaju mesmo, que tentem, o ¨general¨ vencedor, e os ¨coronéis¨ derrotados, hastear as suas bandeiras brancas, simbolizando que há o interesse público a ser preservado.

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DE QUE RÍ MESMO ROGÉRIO?

Num galhofeiro vídeo nas redes sociais após conhecidos os números da eleição em Aracaju o ex-deputado Rogério Carvalho aparece dando gostosas e esfuziantes gargalhadas. As perguntas então que muitos fazem: ¨De que estaria rindo mesmo o Rogério?¨.

Será que imagina ter alguma participação na vitória, quando se sabe que a maior preocupação dos que a construíram era exatamente mantê-lo afastado dos palanques e da mídia?

UM SUSTO: TRUMP PODE GANHAR

Na etapa derradeira da conturbada eleição americana surge o espantalho de Donald Trump com a possibilidade de tornar-se o homem mais poderoso do mundo, senhor da guerra, detentor da capacidade de desencadear o apocalipse. 

Faz medo.

O QUE FAZER DIANTE DO CAOS QUE SERÁ HERDADO

Edvaldo venceu batendo na tecla segura da experiência que ganhou como prefeito, e por isso preparado para reorientar uma prefeitura onde o caos evidencia-se no primeiro Natal sem luzes, no Réveillon já cancelado, no lixo acumulando-se nas ruas, nas pessoas atulhando a tenda de emergência montada no HUSE pela diligente secretária Conceição Mendonça, tentando suprir a lacuna imensa dos serviços municipais paralisados. Nas escolas falta a merenda, as ruas mal cuidadas, duas praças, uma delas central, a Fausto Cardoso, a outra, a dos Expedicionários, cercadas há meses por taludes, e sem obras feitas.

Edvaldo não terá dias fáceis. Vai precisar logo agora passar a imagem de um gestor eficiente, e visível fora dos gabinetes. Poderia começar a percorrer diversos trajetos em ônibus, sentindo o que sofrem os passageiros a partir dos abrigos nos pontos de parada, feitos sem o menor respeito aos que os utilizam. Arriscar-se andando pelas nossas calçadas, visitar a periferia, vendo de perto o que o povo sofre e quer, percorrer o Mercado Municipal, constatar a sujeira, o abandono em que tudo se encontra. Passear ao longo do apodrecido Tramanday, pela 13 de Julho, sufocando-se com a pestilência do mau cheiro que exala daqueles depósitos de excrementos a céu aberto, e olhar o mangue que está morrendo. Não podendo vencer desafios imensos em curto prazo, que busque, então, mostrar um estilo novo de tratar o povo desta cidade.

A cidade pede um prefeito que vá aonde o povo está.

O PT E A SUA DIFÍCIL RECRIAÇÃO POLÍTICA

Refundar o PT, hoje tão malsinada sigla, não será tarefa das mais fáceis. Os que fazem parte da elite rançosamente conservadora, nunca engoliram um partido que teve a ousadia de denominar-se dos trabalhadores. Isso, como se todos nós não fossemos trabalhadores, em qualquer atividade que estejamos a laborar.

O PT, apesar de tudo, tem história e tem importância na formatação do nosso modelo democrático,que não deve resumir-se apenas ao que pensa e fazem as classes dominantes. Mas o PT foi irremediavelmente marcado pela roubalheira, ultrapassando os níveis daquilo que era habitual, e até tolerado.

Em Sergipe, onde o partido foi destroçado após a morte de Déda, não haverá muito o que fazer, permanecendo o comando nas mesmas mãos. A eleição de Eliane, a viúva de Déda, na chapa de Edvaldo, daria a ela a legitimidade para pleitear a liderança do partido. E viria a reconstruí-lo num modelo em que a ética prevalecesse. Eliane poderia dar atenção maior aos segmentos intelectualizados com disposição para esquecerem os envelhecidos chavões, adaptando-se ao que os novos tempos exigem: uma esquerda que pense, que proponha, que aja como força responsável, transformadora e lúcida da sociedade, livre do viés de controle ou aparelhamento político do Estado.

UM PROJETO E A AGONIA DO RIO SÃO FRANCISCO

Aracaju é a capital nordestina que tem maior segurança hídrica. São três instalações distintas: a mais velha, a da Cabrita, a recém-inaugurada do Poxim, e a adutora do São Francisco, construída há mais de trinta anos quando era Governador Augusto Franco.  Sem nenhum viés apocalíptico, diante de uma situação agora real, que nunca se imaginaria viesse a acontecer, se pode afirmar que o abastecimento de água para Aracaju poderá entrar em colapso. Essa possibilidade vem sendo analisada por uma equipe técnica criada pelo governador, formada pela DESO, COHIDRO, Secretaria do Meio Ambiente e Casa Civil, que estuda os problemas hídricos no semiárido, e nesses estudos incluiu a agonia do Velho Chico.

Nos próximos dias a CHESF deverá reduzir ainda mais a vazão do São Francisco. Diante da alternativa de manter a vazão e não produzir energia, não restaria outra solução a não ser o represamento maior no lago Sobradinho,que está no limite crítico, e assim a vazão na foz cairá para minguados 700 m³ por segundo.  

Assim, a conta que pode ser atribuída à natureza e também a desídia humana,deverá ser paga mesmo por quem vive no baixo São Francisco, no caso, sergipanos e alagoanos.  Como lembrou Frei Enoque no programa que tem na Xingó FM, as terças feiras, o rio, que antes encontrando o mar, o empurrava por quilômetros, hoje, despejando no Atlântico apenas um quarto do que fazia antes, está recuando da sua foz para dentro, invadido pela água salgada que já alcança Penedo.  

Divergem os técnicos sobre até onde poderão avançar as marés, tendo em vista a reduzida elevação do nível do leito do rio, da foz para dentro. Por isso, não se pode afirmar com precisão se a água salgada chegará, por enquanto, até o sistema de bombeamento da DESO, em Telha. Se a vazão do rio continuar sendo reduzida, um dia a DESO será forçada a interromper o bombeamento. Não há mais uma garantia firme de que a adutora do São Francisco continuará operando normalmente.

O escrevinhador dessas linhas, renitente em meter-se em assuntos que fogem aos seus inexistentes conhecimentos técnicos, consultou especialistas, engenheiros civis, elétricos, hidrólogos, ambientalistas, verificou algumas experiências realizadas em outros países, e ousa afirmar que não seria um projeto desligado da realidade a construção de uma barragem de foz, para, definitivamente, anular o risco do avanço das marés.

Não é uma obra simples como são outras barragens, e exigiria um investimento elevado, bem longe das atuais possibilidades dos cofres públicos.

O engenheiro especialista em recursos hídricos, Ailton Rocha, também os engenheiros Carlos Melo, presidente da DESO e Marcelo Monteiro, técnico da empresa, admitem que é preciso, preventivamente, pensar em soluções viáveis para que se evite um cenário pior a médio ou longo prazos. Eles não descartam a realização de estudos sobre a viabilidade de uma barragem de foz.

A obra só se poderia tornar-se viável através de uma Parceria Público Privada, com recursos certamente provenientes de financiamentos externos. Mas aí surge a necessidade de estabelecer de onde sairia o retorno do investimento. A instalação de uma usina hidrelétrica na barragem não seria suficiente mesmo num longo prazo de concessão, porque, como observa o engenheiro elétrico Ivan Leite, diretor-presidente da SULGIPE, a capacidade de geração seria bastante limitada. Surgiria a necessidade de montar um leque variado para assegurar receitas, tornando o investimento atraente para os que assumiriam o risco de fazê-lo.

Se construída a barragem de foz, todo o baixo São Francisco teria garantido um volume de água permanente, com capacidade para abastecer cidades de Sergipe e Alagoas, e disponibilidade, também, para projetos de irrigação. Mas os outros trechos do rio, bem mais longos, estão a exigir rápidas providências regeneradoras.

A CARTA ABERTA DE SAMARONE

O médico sanitarista e professor Antônio Samarone é também excelente fotógrafo e senhor de um texto que o qualifica muito, inclusive para embates políticos, porque, além de tudo, é culto e arguto observador. Já foi também vereador em Aracaju.

Estava ele posto na quietude plácida do seu canto, fazendo o que mais gosta: estudando, trabalhando, comandando o grupo da Expedição Serigy, fotografando, polemizando muito, quando foi insolitamente provocado pela campanha virulenta do candidato Valadares Filho. 

Agora, que a campanha terminou, e na qual Samarone resolveu participar intensamente, ele escreveu uma Carta Aberta ao senador Valadares, que considera responsável pelo rasteiro nível da campanha. Transcrevemos a Carta: ¨As eleições em Aracaju aposentaram dois tradicionais chefes da política sergipana. No primeiro turno João Alves, três vezes governador, duas prefeito, Ministro de Estado, foi avisado pelo eleitorado, que a sua hora do descanso havia chegado. 

O segundo turno aposentou o antiquado senador Valadares. Essa foi a quarta derrota de Valadares para a Prefeitura de Aracaju. Em 1988, enquanto governador, todo poderoso, após ter cassado o mandato de Jackson Barreto, lançou o Dr. Lauro Maia para prefeito, numa das campanhas mais caras da história de Aracaju. Foi derrotado por Welington Paixão, candidato de Jackson. Em 2000 a segunda derrota, Valadares arriscou-se pessoalmente na disputa na eleição que Marcelo Déda saiu vencedor. O senador Valadares amargou uma terceira colocação com pouco mais de 50 mil votos. Em 2012 o senador sofreu a terceira derrota. Lançou o próprio filho para prefeito, perdendo para João Alves no primeiro turno, e agora o senador sofreu a quarta derrota, chegando a um inédito tetra. Dessa vez teve tudo a seu favor, o presidente Temer, ACM Neto, pastor Malafaia, o governador de São Paulo, os três senadores de Sergipe e quase 20 partidos. Mesmo assim o povo de Aracaju resolveu eleger mais uma vez Edvaldo Nogueira (PC do B) com Eliane Aquino, uma vice do PT, no momento de refluxo das forças da esquerda no país. Derrota com um detalhe cruel para o senador: o candidato que o derrotou foi mais uma vez apoiado por Jackson Barreto. Parece uma sina. Não tem como não entender o recado das urnas. Senador Valadares tá na hora do recolhimento e da aposentadoria. Mesmo eu tendo sido agredido com mentiras no programa eleitoral do seu partido, com o seu consentimento ou responsabilidade direta, não lhe desejo o mal. Que o senhor compre um bom pijama e uma boa rede, e que tenha uma tranquila aposentadoria. 

Antônio Samarone, médico sanitarista e professor de saúde pública da UFS.

AS MEDALHAS DA MAÇONARIA

Criteriosa e austera nas homenagens que faz, procurando restringi-las a uns poucos, a Loja Maçônica Cotinguiba fixou em no máximo três as que são concedidas a cada ano, Nessa quarta-feira dia nove, quando a Loja Maçônica também comemora aniversário de fundação no dia 10, receberão medalhas Carlos Sattler, um ícone maçônico, exemplo e vida que chega aos 95 anos. Também serão homenageados dois sergipanos que Sergipe inteiro neles reconhece méritos suficientes para que sejam medalhados: o ex-governador Albano Franco e o Reitor da UNIT professor Jouberto Uchôa. O venerável Ibrahim Salim, convidando a família maçônica e a sociedade sergipana para juntarem-se à homenagem na Loja Cotinguiba a partir da vinte horas.

UMA FESTA DOS SESSENTA ANOS

Galdino Carvalho é um daqueles sertanejos que venceu adversidades para construir a vida. Começou a construí-la menino, caminhando distâncias ate a escola. Depois, o longo percurso feito em canoa de Canindé a Propriá, isso, para chegar até Aracaju, e tornou-se advogado. É Defensor Público, e nunca esqueceu a sua terra, a sua gente. Galdino faz sessenta anos, e festeiro como é, junta, família e amigos, para comemorar muito, exaltando a ventura da vida.