Primeiro dia de Enem ocorre sem problemas em Sergipe

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 07/11/2016 às 09:31:00

Milton Alves Júnior

Milhares de estudantes participaram na tarde de ontem do primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2016). Como já era esperado, os primeiros registros mostraram um mix de candidatos confiantes, preocupados, com documentação errada, além daqueles que chegaram no limite do tempo, e os que foram eliminados por chegarem ao local de prova após as 12h, horário local e limite previsto no edital do maior concurso estudantil do Brasil. Na tentativa de passar confiança aos estudantes e tirar as últimas dúvidas, dezenas de professores das mais variadas escolas e disciplinas se posicionaram nas portas das escolas. Por determinação do Ministério da Educação, a segurança também foi ampliada.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Sergipe são 118.976 mil inscritos ou 1,4% do total de 8.627.195 candidatos brasileiros. Os estudantes do menor estado do país estão representados em 60% do gênero feminino e 40% do masculino. Os candidatos com idade entre 21 e 30 são a maioria e representam 33,5%, seguidos de pessoas maiores de 30 anos (14%), dos com 18 anos (11%) e com 17 (11%). Ainda segundo o instituto, em decorrência da ocupação promovida por manifestantes contrários à PEC 241/2016, 980 inscritos para fazer a prova do Enem da Universidade Federal de Sergipe (UFS) – Didática VI - vão realizar a prova nos dias 03 e 04 de dezembro.

Polêmicas à parte, o primeiro dia de maratona também indicou o início de uma tendência entre os jovens candidatos a uma vaga em universidade pública: chegar horas antes do início das provas. Com a utilização de aplicativos de conversa, estudantes criam grupos e marcam para chegar com vasta antecedência. Esta medida tem sido aprovada por pedagogos e psicólogos que avaliam a mudança de costume como uma forma a mais de buscar promover um clima mais harmonioso e tranquilo entre os candidatos. Especialista em psicologia cognitiva, Aline Marques tem incentivado a proliferação de atitudes como estas por entender que trabalhos em grupo tendem a minimizar os efeitos da pressão.

A medida tem chamado a atenção dos gestores escolares que passam a compreender as mudanças contemporâneas vivenciadas pela educação brasileira. Este tipo de atividade conta ainda com o apoio, por exemplo, de nutricionistas, desportistas e músicos. “Evidentemente a pressão em conjunto com a expectativa pelo inicio do Enem acaba gerando momentos de nervosismo minutos antes das provas; sabemos que a mente carregada mexe com o comportamento e até com a estrutura fisiológica do jovem. Diante dessas situações típicas do primeiro dia de prova, concordamos em chegar cedo, por volta das 9h para se alimentar bem, revisar os documentos pessoais, tirar dúvidas e sobretudo descontrair. A nossa meta é passar confiança e conquistar a vitória”, disse.

Sobre a presença dos pais, Aline enalteceu a necessidade de a família colaborar com o progresso psicológico dos adolescentes. O trabalho em conjunto, segundo ela, começa em casa: antes – durante as aulas, e no caminho até a escola onde realizará o exame. “Todo esse aparato funcional e educacional pouco vale a pena se dentro de casa o apoio e confiança não é o mesmo. O objetivo dos estudantes também é o nosso; juntos – família e educadores, vamos ajudar ao estudante a conquistar a vaga tão desejada”, pontuou a psicóloga. O pleito da especialista, ao menos nos arredores da Escola Estadual Dom Luciano, aparenta ter sido atendido.

Muitos pais, ou responsáveis, acompanharam os estudantes até o local de provas. Receosa quanto aos empecilhos que possam causar a desclassificação por chegar atrasada, a comerciante Elisangela Santos, mãe de Eliane Santos, de 17 anos, pediu folga ao patrão a fim de acordar e sair cedo de casa com destino ao local do Enem. Atenta às exigências do exame, ela garante ter conferido todo o material antes mesmo da filha acordar no dia de ontem. Elis, como gosta de ser chamada, ressaltou que precaução demais é bem-vinda em momentos como este.

“Em certos momentos sou paranoica, confesso. Mas observo da seguinte maneira: o jovem passa até três anos estudando duro, chega no dia super preparado, mas perde a oportunidade de progredir na vida porque veio sem o documento de identificação, ou com uma caneta de tinta azul. Analiso tudo, chegamos cedo, a alimentação foi saudável e agora observo de longe ela se descontraindo com os colegas. Fiz minha parte, agora é ficar aqui de fora mandando vibrações positivas”, disse. Eliane Santos concorre a uma vaga de odontologia na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Em 2014, outro filho de Elis passou por momento semelhante e obteve êxito.

“Muitas coisas mudaram, a metodologia é outra. Quando meu filho fez o Enem nós trouxemos ele antes por opção da família, agora a Eliane já avisou no inicio da semana passada que viria por orientação dos amigos e para participar de atividades com o corpo técnico da escola. Espero que o resultado seja semelhante ao do irmão, se não for, pés no chão para continuar em busca do sonho”, analisou.

Sobre o processo seletivo, o Inep espera apresentar estatísticas até a próxima terça-feira, 08. Entre os dados está o índice de candidatos eliminados e as abstenções. Neste último quesito, por exemplo, no ano passado 26.857 pessoas deixaram de fazer a prova; isso equivaleu a 23,2% dos 115.766 inscritos.