Juiz reconsidera decisão e manda prender matadores de empresário

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Publicada em 08/11/2016 às 09:25:00

A Justiça sergipana mudou a decisão tomada na última sexta-feira e determinou a prisão dos dois acuados de envolvimento com o assassinato do empresário Igor de Faro Franco, 31 anos, ocorrido no dia 25 de outubro em frente ao Bar Salomé, na Atalaia (zona sul de Aracaju). Vinicius de Souza Macedo, 30 anos, e um adolescente de 16 que confessou o crime foram detidos ao final da tarde de sábado no bairro Coroa do Meio, por agentes dos departamentos de Roubos e Furtos (Derof) e de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Isso aconteceu depois que o juiz Sérgio Menezes Lucas, plantonista diurno da Comarca de Aracaju, aceitou o pedido de reconsideração apresentado pela Polícia Civil.

A prisão de Vinícius e a apreensão do menor foram pedidas inicialmente na tarde de sexta-feira, mas acabaram negadas na ocasião pelo então juiz plantonista noturno, Paulo Henrique Vaz Fidalgo. O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) alegou que o pedido inicial da polícia não detalhou o caráter de urgência do caso e nem do risco ao andamento das investigações, conforme previsto em uma resolução do Tribunal sobre o funcionamento do plantão noturno. Uma nota pública do delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, manifestou descontentamento com a medida, dando repercussão ao caso. Ontem, em entrevista coletiva, Alessandro negou que o episódio seja um atrito institucional entre a polícia e o Judiciário.

“A representação de medidas cautelares dessa natureza à noite já foi feita e deferida em outras oportunidades. Como o magistrado tem total autonomia sobre sua análise, e não cabe à polícia o direito de recorrer de uma decisão em sua fase postulatória, o que nós fizemos foi noticiar [o caso] aos cidadãos, que têm o direito de ser bem informados sobre como as coisas tramitam, e apresentar um pedido de reconsideração durante o dia. O doutor Sergio Lucas, comungando com a mesma análise dos promotores plantonistas da noite e da manhã do Ministério Público, deferiu as prisões. Não há nenhuma questão pessoal com o magistrado, até porque não o conheço”, disse o delegado, informando ainda que, além da reconsideração, pediu esclarecimentos à Corregedoria Geral do TJSE sobre qual o procedimento técnico correto em situações como essa.

Tanto o adolescente quanto o adulto já prestaram depoimentos, mas só o menor a autoria da morte de Igor Faro. Ele disse à polícia que já tinha o costume de fazer assaltos à mão armada e, no dia do crime, aceitou o convite de Vinícius para roubar pedestres próximo à Orla da Atalaia. Ao passar pelo Bar Salomé, o rapaz tentou puxar o relógio do empresário, que se assustou e ficou com as mãos erguidas. Segundo o relato do delegado-geral, confirmado pelo JORNAL DO DIA com fontes da Fundação Renascer, o adolescente alegou que atirou em Igor porque ele teria se negado a entregar o relógio e celular. Disse também que sua intenção era acertar a parede do bar e ‘dar um susto’ na vítima para forçá-la a entregar os objetos, mas, no momento do tiro, se assustou com o reflexo da passagem de um carro e acertou o peito de Faro, que morreu a caminho do hospital.

Ainda em seu depoimento, o adolescente afirmou que quer pagar à Justiça pelo crime, pois está ‘muito arrependido’ e assustado com a repercussão do caso na sociedade sergipana. Sobre o motivo do assalto, o acusado disse que não é usuário de drogas, mas queria dinheiro para gastar com namoradas e outras meninas que costumava paquerar em festas. Ele foi também assumiu a autoria de outros assaltos a pedestres e até a um ônibus, roubado durante o São João no centro de Aracaju. O menor está isolado em uma ala da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) e deve ser julgado até o mês que vem pelo ato infracional de latrocínio.

Já o adulto Vinicius Macedo, segundo a polícia, é apontado como participante de outros assaltos na região da Atalaia, sendo alguns feitos diariamente. De acordo com Alessandro, ele disse que já fez outros roubos na companhia do adolescente, mas não estava na noite da morte de Igor. “Obviamente, isso é uma mentira, até porque ele é o proprietário da moto usada no crime”, disse o delegado, que pretende identificar outras vítimas assaltadas pela dupla nos últimos 30 dias. O adulto está preso e aguarda uma vaga na Cadeia Pública de Nossa Senhora do Socorro