Protesto contra a PEC 241 mobiliza centenas de sindicalistas e estudantes

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 12/11/2016 às 00:00:00

Milton Alves Júnior

Centrais sindicais e grêmios estudantis se mobilizaram na tarde de ontem no Distrito Industrial de Aracaju (DIA) para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional - PEC 241/2016 que pretende congelar os investimentos federais nos serviços sociais até o ano de 2036. Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto tramita agora no Senado. Caso também seja aprovado, o texto segue para ser sancionado pelo presidente Michel Temer. Assim como vem ocorrendo ao longo dos últimos manifestos, os grupos tentam convencer os três senadores sergipanos a votarem contra a PEC.

A mobilização de ontem fez parte de um ato unificado promovido por classes trabalhadoras, movimentos sociais, grêmios estudantis e gestores públicos de vários estados brasileiros. Além de Sergipe, a PEC 241 foi criticada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas, Acre, Pernambuco, Amazonas, Paraná, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul, e no Distrito Federal. Apesar da pressão atribuída pelos militantes, nenhum dos três de Sergipe: Eduardo Amorim, Antônio Carlos Valadares e Maria do Carmo Alves, se manifestaram sobre o pleito.

A perspectiva do Congresso Nacional é que a proposta esteja disponível para votação até o final deste mês, semanas antes do recesso parlamentar em Brasília. Esta PEC é considerada pelos governantes como uma das principais esperanças do governo de Michel Temer para tentar reequilibrar as contas públicas e viabilizar a recuperação da economia. Segundo cálculos do Governo Federal, a dívida bruta atual supera 70% do Produto Interno Bruto (PIB). Se os gastos públicos continuarem subindo, Temer e sua equipe alegam que a dívida pode chegar a 132,5% em 2026.

Na avaliação de Rubens Marques, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Sergipe, limitar os gastos junto aos serviços básicos como saúde e educação, tende a proporcionar retrocessos no desenvolvimento do Brasil. A promessa dos trabalhadores é continuar lutando pela 'queda' da PEC. Vale lembrar que a proposta já foi apreciada e aprovada pelos deputados federais. Da bancada sergipana votaram a favor da PEC os deputados: Fábio Réis, Adelson Barreto, Pastor Jhony, André Moura, Laércio Oliveira e Fábio Mitidieri. Votaram contra o projeto os deputados: João Daniel, e Bosco Costa que substituia Valadares Filho - então candidato a prefeito de Aracaju.

"É inadmissível que um governo ilegítimo apresente uma proposta retrógrada como essa e os nossos deputados e senadores sejam cúmplices do mal que será gerado à educação pública, por exemplo. O país está mobilizado para dizer 'não' ao descompromisso que esse governo tem com os estudantes, os trabalhadores e contra todos os brasileiros que imploram por avanços, e não retrocessos", disse Rubens Marques. A fim de garantir a ordem pública, agentes da Polícia Militar e Guarda Municipal de Aracaju (GMA) acompanharam o movimento desde o início da tarde. Agentes do Corpo de Bombeiros também estiveram de prontidão para atuar em casos de incêndio em pneus.

Até o fechamento desta matéria não foram registrados casos de depredação, detenção de militantes, ou conflitos entre manifestantes e policiais. Normalidade na segurança pública, desordem no trânsito. Com o cruzamento das avenidas Tancredo Neves e Adélia Franco praticamente bloqueado, o fluxo de veículos ficou lento e sem êxito operacional por parte dos agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Vias paralelas também sofreram a intensidade da manifestação e semáforos tiveram que ser desligados parcialmente.

-