Quase 800 armas são entregues voluntariamente em Sergipe

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Publicada em 12/11/2016 às 00:01:00

Setecentos e setenta armas foram entregues de forma voluntária em Sergipe desde que foi criado, há cinco anos, o Comitê Sergipano do Desarmamento. A informação foi passada pela coordenadora do Comitê, a delegada Meire Mansuet, durante a Audiência Pública sobre a Cultura da Paz e o Desarmamento, realizada ontem (11) no plenário da Assembleia Legislativa (Alese). A realização do evento é do presidente da Comissão de Segurança Pública, o deputado Capitão Samuel Barreto (PSL).

“É um número bem significativo e nos deixa muito felizes, porque ainda temos as armas apreendidas. É a demonstração de que está havendo uma conscientização do cidadão, de que aquela arma que tem em casa não serve para defender. A partir do momento que o Estado entende que a população precisa se armar, reconhece que está falhando em dar segurança pública. Isso nós não podemos aceitar, o Estado deve dar segurança ao cidadão de bem e desarmar o bandido. A violência só gera violência. A arma só serve para atacar e a gente precisa disseminar essa cultura”, entende.

Em contrapartida, o superintendente executivo da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Coronel Andrade,destacou que as forças de segurança conseguiram apreender em 2016, 1.445 armas, tendo sido pago o valor de cerca de 80 mil reais. “Os organismos de segurança pública estão trabalhando diuturnamente na apreensão de armas. A Segurança Pública não se faz só com serviço de polícia ostensiva, a segurança pública é obrigação de todos”, afirma, acrescentando que as armas apreendidas em todo o Estado não são novas, foram furtadas principalmente de guardas, vigilantes e policiais aposentados.

O palestrante da audiência foi o vice-presidente do Conselho Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Cidadania – Conasp, José Almir Laureano. Segundo ele, é preciso ter respeito à vida.

“A vida humana está muito banalizada e a gente está aqui para mostrar que a vida é o bem maior da existência; as armas e os homicídios não devem nos alcançar. A Campanha do Desarmamento quando foi iniciada em 2003, a sociedade brasileira foi convidada a entregar armas voluntariamente, mas ficou conhecida pelos homens de bem entregar as armas e os bandidos ficarem armados. Nós somos reféns de uma cultura da violência e sem se dar conta somos vítimas por produtores dessa violência. É como se fosse o Davi e Golias que tira o nosso sossego e ficamos sem nos dar conta como isso vai se reverter”, disse, ressaltando que são mais de 18 mil armas circulando no país.

A audiência foi presidida pelo deputado Samuel Barreto. De acordo com ele, desde o início da Campanha do Desarmamento, a violência cresceu em Sergipe. “Esse debate é importante para que a sociedade faça uma reflexão sobre a Lei do Desarmamento, pois em Sergipe a violência cresceu 200%. Eu defendo a lei, porém a situação de violência chegou a tal ponto que temos que fazer uma análise. O Governo do Estado, o Governo Federal e os municípios fizeram campanha para desarmar o cidadão, que entendeu a lei e se desarmou. Porém a parte que cabia ao Estado que era desarmar o bandido não funcionou. Hoje você tem toda uma sociedade desarmada e por outro lado os bandidos se armaram cada vez mais. O Executivo falhou e com a propaganda conseguiu desarmar toda uma sociedade. Não é o caminho flexibilizar o cidadão para andar armado nas ruas, mas flexibilizar para que na residência o cidadão de bem tenha o direito de ter uma arma para defender a si próprio, a sua família e o seu patrimônio”, enfatiza.

Ao final do evento, alguns participantes da audiência pública a exemplo do capitão Samuel e do ex-secretário Mendonça Prado foram homenageados por meio da entrega de troféus pelos representantes do Comitê Sergipano do Desarmamento.