Vítimas de câncer não têm tratamento adequado na rede pública de saúde

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Publicada em 13/11/2016 às 00:04:00

Milton Alves Júnior

A falta de estrutura adequada e medicamentos têm levado milhares de sergipanos diagnosticados com câncer ao nível máximo do desespero. Ao longo deste ano o Jornal do Dia vem mostrando semanalmente casos de pacientes que necessitam de assistência emergencial por parte do Sistema Único de Saúde (SUS), mas acabam observando o sonho de vencer a doença abrindo espaço para a dor e a morte. Nos dois maiores hospitais públicos do estado o setor de oncologia trabalha com máquinas sucateadas, insalubridade e constante falta de medicamentos.

Como se não bastassem todos os percalços administrativos que geram o fortalecimento da doença, a superlotação contribui para que o sucesso no tratamento esteja mais distante para a população que não possui condições financeiras para pagar exames e consultas em unidades da rede particular. Para se ter noção do caos enfrentado, no Hospital de Cirurgia o tratamento segue suspenso desde o dia 28 de outubro devido à pane operacional da única máquina de radioterapia disponível para atender centenas de pacientes. Essa foi a terceira vez que o equipamento parou somente neste semestre.

Conforme estatísticas feitas pela direção do HC, estima-se que mais de 50 pessoas por dia seguem sendo prejudicadas com a falta do equipamento. Um dos motivos reais desse retrocesso se deve a fatores governamentais; com uma dívida orçada em mais de R$ 8 milhões por parte da Prefeitura de Aracaju, a direção da unidade diz encontrar dificuldades para quitar pagamentos salariais, aquisição de medicamentos, além da compra de aparelhos novos e manutenção das peças. A crise operacional e financeira do HC se estende há cinco meses quando a PMA deixou de realizar os repasses de verba conforme previstos judicialmente.

Se na unidade filantrópica - que atende 95% dos pacientes do SUS sofre com problemas estruturais -, no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), a situação não é nada diferente. No Centro de Oncologia Dr. Oswaldo Leite, a cada novo mês o fluxo de pacientes oriundos dos mais diversos municípios sergipanos só faz ampliar a fila de espera que se resume em angústia e sofrimento. Durante todo o mês de outubro e início de novembro grupos de apoio a pessoas com câncer denunciaram as irregularidades existentes no maior hospital estatal de Sergipe. A precariedade na ausência de medicamentos e sequência de assistência médica de qualidade tem conduzido pacientes do SUS à morte.

Na madrugada da última terça-feira, 07, a doença venceu mais uma vez e vitimou a paciente Maria José Barreto Oliveira, 58 anos, moradora da cidade de Nossa Senhora Aparecida. No início deste ano Maria Barreto foi submetida a enfrentar uma maratona de 18 sessões de quimioterapia no Hospital de Cirurgia; desde então apenas tinha enfrentado cinco procedimentos. Por diversas vezes, quando se deparava com o serviço indisponível no HC, se deslocava até o Huse e se deparava com a mesma situação. Sem a assistência, o jeito era voltar para a terra natal e torcer para que o câncer não progredisse durante o largo período sem quimioterapia.

Se a situação atual é de pânico, a perspectiva para este final de ano e todos os meses de 2017 não é das melhores. Isso porque o Brasil deverá registrar no próximo ano 596.070 novos casos de câncer. Entre os homens, são esperados 295.200 novos casos, e entre as mulheres, 300.870. A informação é do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), que anuncia as estimativas nacionais e regionais de casos novos da doença para o biênio 2016 / 2017.