Famílias de sem teto voltam a ocupar clínica abandonada no Siqueira Campos.

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Publicada em 18/11/2016 às 00:50:00

Milton Alves Júnior

Dois meses e 17 dias após o poder judiciário sergipano ter cumprido o processo de reintegração de posse da antiga Clínica Santa Maria, no bairro Siqueira Campos, dezenas de pessoas voltaram a ocupar o espaço alegando não ter condições de residir em outro espaço. Sem dispor do auxílio moradia, cerca de 80, das 230 famílias contabilizadas no momento da reintegração já retornaram à antiga clínica que estava ocupada desde junho de 2014. A direção do movimento comunicou que desta vez os invasores apenas deixarão o local diante da garantia de obter um local fixo - casa popular -, para se dirigir.

Segundo José Bispo, representante das famílias e membro da Frente Nacional de Luta (FNL), no momento da evasão determinada pela justiça a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), prometeu conceder auxílio emergencial para os sem teto, mas até o início desta semana nenhum benefício foi repassado. Após a saída obrigatória, mais de 120 pessoas permaneceram morando debaixo de barracas montadas na Rua Espírito Santo por 18 dias. Alguns moradores da região criticaram a invasão promovida na rua e chegaram a pedir o regresso das famílias para a antiga clínica.

"Infelizmente todos nós passamos por dificuldades extremas, não temos para onde ir, não temos famílias ou amigos que aceitem nos abrigar, isso tudo junto com a falta de assistência da prefeitura fez com que todos eles aqui decidissem ocupar novamente essa área. Quando fomos expulsos era um período de chuva; perdemos os únicos móveis que a gente tinha e agora até os moradores aqui do bairro estão trazendo doações para a gente", esclareceu. O poder judiciário ainda não se manifestou publicamente sobre a nova invasão. A PMA também não rebateu as críticas feitas pelas famílias.

Sobre a perspectiva de seguir ocupando a antiga clínica por tempo indeterminado, José Bispo ressaltou que o tempo de ocupação vai depender exclusivamente dos interesses do prefeito João Alves Filho. Ele alega que, caso o gestor deseje atender as reivindicações dos ocupantes, o local será esvaziado em curto prazo, Caso contrário a situação se estenderá até o retorno de Edvaldo Nogueira à PMA.

A ocupação recebe o apoio da Frente Nacional de Luta (FNL), como também do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbano (Motu), e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).Conforme dados da coordenação de ocupação da antiga Clínica Santa Maria, o local chegou a numerar 230 barracos e aproximadamente 1.100 moradores. Desse total, menos de 10% conquistaram o auxílio moradia que custa em média R$ 300.