DITADURAS ESQUECIDAS E AGORA, ATÉ, DESEJADAS

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Publicada em 20/11/2016 às 00:54:00

DITADURAS ESQUECIDAS E AGORA, ATÉ, DESEJADAS

Na Espanha, aquele outono de 1975 começara bastante friorento e mais intenso ainda na capital Madrid, sobre o altiplano onde se destacam as cumeadas da Sierra Nevada. No soturno e sombrio Palácio de El Pardo, o ditador Francisco Bahamonde Franco, depois de receber 38 litros de sangue para compensar a incontrolável hemorragia, começava a exalar um odor pútrido.   Um mês e meio antes, no dia da “Hispanidad”, 1º de outubro, ajaezou-se com o uniforme de capitão-general, envolveu-se num grosso capote e preparou-se para ir à Praça do Oriente, onde as hordas fascistas o esperavam para a comemoração. Já era quase um cadáver.

Ao preço sinistro de 600 mil mortos, a guerra civil espanhola terminara em 31 de março de 1939, com a vitória dos falangistas liderados por Franco, que tornou-se ditador, “caudillo por La gracia de Díos”, como logo  foi intitulado.

O Papa Pio XII exultou com o banho de sangue, e telegrafou ao general vitorioso, associando indevidamente Deus, ao seu júbilo: “Erguendo o nosso coração para o Senhor, damos-Lhe com Vossa Excelência os nossos mais sinceros agradecimentos pela vitória da Espanha católica”.

A “Espanha católica”, por obra e graça do seu ditador, com as graças de Deus, começou a ouvir dia e noite o detonar contínuo dos pelotões de fuzilamento, executando sumariamente mais de 150 mil prisioneiros.

Na Praça do Oriente soprava, vindo do norte, um vento gelado. O ditador tremia, os áulicos o amparavam, limpavam o catarro sanguinolento que lhe escorria da boca.

A turba fanática uivava ao longo da praça extensa: “Não somos muitos, mas somos machos. Não queremos abertura, queremos mão dura”.

Pela última vez o feroz e vingativo ditador, ergueu o braço na saudação fascista, e, da curta arenga entrecortada pela tosse, conseguiu-se gravar de forma entendível, apenas uma frase: “Temos de exterminar a conspiração maçônico-esquerdista da classe política em contubérnio com a subversão terrorista e comunista”.

Três dias antes, 27 de setembro, o moribundo recusara-se a ouvir clamores do mundo e também um pedido do seu médico particular, o Dr. Puigvert, para que suspendesse a execução de cinco jovens, acusados de conspiração. Franco decidiu que seria daquela vez bonzinho, concedendo aos condenados o direito de escolherem como deveriam morrer: se pelo garrote vil (cruel instrumento medieval de tortura) ou por fuzilamento. Todos foram fuzilados.

 O “generalíssimo” espichou a sua vida infame até o dia 19 de novembro, quando a agência Europa Press anunciou ao mundo quase em euforia: “Franco morreu, Franco morreu, Franco morreu”.

Aquele bando desatinado que ocupou a Câmara dos Deputados, pedindo ditadura e implorando, a generais inexistentes, que cumpram a repugnante tarefa de instalar um regime de força, seria apenas um aglomerado grotesco e caricato, não fosse a lembrança aterradora de tantas tragédias que a História nos revela e, ao mesmo tempo, adverte.

Quando, na tarde aziaga de 13 de dezembro de 1968, o general-presidente Costa e Silva reuniu o seu ministério para anunciar a edição do Ato Institucional nº 5, um dos ministros, o coronel R/1 do Exército, Jarbas Passarinho, que era político, um homem culto e liberal, ao apoiar a edição do monstrengo, disse com ênfase: “Às favas com os escrúpulos”.

Ou seja, admitiu que ditadura e dignidade humana são incompatíveis.

Mas há quem, até tendo escrúpulos, prefira em algumas ocasiões jogá-los ao lixo, ou às favas.

O antídoto mais eficiente contra todas as formas de extremismo é a força da democracia. Todavia, para que exista essa força, os políticos, as instituições, se devem fazer respeitados.  Mas aí já é outra história.

 

 

O EQUIVOCO NOSSO E A RESPOSTA DA CODEVASF

O jornalista Fernando Pires, diligente assessor de comunicação social da CODEVASF, enviou nota de esclarecimento a respeito de comentário aqui publicado, sobre aquela empresa e o pernicioso controle partidário eleitoreiro sobre ela exercido. O equivoco foi em relação à nova presidente da CODEVASF, que identificamos como se fosse uma assessora do gabinete do senador Valadares. Na verdade, a servidora em questão foi sim, nomeada, mas, para exercer outro cargo que não a presidência.

Afirmamos também, que o senador, no período eleitoral, fez nomeações para aquela estatal de várias outras pessoas, inclusive de um cunhado seu, para cargo importante. Nomeou também familiares de cabos eleitorais que trabalhavam no comitê eleitoral do seu filho, então candidato a prefeito de Aracaju. O equívoco, portanto, prende-se apenas ao caso específico da presidência, para a qual, segundo a nota, foi nomeada uma servidora de carreira, natural de Goiás. Ela é zootecnista, Mestre em Ciências Agrárias e Doutorada em Zootecnia. Tem, por conseguinte,as qualificações indispensáveis. Chama-se Kênia Marcelino e tornou-sea primeira mulher a dirigir a CODEVASF.

O senador Valadares, por ausência de quadros no seu definhante PSB sergipano, repetiu um resiliente procedimento da escolha sempre recaindo no agrônomo Paulo Viana, por sinal um técnico competente. Mas ele foi recusado, em virtude do veto a nome com filiação partidária. O que vem a ser, apenas, uma tola hipocrisia.

O lamentável é que o senador Valadares, representante de Sergipe, não tenha enxergado competência em nenhum gestor sergipano sem filiação partidária, para ocupar um posto no segundo escalão do governo federal, o que sempre, para nós, costuma sobrar.

Na nota elaborada pelo jornalista Fernando Pires, é destacado o trabalho realizado pela técnica da CODEVASF há 13 anos, a Doutora Kênia. Transcrevemos: “que lhe permitiu contribuir para transformar a realidade da população ribeirinha que habita os vales dos rios S. Francisco, Parnaíba, Itapecuru e Mearim, por meio de ações como as de revitalização hidroambiental das bacias, saneamento, desenvolvimento territorial e arranjos produtivos  locais”.

A propósito dessas ações citadas, lembramos que os ribeirinhos do baixo São Francisco estão a esperar que por ali elas cheguem, enquanto sofrem a falta de suprimento de água, convivem com esgotos despejados direto no rio e empesteando as suas águas, tudo isso, consequência de obras nunca concluídas corretamente pela errática CODEVASF. Os ribeirinhos do baixo São Francisco registram índices de desenvolvimento humano calamitosos, idênticos aos que existiam desde que, há 42 anos, foi criada a CODEVASF, que serve, sem dúvidas muito bem, a objetivos personalistas e eleitoreiros.

 

 

A CANSEIRA DO CAMINHO E O PESO SOBRE EDVALDO

Nessa sexta-feira, Jackson saiu da casa onde mora há mais de vinte anos na Atalaia e começou uma longa caminhada até o Mosteiro dos Frades Capuchinhos, no Bairro América. Percorreu quase doze quilômetros. Foi uma exaustiva prova de resistência, em marcha quase acelerada, algo incomum para quem já ultrapassou os 70 anos. Perguntado por repórteres qual o motivo daquela áspera jornada, Jackson respondeu: “Faço uma prova que é para mim muito mais espiritual do que física, por isso, encontro forças. Estou pagando uma promessa que fiz a São Judas Tadeu, antes da eleição aracajuana, em que o povo nos deu a vitória, elegendo Edvaldo e Eliane. Vou ajoelhar-me durante a missa agradecendo a Deus por tudo o que tenho recebido e pedir que me dê forças para corresponder à confiança e generosidade dos sergipanos”.

No percurso, era saudado festivamente pelas pessoas, uma atitude espontânea, muito rara nesses tempos em que os políticos andam em baixa e quase só ouvem vaias, ou o espocar de foguetes, quando saem presos à caminho das penitenciárias.

O gesto público de Jackson faz recair sobre os ombros de Edvaldo responsabilidades ainda maiores. Ele não pode falhar, não pode decepcionar os aracajuanos, os que nele votaram, os que nele não votaram e os que anularam o voto, no protesto mudo contra a classe política.

Edvaldo,em quem a maioria dos eleitores acreditou, não pode ser apenas um prefeito razoável, muito menos medíocre. Terá de ser um excelente prefeito.

 

 

LA VEM DE NOVO O FMI NOS FISCALIZAR

Parecia que aqueles senhores e senhoras intrometidos, os técnicos do Fundo Monetário Internacional, nunca mais viriam ao Brasil monitorar as nossas finanças, bisbilhotar sobre a nossa vida. O FMI assemelha-se a um abutre que sobrevoa a terra buscando carniça. A economia brasileira apodreceu, e isso parecia há pouco tempo improvável. Temos, porém, vistosas reservas em dólares e não estamos, ainda, próximos daquelas crises de quebradeira completa, que fizeram Fernando Henrique sair de pires na mão e com o apoio do colega presidente americano, Bill Clinton, conseguiu uma injeção de dólares do FMI, que aliviou as agruras imediatas. Na condição de devedores e falidos, tínhamos mesmo que nos submeter às exigências do Fundo, que organiza tudo para que a elite financeira da agiotagem primeiro mundista, tenha assegurados os seus créditos.

A turma do FMI vai imiscuir-se principalmente nos estados onde os cofres esvaziaram-se. Enquanto isso, fica suspensa a esperança da chegada de grandes investimentos estrangeiros ao Brasil. Ninguém virá investir num país onde a maioria dos integrantes da federação não consegue, sequer, honrar o pagamento da folha dos servidores e uma parte considerável da elite empresarial e política está vendo o sol nascer quadrado. Por isso, nessa semana que começa, governadores irão ouvir em Brasília um discurso mais acessível aos seus pedidos de ajuda.

 

 

ALFABETIZANDO QUEM DEVE SER ALFABETIZADO

 Mário Simonsen foi um homem de extraordinária capacidade intelectual, beirava a genialidade, e era também recordista no consumo de uísque e cigarros.  Fatalista em relação à própria vida, não ligava muito para a perspectiva de morrer cedo. Para ele, a vida perdia a graça, sem o néctar escocês, os cigarros, sem ler e escrever livros, sem as óperas que ele também interpretava com voz forte de barítono.  Exemplar homem público, foi Ministro da Fazenda e, nesse tempo, grafou, em relação ao MOBRAL, a frase que estimularia controvérsias, limitada porém, ao espaço delimitado pela ditadura intolerante. Disse Simonsen: “Alfabetizar quem já gastou boa parte da vida, é um investimento sem retorno”.

O secretário da Educação, professor Jorge Carvalho, deve concordar, em parte, com o que disse Simonsen. Por isso, está direcionando o esforço de alfabetizar, exatamente para escolas onde estão alunos entre seis e nove anos. Instalou nas escolas estaduais e municipais de 14 municípios situados na bacia do São Francisco, um novo sistema de alfabetização, conceituado como aletramento e numeramento. São aplicadas técnicas da neurociência, para que o processo de aprendizagem tenha maior efetividade. O objetivo é fazer com que a criança, alcançando os nove anos, já saiba ler, escrever, interpretar textos, bem como elaborar corretamente as quatro operações fundamentais, e adquirir a base do raciocínio matemático. O governo do estado espera começar a reduzir o espantalho assustador dos analfabetos funcionais, encontrados hoje até em faculdades.

 

 

O GABINETE DO SENADOR AMORIM E A CODEVASF

Saiu do gabinete do senador Amorim a nota que informava sobre o cancelamento da visita que faria a Sergipe a presidente da CODEVASF. A nota explicava o motivo, alegando que a suspensão ocorreu em consequência de um acidente na BR101, causando a morte de cinco pessoas, todas elas de Propriá. Acrescentava a informação que a visita se tornaria imprópria no momento em que a cidade estava enlutada.

 A senhora Kênia poderia perfeitamente vir, visitar os perímetros irrigados, verificar obras mal feitas ou paralisadas, sem necessidade de ir a Propriá.

Sobre a explicação emitida pelo gabinete do senador Amorim, o ex-deputado Jorge Araújo, com excelente memória para as ocorrências políticas de Sergipe, lembrou que, há uns dois anos, o então presidente da CODEVASF anunciou que viria a Sergipe com o senador Amorim. O senador Valadares era então adversário do senador Amorim, com ele disputava prestigio e sentiu-se diminuído com aquela visita, até porque a CODEVASF em Sergipe era por ele controlada, sendo dirigida por Paulo Viana e a ele nada fora comunicado sobre a vinda do presidente. Valadares era então aliado incondicional da presidente Dilma e foi ao Planalto reclamar, alegando que ele, e não o senador Amorim, é que deveria agendar a visita.

A visita foi cancelada e Valadares, vencendo a parada, comemorou efusivamente o golpe aplicado em Amorim, para mostrar quem era mesmo o galo no terreiro de Brasília.

 

 

A CONSCIÊNCIA NEGRA A FORÇA DO CANDOMBLÉ

Dia 20, comemora-se o Dia da Consciência Negra. Vale uma reflexão sobre o ameaçador panorama mundial. Trump, um histriônico perigoso, vai apresentando a sua assustadora camarilha, com nomes já anunciados só de brancos extremistas, entre eles um racista, cuja indicação foi festejada pela criminosa organização Ku-Klux-Klan, responsável, através da sua nojenta história, pelo assassinato de milhares de negros. A Ku-Klux-Klan fará um desfile em regozijo pela vitória de Trump. A onda de extremismo de direita já percorre a Europa. A fascista Marine Le Pen, pode reeditar, na França, a tragédia política registrada nos Estados Unidos. Há nuvens tempestuosas e precisamos começar a nos precaver contra essa tormenta de ódios que se arma, ou já acontece. Não somos ainda, infelizmente, aquele país falsamente desenhado, onde todas as etnias, todas as religiões conviveriam em paz, num clima perfeito de compreensão e cordialidade.

Episódios isolados acontecendo aqui e ali, demonstram que a intolerância existe e é ameaçadora.

Em Aracaju, um terreiro de Rita de Cássia, Mãe Tassitaôô que completava meio século, associou suas festividades e seus cultos à data da Consciência Negra e fez uma dupla comemoração.

As religiões afro-brasileiras, por não alimentarem intolerâncias, por não se intrometerem naquilo que fazem ou deixam de fazer as pessoas na intimidade dos seus corpos; que não se perdem em desvios preconceituosos, que pregam a solidariedade, a respeitosa devoção à natureza, talvez, por assim serem, se tornam alvos preferenciais da arrogância e violência dos que se deixam dominar pela irracionalidade do fanatismo. O candomblé continua, infelizmente, sendo visto por uma parte da população desinformada, como algo maléfico, que deve ser combatido.

 

 

O HOSPITAL DO CÂNCER E AS MÁFIAS DA SAÚDE

Muito se tem discutido, muito se tem politizado ou partidarizado, o que é ainda um projeto: o Hospital do Câncer. A ideia surgiu em meio à comoção pela agonia de Marcelo Déda.

Nessa segunda-feira a OAB-SE promove um oportuno debate público sobre o câncer e os meios que o poder público disporia para enfrentar a doença insidiosa. É uma tentativa, também, de fazer um diagnóstico sobre o problema, apontar falhas e suas possíveis soluções.

Há quem assegure, com conhecimento de causa, que o câncer, além de problema grave de saúde pública, seria também um delito a merecer investigações da Polícia Federal. Suspeita-se que exista uma máfia envolvendo vários setores, faturando alto com os assombrosos preços de medicamentos e até fornecendo remédios a “pacientes” que já morreram, ou seja, haveria uma fraude imensa, contribuindo para tornar mais graves as consequências da doença.

Mas aqui tratamos apenas do caso do projetado hospital. A coisa começou mal, sendo de início politizada, alvo de disputas desnecessárias de prestigio, ou supostas autorias da ideia. Não se pensou ainda sobre o custo de um hospital que será frequentado também, por pacientes de vários outros estados. No Recife, o Hospital do Câncer que já foi referência, está em crise. Outros semelhantes passam pela mesma situação. Sem desprezar a necessidade de melhorar o atendimento aos, cada vez mais numerosos, pacientes com câncer, talvez o debate pudesse tomar um caráter mais técnico, sobretudo, baseado em custos e a possibilidade de serem cobertos pelos cofres estaduais. Afirmam técnicos que a manutençãoo hospital custará por mês algo em torno de 40 milhões de reais.

No HUSE, o tão criticado e eficiente hospital, já está concluído o sistema de tratamento nuclear, aliviando o drama dos pacientes sofrendo com as constantes panes nos equipamentos sucateados.

Poderia ser instalado, no HUSE, um setor mais amplo, destinado somente ao tratamento oncológico. Seria, então, o passo seguro que poderíamos dar, com as nossas próprias pernas.