Estudantes de Itabaiana ocupam Colégio Murilo Braga

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Publicada em 23/11/2016 às 00:29:00

Milton Alves Júnior

Estudantes do município de Itabaiana se mobilizaram na manhã de ontem no centro da cidade em protesto contra a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional - PEC 55/2016 - antiga PEC 241, a qual pretende congelar os investimentos federais nos serviços sociais até o ano de 2036. Após promover uma caminhada pelas principais ruas e avenidas, o grupo decidiu ocupar as dependências do Colégio Estadual Murilo Braga por tempo indeterminado. A invasão tem como objetivo pressionar os três senadores sergipanos para que não votem a favor da proposta encaminhada pelo presidente Michel Temer.

Os líderes do movimento informaram que a proposta inicial é permanecer ocupando o espaço até que seja apresentado o resultado final da segunda votação da PEC, prevista apenas para o dia 15 de dezembro no Senado Federal, em Brasília. Até lá, todas as atividades educacionais referentes ao final deste ano letivo estarão indisponíveis para centenas de alunos. Professores e pais de alunos que não compartilham com o movimento já se posicionaram favoráveis à reintegração de posse por meio do Tribunal de Justiça de Sergipe.

Ciente das críticas, Ana Laine da Silva, membro do grêmio estudantil, alerta a população para a necessidade de intensificar as ações democráticas a fim de garantir o progresso do país, e não seguir de acordo com o 'pacote de maldade', como avaliam os alunos. Ela pede paciência, e, sobretudo, apoio incondicional por parte de todos os sergipanos. "Precisamos atuar firme e exigir que os senadores não aprovem essa PEC que só proporciona retrocesso para todos nós. Sabemos que a ocupação causa transtornos, mas trata-se de uma mobilização com ideais construtivos, pensando sempre em um futuro melhor para aqueles que ainda tentam acreditar em ordem e progresso nesse país", disse.

A direção escolar, por meio do professor Paulo Cesar, esclarece que existem outras formas de protestar e pressionar os parlamentares sergipanos sem que todos os alunos sejam prejudicados com a ocupação. Assim como tem enaltecido a Secretaria de Estado da Educação (SEED), o direito de manifestação está presente na Constituição Federal de 1988, mas o direito de ir e vir, também. O diretor garante que o grupo que invadiu a instituição escolar poderia conquistar o apoio integral dos professores e demais funcionários da unidade caso optassem por realizar atos públicos que não gerassem contratempos para o Colégio Murilo Braga.

Paulo Cesar se pronunciou ainda sobre os impasses administrativos que começam a interferir na programação estudantil da escola. "Todo o nosso cronograma foi comprometido. Estávamos com uma programação para a celebração do aniversário da escola e agora já não poderemos mais executar, mas no final os grandes atingidos serão os alunos, porque com a extensão das aulas aqueles que prestaram o Enem, se aprovados e chamados pela Universidade antes do término do período letivo, não poderão se matricular porque não terão cumprido a carga horária necessária à aprovação no ensino médio", disse.