Tráfico motiva a maioria de homicídios na capital

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Publicada em 24/11/2016 às 00:27:00

Gabriel Damásio

 

A maioria dos homicídios registrados na Grande Aracaju está relacionada ao tráfico de drogas, sendo que suas vítimas e autores são principalmente os homens jovens, entre 18 e 21 anos, de cor parda e moradores de bairros da periferia, envolvidos em crimes que aconteceram no meio da rua. Estas são algumas conclusões parciais da pesquisa “Violência em Sergipe: uma reflexão necessária”, que será divulgada hoje de manhã pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), durante um seminário para discutir as causas e consequências dos homicídios dolosos em Sergipe.

Esta primeira fase do estudo, realizado pelo Núcleo de Análises e Pesquisas em Políticas Públicas de Segurança e Cidadania (Napsec), da própria SSP, consistiu na análise minuciosa de todos os 539 inquéritos policiais instaurados em 2015pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), referentes aos assassinatos ocorridos ao longo do ano nas cidades de Aracaju, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro. Aracaju foi palco para maioria dos crimes: 327, equivalente a 60,7% do total. Depois, aparece Socorro, com 142 homicídios dolosos (26,3%), seguida de São Cristóvão, com 70 mortes (13%).

O levantamento separou os crimes ocorridos por bairro, conjunto ou loteamento, constatando que o bairro mais violento em número de homicídios é o Santa Maria (zona sul de Aracaju), com 63 crimes. Outros bairros que figuram entre os mais perigosos são Santos Dumont e Olaria, em Aracaju; Parque dos Faróis, Loteamento Novo Horizonte eConjunto João Alves Filho, em Socorro; e Alto da Divinéia, Apicum Merém, Conjunto Eduardo Gomes eLoteamento Tijuquinha, em São Cristóvão. Destes assassinatos, 81% ocorreram em via pública, 14% emresidências e 5% em outros locais, como terrenos baldios, casas abandonadas ou obras da construção civil.E 86,2% foram cometidos com armas de fogo.

Foram definidos ainda os perfis mais comuns dos autores identificados nos inquéritos e das vítimas dos homicídios investigados. A maioria dos assassinos, 95,3%, são homens com até 29 anos de idade. Por outro lado, 94,4% das vítimas eram também do sexo masculino e tinham até 41 anos, com quantidades mais significativas entre 17 e 33 anos. Tanto vítimas quanto autores registraram um pico de envolvidos na faixa entre 18 e 21 anos. Seguindo os critérios de definição de raça do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 88,3% das vítimas e 73,2% eram da cor parda. Prevalece ainda o baixo grau de escolaridade: 60,9% dos assassinos e 69,5% das vítimas nem completaram o Ensino Fundamental (antigo 1º Grau).

Os dados extraídos dos inquéritos revelaram um alto índice de envolvimento com drogas: 85% dos autores e 75,6% das vítimas.Entre os que cometeram os crimes, 56,9% são traficantes e 24,5% são usuários, Quanto às pessoas assassinadas, a relação é inversa: 49,3% delas eram usuárias de drogas, 23,7%, eram traficantes e 24,4% não tinham envolvimento. Este dado influiu na motivação dos crimes. As drogas ilícitas são consideradas o maior fator de homicídios, com 44,6%, seguindo pelos motivos devingança (28,7%), brigas ou discussões (7%), crimes passionais (6,2%) e vantagem econômica (5,8%).

 

Políticas públicas – A pesquisa completa será divulgada durante o seminário de hoje, promovido pelo Napsecna Academia de Polícia Civil (Acadepol), com participação de profissionais das áreas policial, jurídica, social, educacional, acadêmica e governamental. O objetivo é firmar um pacto para a implementação de políticas públicas “articuladas, preventivas e contínuas” que ajudem a frear e diminuir os crimes de homicídio, sobretudo nas regiões consideradas mais violentas. Os termos destas políticas serão divulgadas em uma carta aberta ao final do evento.

A segunda etapa da pesquisa será deflagrada ainda neste mês, para uma análise semelhante dos homicídios de 2015 na Barra dos Coqueiros e em todas as 71 cidades do interior sergipano. E a terceira, a partir do ano que vem, fará um comparativo dos casos ocorridos entre 2012 e 2016.