Fidel Castro morre em Cuba aos 90 anos de idade

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 27/11/2016 às 00:41:00

Da Agência Ansa

 

O ex-presidente e líder da revolução cubana, Fidel Castro, morreu anos 90 anos de idade, confirmou na madrugada de ontem (26) seu irmão e sucessor, Raúl Castro. As informações são da agência Ansa.

Em um anúncio na televisão, Raúl disse que era "com profunda dor" que confirmava a "morte do comandante Fidel Castro Ruz", falecido às 22h29 de Havana do dia 25 de novembro de 2016.

"Em cumprimento da expressa vontade do companheiro Fidel, seus restos mortais serão cremados", afirmou Raúl, demonstrando emoção ao ler o breve comunicado.

Fidel Castro foi o herói histórico da esquerda moderna, o homem que mais desafiou os Estados Unidos. Mas, na opinião de líderes de centro-direita, Fidel era um ditador sanguinário e o culpado por isolar a ilha de Cuba por quase 60 anos de todo o mundo.

Conhecido como "Comandante" pelos cubanos, Fidel era personagem de várias histórias e boatos. "Ele não dorme", "ele não esquece de nada", "é capaz de te penetrar com o olhar e descobrir quem você é".

Fidel sempre teve uma saúde de ferro, até quando enfrentou uma hemorragia intestinal durante uma viagem à Argentina aos 80 anos de idade. Em 31 de julho de 2006, os problemas de saúde provocados pelo avanço da idade o fizeram delegar temporariamente o poder a seu irmão Raúl.

Em fevereiro de 2008, Fidel renunciou oficialmente ao cargo de presidente cubano e, desde então, era o principal conselheiro do Partido Comunista e do novo governo.

A era Fidel Castro vem se dissolvendo pouco a pouco, enquanto uma nova Cuba surge devido a uma série de reformas econômicas e da retomada das relações bilaterais com os Estados Unidos, rompidas há mais de meio século.

Fidel assistia a tudo isso de longe, mas não deixava de fazer suas análises em artigos publicados no jornal oficial cubano Granma. A fragilidade da sua saúde já tinha provocado boatos sobre sua morte várias vezes nas redes sociais.

 

Funeral - O governo de Cuba anunciou ontem (26) que o funeral de Fidel será no dia 4 de dezembro, no cemitério Santa Efigência, na cidade de Santiago de Cuba. Mas o corpo do ex-presidente deve ser cremado, conforme a vontade do próprio Fidel, informou seu irmão e sucessor político, Raúl Castro.

Cuba decretou nove dias de luto nacional pela morte do ex-presidente e líder da revolução cubana, Fidel Castro, contados a partir deste sábado.

 

Cuba decreta luto de 9 dias pela morte de sua maior liderança

Iolando Lourenço

Agência Brasil

Cuba amanheceu o sábado (26) sob um clima de tristeza pela morte da maior liderança política do país e, talvez, um dos maiores líderes mundiais dos últimos anos, Fidel Castro.

A morte de Fidel foi anunciada na televisão estatal cubana pelo irmão dele, o presidente de Cuba, Raúl Castro, que decretou luto oficial de nove dias no país. A comissão organizadora dos funerais do líder cubano divulgará informações detalhadas sobre as homenagens póstumas ao fundador da revolução cubana.

Ao anunciar a morte de Fidel, Raul Castro afirmou: “Com profunda dor, compareço para informar ao nosso povo, aos amigos da América e do mundo, que hoje faleceu o comandante e chefe da revolução cubana Fidel Castro Ruz. Em cumprimento a vontade expressa do companheiro Fidel seu corpo será cremado. Até a vitória. Sempre”.

Fidel Castro é, ao mesmo tempo, adorado por muitos cubanos e também odiado por outros tantos que se exilaram principalmente nos Estados Unidos para fugir do regime socialista implantado durante a revolução cubana, liderada pelos irmãos Castro. Milhares de cubanos, que moram principalmente em Miami, nos Estados Unidos, saíram às ruas para celebrar a morte de Fidel. 

As histórias da revolução cubana e de Fidel Castro, que morreu aos 90 anos, misturam-se em Cuba. Em 1959, Fidel e um grupo de revolucionários - incluindo Raúl Castro, seu irmão, e Che Guevara - instauraram o regime socialista na ilha. Em 2008, por estar com o estado de saúde abalado, Fidel se afastou definitivamente da Presidência da República de Cuba, passando o cargo a seu irmão Raúl.

Mas, manteve-se no comando do Partido Comunista de Cuba. Além de prestar orientações ao governo do irmão, continuou sendo a maior liderança do país.

Oficialmente, não houve justificativas para o afastamento de Fidel do poder e sua substituição por Raúl. Mas informações não oficiais confirmavam que o estado de saúde do líder era frágil, agravado por um câncer no intestino.

Ao longo de quase meio século no comando de Cuba, Fidel consolidou a imagem de força, resistência e crítica aos Estados Unidos, caracterizado por ele como “império capitalista”.

Nos anos 2000, durante reunião de chefes de Estado das Américas, no Rio de Janeiro, Fidel desapareceu no exato momento da foto oficial, na qual também estava prevista a participação de George W. Bush – ex-presidente dos Estados Unidos. Ao ser perguntado sobre as razões de não estar presente na fotografia, Fidel foi preciso na resposta: “Estava no banheiro e me demorei lavando as mãos”. Em seguida, soltou uma gargalhada.

Embargo dos EUA dificultou vida dos cubanos - A população cubana vive situação delicada. Desde o fim da União Soviética (1991), o país passou a enfrentar dificuldades econômicas agravadas pelo embargo imposto pelos Estados Unidos (1962).

A maior parte da economia cubana é sustentada por cidadãos do país que vivem no exterior e enviam dinheiro para parentes. A situação econômica em Cuba é difícil devido às dificuldades para importação de bens básicos de consumo.

A comunidade internacional não poupa críticas aos irmãos Castro. Para parte dos líderes internacionais, o regime cubano é fechado, autoritário e com sinais de transgressão à democracia e de violação aos direitos humanos. Uma das críticas é em relação à liberdade política e de expressão. Os adversários dos Castro dizem que são perseguidos politicamente.

O governo de Fidel foi responsável por montar um imenso aparato estatal em Cuba. Para implementar a reforma agrária foi criado o Instituto Nacional de Reforma Agrária. O fim do analfabetismo no país foi obtido por uma campanha maciça envolvendo os chefes de família e de forma impositiva. Para estimular a cultura, foram criadas instituições, como a Imprensa Nacional de Cuba e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica.

Fidel e Brasil - A relação de Fidel com o Brasil foi registrada ao longo da história com encontros com os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. As relações entre os governos do Brasil e de Cuba se aproximaram com a assunção ao poder dos governos petistas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Foram firmados vários acordos em diversas áreas, inclusive com vinda de médicos cubanos para integrar o Programa Mais Médicos.

Cuba e EUA - As relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, que eram das piores, começaram a ser reatadas há poucos anos. Com a interferência do papa Francisco, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro se falaram depois de 55 anos de relações rompidas.

Em dezembro de 2014, os presidentes dos Estados Unidos e de Cuba foram à televisão anunciar que iriam restabelecer as relações diplomáticas que estavam rompidas. Hoje, os dois países mantêm relações diplomáticas.