Valorização da cultura africana e empoderamento da mulher negra marcam Calçadão Popular

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Publicada em 27/11/2016 às 00:47:00

O som dos atabaques e as múltiplas cores da cultura africana tomaram conta do Calçadão da João Pessoa com São Cristóvão na tarde desta sexta-feira, 25, onde uma multidão parou para participar de mais uma edição do projeto Calçadão Popular, realizado pelo mandato democrático e popular da deputada estadual Ana Lúcia. A atividade, que encerrou a Semana da Consciência Negra, debateu o racismo e as diversas formas de opressão sofridas pela mulher negra, por meio de atividades culturais e da sensibilização da população a respeito do tema.

O evento contou com apresentações culturais, oficinas e exposição de artesanato que resgataram e fortaleceram a identidade do povo negro. Em sua apresentação, o professor e bailarino Bosco D'Aracaju emocionou a todos, embalado por canções que resgatam a trajetória de luta do povo negro, como “Canto das Três Raças”, de Clara Nunes. Já o grupo “Nova Era”, do Bairro Bugio, empolgou a população numa apresentação que misturou dança afro e contemporânea.

Sob os versos “Vim de Luanda, meu pai é Rei; Eu sou Princesa Negra, Minha palavra é lei”, o grupo de dança afro “As Dandaras”, da cidade de São Cristóvão, mostrou a força da mulher negra. As mulheres e meninas que formam o grupo homenagearam a orixá Oxum, dançando sob o som da música “Canto para Oxum”.

Outra orixá homenageada durante o Calçadão Popular da Consciência Negra foi Iansã, desta vez pelo grupo “Filhas de Oya”, da instituição Luz do Oriente, localizada do Bairro Industrial. Com seu que com seu afoxé contagiante, o grupo de música e dança fez a população dançar.

 

Preconceito - Para a deputada estadual Ana Lúcia, por trás da falsa ideia de democracia racial e do racismo velado, as mulheres negras são vítimas de diversas opressões e variadas formas de violência. “Essas formas de violência são sistemáticas, e suas causas (o racismo e o machismo) estão nas raízes da formação da nossa sociedade, e ao longo de nossa história elas se cristalizaram de forma perversa em nossa cultura”, destacou a deputada.

A opressão e a violência contra a mulher negra não se manifesta de várias formas: física, sexual, psicológica, simbólica, material. Mas uma das formas mais cruéis de opressão a que estão submetidas as mulheres negras é a disparidade nas oportunidades, seja de estudar, seja de trabalhar em pé de igualdade com os as mulheres brancas, os homens negros e os homens brancos.

“As mulheres negras brasileiras ainda estão na base da pirâmide social e não conseguiram alcançar nem 40% do rendimento total recebido por homens brancos”, reforça Ana Lúcia, destacando que a elas – as mulheres negras – são relegados os postos de trabalhos considerados desvalorizados, como o trabalho doméstico, que representa a principal porta de entrada das mulheres negras (61%) no mercado de trabalho e onde a violação de direitos é mais evidente: cerca de 75% das trabalhadoras não possui carteira assinada.

Outra forma de violência a que as mulheres negras são submetidas cotidianamente é a violência simbólica, que pode ser percebida, entre outras formas, por meio da manutenção dos padrões de beleza que excluem a mulher negra. Estes padrões se reproduzem na mídia, na publicidade e na moda, mas também estão presentes desde a infância: prova disso são as bonecas, que raramente têm a cor da pele negra e os cabelos escuros e crespos.

Outra atividade que chamou a atenção no Calçadão Popular foi a oficina de Turbantes e Torço, ministrada pela artista Negra Luz. A proposta é valorizar a identidade da mulher negra por meio do resgate da estética e da cultura africana e, sobretudo, empoderar a mulher negra. Para as religiões de matriz africana, o torço é um instrumento de proteger o “ori”, que significa cabeça em Yorubá.