Lojistas preveem crescimento tímido nas vendas de final de ano

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Publicada em 27/11/2016 às 00:49:00

Milton Alves Júnior

Começou a corrida nas lojas para as compras destinadas às festas de final de ano. Passada a 'Black Friday' e os 'saldões' destinados à última semana de novembro, lojistas atuantes nos mais variados seguimentos focam no Natal e Ano Novo como oportunidade de fechar o difícil ano de 2016 em curto, porém existente crescimento comercial. Conforme expectativas apresentadas pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL / Aracaju), se comparado ao mesmo período do ano passado, o aumento no fluxo de vendas pode alcançar até 3%. Perspectivas tímidas para um ano nada agradável vivenciada pelo setor lojista da capital sergipana.

Ao contrário de anos anteriores quando os polos comerciais previam aquecimento econômico de até 12% nas vendas, atualmente não se descarta a possibilidade de saldo negativo. Na avaliação de gerentes e vendedores, fica evidente que a instabilidade trabalhista vivenciada por milhares de sergipanos surge como principal ponto de interferência entre a busca pelos produtos e a consumação da venda. Mesmo diante de boas condições para pagamento e ofertas atraentes, o consumidor tem evitado gerar dívidas altas e por longo prazo diante dos sucessivos atrasos nos salários e cortes de demais benefícios.

Com isso, perde a contabilidade das lojas e, consecutivamente, o setor sofre para manter as portas abertas. Para o economista Moacir Pinheiro, o momento não é favorável para os donos de lojas, mas para evitar lucros ainda menores é necessário se reinventar a forma de abordagem e conquista do público alvo. Ao Jornal do Dia o especialista em análise de vendas no atacado e varejo garante que a melhor forma de fugir das baixas previsões de venda é apostando em investimentos como ações de marketing e qualificação dos vendedores. Medidas emergenciais a serem adotadas por aqueles que desejam contrariar a casa dos 3% avaliada pela CDL.

"A situação que vivenciamos se assemelha à queda de dominós; um derruba o outro e quando chega no fim todos perdem. Poucos são os consumidores que trabalham para o estado, ou para prefeitura de Aracaju, e estão seguros para realizar compras neste final de ano. A expectativa de um 2017 semelhante a 2016 tem segurado o instinto de compra do consumidor local", alerta. O ponto de vista exposto por Moacir Pinheiro já vem sendo debatido administrativamente pela cúpula da CDL. Além dos salários mensais, a incerteza de quando o 13º salário estará disponível resulta em 'pausa parcial' nas vendas.

"É preciso enfrentar esse momento com inteligência. Não adianta sonhar em lucro líquido acima do que prevê a CDL diante de um momento tão instável quanto esse. Mudanças na forma de atender o cliente vão ajudar muito, mas o essencial é que os gestores públicos busquem solucionar esses problemas aqui abordados caso não desejem seguir descendo as escadas do crescimento econômico", pontuou. No ano passado a estimativa de vendas chegou a 8%. Em 2014 esse índice foi de 12%. Otimista, o presidente da Câmara de Dirigente Lojistas de Aracaju (CDL), Breno Barreto, prefere pensar no sucesso das vendas.

O mix de contenção de gastos e 'necessidade' de compra vai marcar este Natal e Ano Novo como as festividades das populares lembrancinhas. "Acredito muito nessa hipótese. As pessoas já estão optando por presentes e aquisições pessoais com preços médios. O mercado começa a sentir realmente o clima de Natal e esperamos que ao final deste período possamos contabilizar índices até melhores do que imaginávamos. Estamos cautelosos, mas não podemos deixar de acreditar no aquecimento natural das vendas de final de ano", informou.

Nacional - Conforme dados apresentados esta semana pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), até o próximo dia 31 de dezembro o consumidor vai desembolsar em média R$ 109,81 com cada presente. O valor representa uma queda real, já descontada a inflação acumulada do período - de 5,34% na comparação com o ano passado. Em 2014, o gasto médio por presente havia sido de R$ 125,22. Aos estudos indicam ainda que o gasto deve ser menor entre consumidores das classes C e as mulheres. A estimativa de gasto médio dos dois segmentos deve ser, respectivamente, de R$ 101,42 e R$ 84,65.

"Não quer dizer que esses números serão realmente sentidos por todos os departamentos. Aqui em Aracaju, por exemplo,é possível que seguimentos como calçados e vestuários possam superar os 3% chegando a até 10% de aumento. É importante ressaltar que todas as lojas estão disponíveis a atender o cliente e apresentar uma ampla variedade de produtos. Acredito que iremos concluir este ano números positivos", pontuou Breno Barreto.