Animais resgatados, apreensão de madeira e fiscalização em matadouro

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Publicada em 29/11/2016 às 00:07:00

Os trabalhos da primeira semana da Fiscalização Preventiva Integrada da Tríplice Divisa terminaram em Sergipe com diversos flagrantes de irregularidades ambientais e sanitárias. A FPI é uma grande força-tarefa com o intuito de salvar o Rio São Francisco e também tem a missão de cuidar da saúde e da segurança do trabalho dos ribeirinhos. As fiscalizações acontecem até essa semana e de forma simultânea nos estados de Alagoas, Bahia e Sergipe. Em terras sergipanas, a FPI é coordenada pela Promotora de Justiça Dra. Allana Rachel Monteiro e pela Procuradora da República Dra. Lívia Tinôco.

 

FPI em Sergipe resgata 273 animais silvestres - Desde a última segunda-feira, 21 de novembro, a equipe Fauna da FPI do São Francisco da Tríplice Divisa está em campo, visitando casas, em busca de animais silvestres. Ao longo de três dias de trabalho, 273 animais foram resgatados em diversas localidades dos municípios sergipanos de Poço Redondo e Canindé do São Francisco. No município de Monte Alegre, só em uma casa, 37 bichos de espécies nativas foram entregues durante a fiscalização.

A equipe da FPI explicou aos moradores que criar animais silvestres é crime e que os bichos devem ser, na medida do possível, devolvidos à natureza, e informou, ainda, que as pessoas podem entregar os animais voluntariamente e dessa forma evitarem punição.

A maioria dos animais resgatados são aves. Mas também foram recolhidos 12 jabutis, um teiú e quatro catetos. Eles foram encaminhados ao centro de tratamento montado para receber animais durante as duas semanas de fiscalização. No local, passarão por análise, receberão cuidados e em seguida devem ser encaminhados para soltura. Alguns, por estarem muito debilitados, não poderão ser devolvidos à natureza. Nesse caso, serão destinados aos centros de triagens, zoológicos, criadouros ou a fiéis depositários.

 

Pássaros silvestres em funerária de Porto da Folha - Durante uma operação na manhã da última sexta-feira, (25), membros da equipe Fauna da FPI conseguiram resgatar diversos pássaros silvestres que estavam mantidos em uma funerária de Porto da Folha, de propriedade do senhor Jorge Bizerra da Rocha.

Três gaiolas com dois pássaros, Galo de Campina e um Tiziu estavam localizadas na parte da frente do estabelecimento que também é residência do empresário. Já nos fundos, para a surpresa da equipe, existia um viveiro contendo dezenas de pássaros. Tiziu, Papa-capim, fogo-apagou, Coleirinho, Rolinha do Pará, Curió, além de Asa Branca, espécie ameaçada de extinção.

O proprietário alegou que cria os pássaros há algum tempo e admitiu que já comprou e também ganhou de presente algumas espécies. Jorge Bizerra da Rocha foi autuado, porém fez uma entrega voluntária dos animais, facilitando assim toda a operação.

As aves foram recolhidas pela equipe e passarão por uma triagem com médicos veterinários e biólogos onde serão analisadas para serem introduzidas ao seu habitat natural.

 

Traficante de animais em Porto da Folha - Ainda na cidade de Porto da Folha, no bairro Coroa do Meio, a Fiscalização Preventiva Integrada – FPI conseguiu, por meio de denúncia de moradores, encontrar a casa de um traficante de animais identificado como José Francisco de Oliveira. Na residência foram encontrados cerca de 51 pássaros silvestres, arapucas, gaiolas, rações, pólvora e uma garruncha, arma de fogo usada supostamente pelo proprietário do imóvel.

Há indícios que José Francisco, que também é pescador de rede de arrasto, é caçador e comerciante ilegal de pássaros silvestres. Para se ter ideia, ele mantinha em uma casa de 48m², 51 gaiolas com um passarinho em cada, vivendo em péssimas condições, além de várias arapucas usadas para capturar os pássaros. As aves passarão por uma triagem de biólogos e veterinários e depois poderão ser soltos na natureza.

 

10 toneladas de madeira são apreendidas - Na última quinta-feira, 24, a FPI do São Francisco apreendeu cerca de 10 toneladas em área de caatinga nas proximidades do município sergipano de Monte Alegre. De acordo com o coordenador da Equipe Flora, Romeu Boto, a FPI/SE conseguiu evitar um desmatamento da região ainda no início. Foram apreendidas cerca de 1,5 hectares de lenha desmatada - do total de 50 hectares - resultando em 20 metros cúbicos de lenha, usada para produção clandestina de carvão.

“A caatinga, como se observa, vem sem sendo degradada no seu cotidiano. E percebemos que um dos portes arbóreos da caatinga do maior significado dentro do estado de Sergipe está sendo devastado. Portanto, o objetivo de barrar esse desmatamento significa dizer que os trabalhos da FPI estão sendo concretizados”, enfatizou o analista ambiental, Alberto Santana.

 

Matadouro e mercado público são fiscalizados pela FPI - A equipe de abate da FPI do São Francisco da Tríplice Divisa fiscalizou o matadouro e o mercado público do município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe.

Ausência de refrigeração, condições insalubres, fezes e sangue em local impróprio e despejo de material no meio ambiente sem tratamento foram algumas das irregularidades encontradas no matadouro. O estabelecimento funcionava sem licença ambiental e sem serviço de inspeção. Pelos fatos, a Adema emitiu autuação e vai encaminhar as informações à Promotoria de Justiça do município para as providências cabíveis.

No mercado público, a FPI constatou o uso de cepos para corte da carne. No momento, a equipe orientou que os cepos devem ser imediatamente revestidos com aço inoxidável. Só dessa forma eles podem permanecer no mercado.