Delegados voltam a suspender atendimento e visitas a presos

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Publicada em 01/12/2016 às 00:36:00

Gabriel Damásio

 

Os delegados da Polícia Civil decidiram retomar as restrições de atividades diárias, em protesto contra o impasse existente nas negociações da categoria com o Governo do Estado. Desde às 18h de ontem, eles suspenderam os plantões extraordinários nas delegacias da capital e do interior, passando a responder apenas pelos turnos definidos em escalas ordinárias. Já a partir das 8h de hoje, os delegados vão suspender as visitas de familiares aos presos custodiados em delegacias e entregar a titularidade de unidades policiais acumuladas ilegalmente no interior, alem de limitar o atendimento às lavraturas de prisões em flagrante, termos circunstanciados (TOCs) e guias de exame pericial.

A decisão foi tomada ontem de manhã, em uma assembléia extraordinária convocada pela Adepol. Segundo a entidade, os delegados estão insatisfeitos com o tratamento do Governo em relação ao atendimento das propostas apresentadas pela categoria, as quais incluem o pagamento de horas-extras acumuladas, a reposição de perdas salariais, a definição de carga horária, o aumento do efetivo e a aprovação de leis que alteram a Lei Orgânica da Polícia Civil. Os policiais também reclamam do “crescente número de presos nas delegacias de polícia, em razão da falência do sistema prisional e da inexistência de uma política penitenciária eficiente”.

“Os delegados pretendem cobrar do Governo do Estado uma decisão, porque nós temos projetos que tramitam junto há vários meses à Secretaria de Governo, à Casa Civil e à própria Seplag, regulamentando todas estas questões. Pressionar não, mas vamos tentar sensibilizar o governo para que tome uma decisão”, disse o presidente da Adepol, Paulo Márcio Ramos Cruz, explicando também que outro problema é a acumulação de delegacias, o que faz cada delegado ser responsável por duas ou três cidades ao mesmo tempo. “De 45 delegacias do interior do Estado, 28 são ocupados de forma irregular, porque elas não possuem titulares em razão da falta de um novo concurso público, e o Estado nos obriga a acumular (cidades). Isso se arrasta desde 2008”, afirmou ele, apontando que a prática já foi declarada ilegal por um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE)

A categoria deve fazer uma manifestação a partir das 8h de hoje, em frente ao Palácio de Despachos, no Distrito Industrial (zona sul), onde os delegados tentarão uma audiência com o governador Jackson Barreto. A expectativa é de que os delegados discutam a possibilidade de entrar em greve, caso as reivindicações não sejam atendidas.

 

SSP – Por meio da assessoria, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que foi comunicada da paralisação dos delegados no final da tarde de ontem, por meio de ofício entregue pela Adepol ao delegado-geral do órgão, Alessandro Vieira. O órgão garante que os plantões noturnos nas delegacias plantonistas da capital e do interior serão mantidos para o atendimento ao público, e que as outras reivindicações serão analisadas posteriormente.

Já sobre a superlotação das carceragens das delegacias, a SSP informa que já pediu a abertura de mais vagas no sistema prisional para transferir os detentos que ocupam as unidades policiais, os quais somam hoje mais de 300. Anteontem, 90 homens detidos nas carceragens do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope) e das delegacias metropolitanas do Leite Neto (1ª DM), Getúlio Vargas (2ª DM) e Augusto Franco (4ª DM), foram enviados à Cadeia Pública Territorial Filadelfo Luiz da Costa, o ‘Cadeião de Estância’, em Estância (Sul), inaugurada nesta semana.

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