Subvenções: gerente acusa deputado por saques

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 01/12/2016 às 00:38:00

Mais três testemunhas foram ouvidas na manhã de ontem pelo Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), dentro do processo criminal sobre o Escândalo das Subvenções, que envolve os deputados estaduais afastados Augusto Bezerra (PHS) e Paulo Hagenbeck Filho (PT do B), além de outros sete réus.

Entre as testemunhas, está o bancário José Vadson Rodrigues, ex- gerente de uma agência do Banese que funciona dentro da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). Ele confirmou a movimentação de recursos das verbas repassadas pela Alese à Associação de Moradores e Amigos do Bairro Nova Veneza (Amanova), na qual são investigados os desvios de R$ 1,1 milhão em verbas para contas bancárias dos deputados e de dirigentes da entidade.

Vadson disse em seu depoimento que os recursos foram sacados de uma conta aberta pela Amanova por meio de cheques nominais assinados por Bezerra, e que alguns desses saques foram feitos pessoalmente pelo deputado, que compareceu à agência. Disse também que, em uma dessas visitas, o deputado teria lhe pressionado para negar a presença dele no banco em seu depoimento ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), durante a tramitação do processo que resultou na cassação do mandato. O gerente confirmou a tentativa de pressão e disse que se sentiu ameaçado.

Augusto Bezerra, por sua vez, compareceu à audiência e negou todas as acusações, chegando a dizer que Vadson estava mentindo. Já o seu advogado, Aurélio Belém, apontou que o depoimento do ex-gerente é ‘inconsistente’ e cheio de contradições.

Outras testemunhas ouvidas foram José Williams dos Santos e José Carlos Alves de Oliveira, apontados como titulares de contas bancárias que teriam sido usadas para receber e descontar os cheques emitidos pela Amanova. Eles afirmaram que tudo foi feito a pedido do empresário Nollet Feitosa Vieira, o ‘Carlinhos’, outro réu do processo e apontado como operador do esquema. Nollet foi também citado como o que compareceu outras vezes à agência do Banese na Alese para fazer os saques.

O réu também assistiu à audiência e prometeu se defender de todas as acusações. Ele inclusive compareceu à sede do Ministério Público Federal (MPF) e negou que teria ameaçado matar a procuradora da República Eunice Dantas Carvalho, responsável pela investigação do caso na Justiça Eleitoral. A próxima audiência da fase de instrução acontece amanhã, às 8h, com novos depoimentos de testemunhas arroladas pelo Ministério Público. As sessões vêm acontecendo a portas fechadas no último andar da sede do TJSE, no Centro.