Professores da UFS entram em greve por tempo indeterminado

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Publicada em 02/12/2016 às 00:12:00

Milton Alves Júnior

 

Professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) deflagraram na noite de ontem greve geral e por tempo indeterminado. A decisão foi anunciada após a Associação dos Docentes da UFS ter realizado votação aberta durante assembleia, na qual 177 servidores aprovaram a paralisação em todos os campi. A medida ocorre como forma de protesto contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 55 (PEC 55), em tramitação no Congresso Nacional. Foram contabilizados ainda 165 votos contrários e uma abstenção. Ainda na noite de ontem a decisão foi oficializada no portal de notícias da Adufs e será comunicada na manhã de hoje à reitoria da instituição.

Paralelo à interdição das atividades educacionais, os grevistas pretendem ainda pressionar os parlamentares federais de Sergipe para que eles se apresentem publicamente contra a PEC 55, a qual visa congelar até o ano de 2036 os investimentos públicos essenciais como saúde, segurança e educação. A decisão da categoria já começa a receber o apoio de grêmios estudantis, centros acadêmicos, movimentos sociais e centrais sindicais. Com a paralisação, mais de 20 mil estudantes devem ficar longe das salas de aula.

A direção da Adufs entende que o teto dos gastos – como ficou popularmente conhecida a PEC -, caso seja aprovada pelos senadores e sancionada por Michel Temer, resultará na retirada de direitos previdenciários e trabalhistas, proporcionará mudanças no ensino médio e abrirá caminhos para processos de privatização em vários órgãos estatais. A perspectiva agora é que os senadores sergipanos Antônio Carlos Valadares (PSB), Eduardo Amorim (PSC), e Pastor Virgílio (DEM), substituto da senadora Maria do Carmo Alves (DEM), votem contrário à proposta.

Apesar da pressão já atribuída pelos manifestantes em todo o Brasil ao longo dos últimos 15 dias, na última terça-feira, 29, os senadores se reuniram em Brasília e na primeira votação aprovaram a PEC, por 61 votos a favor e 14 contrários. Finalizado este primeiro embate, a proposta segue para análise em segundo turno que está marcada para acontecer no dia 13 de dezembro.

Nacionalmente, já são 41 universidades e institutos federais de ensino que pararam suas atividades por tempo indeterminado contra a PEC 55 e a MP 746. Segundo o sindicato nacional, essa é a primeira greve unificada dos dois setores representados pelo ANDES-SN – professores federais e estaduais de ensino superior - desde a greve contra a Reforma da Previdência, em 2003.