Jackson pede "diálogo" e "respeito" de delegados

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Publicada em 02/12/2016 às 00:15:00

Gabriel Damásio

 

O governador Jackson Barreto (PMDB) criticou o movimento deflagrado ontem pelos delegados da Polícia Civil, que suspenderam os plantões extraordinários e as visitas de familiares aos presos detidos em delegacias. Ele comentou o assunto no começo da noite, durante a solenidade de assinatura da Lei dos Subsídios da Polícia Militar. Os delegados paralisaram algumas atividades de rotina em protesto contra a falta de avanço nas negociações de propostas como pagamento de horas-extras acumuladas, reposição de perdas salariais, definição de carga horária e esvaziamento das carceragens, entre outros.

A princípio, Jackson não quis falar da questão dos delegados aos jornalistas, dizendo que ela seria discutida “em outra oportunidade”. Mais tarde, em entrevista ao vivo à TV Atalaia, ele afirmou que os delegados “se fecharam” ao diálogo com o governo e “ignoraram” a autoridade do governo ao suspender parcialmente o atendimento à população. “O que precisa ser feito na questão dos delegados é diálogo. Se não temos condições agora [de atender às reivindicações], diremos que ‘em tal época teremos condições’. Agora, o que não pode é os delegados se fecharem do dia pra noite e darem manchete de jornal, ‘não podem visitar os presos’, como se o Estado não tivesse governo, nem secretário da Segurança, e cada um quer fazer da sua forma. Não pode ser assim. Tem que haver respeito à autoridade também, não é?”, disse o governador. 

Jackson também se referiu às negociações que permitiram a definição dos subsídios que serão pagos a partir de 2018 aos bombeiros e policiais militares. “É dialogar! Olha aqui uma vitória da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros: nasceu do diálogo. Por que não dialogar? Eu não me fechei pra não dialogar. Agora, não precisa dessa forma. Na hora das dificuldades que a população vem passando com esse drama da segurança, e aí cada um dos delegados se fecha em copas? Ah, não é legal, né?”, criticou, garantindo que, a partir do ano que vem, irá definir um calendário para a convocação de novos candidatos aprovados no concurso da Polícia Civil, mas a depender das condições financeiras do Estado.

A avaliação da Secretaria da Segurança Pública (SSP) é de que, até a tarde de ontem, não houve grandes prejuízos ao funcionamento das delegacias, principalmente no que se refere ao atendimento das ocorrências. Nas 28 delegacias do interior que eram acumuladas por delegados lotados em outras cidades, e que tiveram suas titularidades entregues à Delegacia-Geral da Polícia Civil, o registro das ocorrências é realizado por agentes e escrivães, mas as instaurações de inquéritos e as lavraturas das prisões em flagrante passaram a ser encaminhadas às Delegacias Regionais correspondentes. Já os plantões noturnos extraordinários foram suspensos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e nas regionais de Propriá, Estância, Lagarto e Nossa Senhora da Glória.

O secretário João Batista Santos Júnior, da SSP, afirmou que acompanha “com tranqüilidade” os movimentos da Polícia Civil, admitindo que, mais à frente, eles podem causar “alguns percalços” no atendimento à população. “Nós estamos aqui para garantir [o funcionamento dos serviços]. A Polícia Civil é formada por profissionais de alto gabarito e muito responsáveis. Eles sabem muito bem qual é a hora de reivindicar e qual a hora de não prejudicar a população. Todos têm direito às sua reivindicações e manifestações e tenho certeza que elas não vão atrapalhar a sociedade”, disse ele. A SSP informou que as questões administrativas presentes na pauta dos delegados estão em análise.

 

Protestos e greve – Um dia após o início da suspensão de atividades dos delegados de polícia, os agentes e escrivães da Polícia Civil ameaçam decretar uma greve por tempo indeterminado. A categoria se reúne hoje, às 9h, no auditório da Academia da Polícia Civil (Acadepol), no Capucho (zona oeste), em uma assembleia convocada pelo Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol). Além da deflagração de uma greve geral, a categoria quer discutir os “reiterados atrasos e parcelamentos dos salários”, além do que consideram “negativa ou omissão do governador em face das propostas apresentadas” pela categoria.

Já a Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol) organizou um protesto realizado na manhã de ontem em frente ao Palácio de Despachos, no Distrito Industrial (zona sul). Dezenas de delegados se manifestaram por pouco mais de duas horas, chegando a ser recebidos pelo vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB). O presidente da Adepol, Paulo Márcio Ramos Cruz, diz que os delegados querem discutir a pauta com o próprio governador e que, até serem recebidos pessoalmente por ele, o atendimento nas delegacias continuará suspenso parcialmente.