Subvenções: contador, arcebispo e outras testemunhas depõem

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Publicada em 03/12/2016 às 00:38:00

Foi realizada na manhã de ontem mais uma rodada de depoimentos do processo criminal do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) contra os deputados afastados Augusto Bezerra (PHS) e Paulo Hagembeck Filho, o “Paulinho da Varzinha Filho” (PT do B), acusados de envolvimento com o Escândalo das Subvenções, que apura o desvio de verbas repassadas pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) a algumas entidades assistenciais. Oito testemunhas de defesa e uma de acusação compareceram à sede do tribunal e foram ouvidas pelo juiz Leonardo Santana Almeida, auxiliar do relator do processo no TJSE, desembargador Roberto Eugênio da Fonseca Porto.

O último dos depoentes indicados pelo Ministério Público Estadual (MPE) foi o contador Hilton Menezes, apontado como titular de uma das contas bancárias nas quais foram identificados depósitos de cheques da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Nova Veneza (Amanova), entidade envolvida com os desvios de verbas das subvenções repassadas a ela pela Alese. Hilton admitiu no depoimento que realmente fez um depósito de R$ 61,8 mil em sua conta, mas a pedido do empresário Nollet Feitosa Vieira, o ‘Carlinhos’, acusado de operar o esquema de desvios descoberto na associação.

O contador disse que dividia o mesmo escritório de contabilidade com Nollet, apesar de trabalharem em salas separadas, e que foi o próprio réu quem lhe procurou para pedir a feitura do depósito do cheque e, posteriormente, o saque do dinheiro em uma agência do Banese – já na companhia de Nollet. Hilton não soube dizer qual era origem do dinheiro e alegou ter se sentido ‘enganado’ pelo colega, ao saber pela imprensa que a Amanova citada no cheque estava envolvida com o Escândalo das Subvenções. A testemunha disse ainda que ‘Carlinhos’ admitiu ter agido de má-fé e lhe pediu desculpas. Os advogados dos réus questionaram verdadeira a atuação de Hilton e chegaram a acusá-lo de ter ficado com parte do dinheiro, o que foi negado durante o depoimento. 

 

Arcebispo – Após o depoimento do contador, começaram a ser ouvidas as testemunhas de defesa. A principal delas foi o arcebispo metropolitano de Aracaju, dom José Palmeira Lessa, arrolado pelos advogados do deputado Augusto Bezerra. O parlamentar indicou o repasse de R$ 25 mil em subvenções para ajudar nas obras de reforma da Catedral Metropolitana, assim como outros deputados da legislatura de 2011 também indicaram. Lessa destacou que as doações individuais de cada deputado estadual chegaram, no máximo, a R$ 50 mil, mas todos os recursos foram integralmente aplicados na reforma, que ainda está em andamento.  E que, enquanto isso, algumas entidades receberam muito mais, a exemplo da Amanova, cujas subvenções ganhas em 2014 chegaram a R$ 2,3 milhões.

Já entre as outras testemunhas ouvidas, estão funcionárias da Diretoria Geral da Alese e dos gabinetes de Augusto Bezerra e Venâncio Fonseca. Elas basicamente explicaram sobre como funcionava o processo de escolha das entidades a serem beneficiadas, de distribuição dos recursos e de fiscalização da aplicação do dinheiro, cuja responsabilidade ficava, segundo elas e em sua maior parte, com cada um dos deputados. Ao todo, 39 testemunhas de defesa foram arroladas pelos advogados dos nove réus, e a previsão é de que elas sejam ouvidas até o início do recesso forense, em meados deste mês. Os deputados e os outros acusados serão ouvidos pelo TJSE no mês que vem.