Edvaldo vai cortar cargos e rever contratos para regularizar a PMA

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Publicada em 04/12/2016 às 00:06:00

Eleito prefeito de Aracaju no segundo turno, numa das mais disputadas eleições na capital, Edvaldo Nogueira (PCdoB) acredita que vai encontrar uma situação caótica a partir de janeiro, quando volta ao cargo após quatro anos. “A crise em Aracaju é grave, uma vez que serviços básicos estão descontinuados e os salários dos servidores não estão sendo pagos em dia. Nosso principal objetivo é normalizar esta situação o mais rápido possível. Para alcançar este objetivo iremos enxugar a máquina ao máximo, o que significa rever contratos, reduzir de forma substancial o número de cargos comissionados e priorizar áreas como Saúde, Segurança, Limpeza Pública e Salários dos Servidores”, explica.

Em entrevista ao JORNAL DO DIA, o prefeito eleito disse que a equipe de transição criada por ele está enfrentando muitas dificuldades na obtenção de informações junto à equipe do prefeito João Alves Filho (DEM) – “há uma excessiva burocracia por parte da atual gestão para nos fornecer dados essenciais à elaboração dos nossos relatórios”.

Edvaldo Nogueira informa que a vice-prefeita eleita Eliane Aquino (PT) vai comandar toda a área social da Prefeitura de Aracaju e diz não ter pressa em anunciar o seu secretariado.

A íntegra da entrevista é a seguinte:

 

Jornal do Dia – Prefeito, o senhor já tem uma previsão do rombo que será deixado pela atual administração?

Edvaldo Nogueira - A população de Aracaju já percebeu a gravidade da crise da nossa cidade. O lixo nas ruas, o atraso no pagamento dos salários dos servidores, os postos de Saúde sem funcionar, os episódios de ocupação da prefeitura. Isso mostra a grave situação que iremos enfrentar ao assumirmos em janeiro. Estes fatos corroboram que há uma dívida imensa não contabilizada, mas ainda não podemos quantificá-la, porque a atual gestão não nos deu condições de termos acesso aos dados integrais.

 

JD – Nos últimos dias o TCE vem adotando medidas para garantir o pagamento dos salários dos servidores e manutenção dos serviços essenciais. Na quinta-feira também foram suspensas licitações para o tal BRT. Quais as providências que serão adotadas no início de sua gestão para normalizar esse quadro?

EN - O Tribunal de Contas do Estado vem atuando para impedir que as gestões municipais, cujos prefeitos não foram reeleitos, não se tornem terra arrasada. A crise em Aracaju é grave, uma vez que serviços básicos estão descontinuados e os salários dos servidores não estão sendo pagos em dia. Como afirmei ao longo da campanha, nosso principal objetivo é normalizar esta situação o mais rápido possível. Para alcançar este objetivo iremos enxugar a máquina ao máximo, o que significa rever contratos, reduzir de forma substancial o número de cargos comissionados e priorizar áreas como Saúde, Segurança, Limpeza Pública e Salários dos Servidores.

 

JD – A equipe de transição está tendo acesso fácil às informações relativas a atual administração da PMA?

EN - Tenho acompanhado de forma permanente o trabalho da equipe de transição. Não tem sido uma tarefa fácil. Temos sim encontrado dificuldades na coleta de informações. Sinto que há uma excessiva burocracia por parte da atual gestão para nos fornecer dados essenciais à elaboração dos nossos relatórios. Mas continuaremos insistindo na busca das informações, para poder o quanto antes ter dimensão exata das condições da prefeitura e definir as nossas ações para recolocar a cidade nos trilhos.

 

JD – Quanto tempo o senhor espera levar para regularizar a situação financeira da PMA?

EN - Como temos tido dificuldade de acesso aos dados, não podemos ainda fazer uma radiografia profunda do quadro da prefeitura. A minha impressão é que só teremos este dado quando assumirmos a prefeitura efetivamente. Mas o nosso esforço será para regularizar a situação o mais rápido possível. Acredito que este primeiro ano será de muitas dificuldades.

 

JD – Esta foi uma das eleições mais disputadas da história de Aracaju. O senhor teme que a divisão política crie dificuldades ainda maiores para a sua administração?

EN - Para mim, a eleição acabou no dia 30 de outubro. Minha cabeça está voltada, desde então, para cuidar da recuperação da cidade. A disputa eleitoral acabou. Sou o prefeito de todos. Então, espero que todos os políticos possam ter consciência do papel deles neste momento de crise. A população não espera de nenhum de nós um terceiro turno ou uma antecipação da disputa eleitoral de 2018 e 2020. O momento atual é de unir forças para tirar a cidade da imensa crise em que ela foi jogada. Faço um chamado à responsabilidade de todos os entes políticos da nossa cidade para que as diferenças políticas não atrapalhem o projeto que pretende devolver a qualidade de vida aos aracajuanos.

 

JD – A sua coligação elegeu apenas oito dos 24 vereadores. Como o senhor vai fazer para garantir a maioria na Câmara?

EN - Tenho dialogado com os vereadores e acredito que teremos condições efetivas de constituir maioria e para ter aprovados os projetos de interesse da cidade.

 

JD – O senhor pretende interferir na disputa para a escolha do novo presidente da Câmara?

EN - A eleição do presidente da Câmara é de responsabilidade dos vereadores que integram a Casa. O Poder Legislativo deve ter autonomia para escolher que irá liderá-lo pelos próximos dois anos, de modo que não tenho participado de discussões sobre o tema e não me envolverei nisto. Faço votos que os parlamentares de Aracaju optem pelo nome daquele que tiver mais capacidade agregadora, de liderança e de diálogo para presidir a Casa.

 

JD – Quando o senhor vai anunciar seu secretariado?

EN - Temos até o final deste mês para apresentar à sociedade os membros da nossa equipe. Estou trabalhando para montar um secretariado técnico, competente e capaz de nos auxiliar na retomada do desenvolvimento da nossa cidade.

 

JD – A sua equipe de transição tem vaga garantida no secretariado?

EN - A participação na equipe de transição não está obrigatoriamente relacionada à participação no secretariado. Disse isso desde o dia que apresentei à imprensa os integrantes da comissão. É óbvio que um ou outro membro da equipe poderá se tornar secretário, mas isto não é regra. Além disso, todos os integrantes da comissão estão neste momento bastante focados na etapa atual, que é a coleta das informações, para elaboração dos relatórios sobre as condições da PMA e a apresentação de sugestões e alternativas para superarmos a crise.

 

JD – O senhor fará alguma reformulação nos órgãos existentes na PMA?

EN - Após assumirmos a prefeitura, vamos ter os dados mais aprofundados da estrutura e veremos a funcionalidade de todos os órgãos, para só assim tomar uma decisão sobre o que iremos alterar no formato da administração. Mas posso antecipar que é nossa meta reformular a estrutura da prefeitura, para torná-la mais eficiente e mais enxuta.

 

JD – A Secretaria do Meio Ambiente foi criada pela atual gestão. O senhor tem planos para a área?

EN - No meu programa de governo, o meio ambiente é um tema muito importante. Ao lado da Sustentabilidade, ele terá relevância muito grande nas ações que formos empreender na cidade.

 

JD – Qual o papel, além de vice-prefeita, que Eliane Aquino terá na sua administração?

EN - A minha amiga e companheira de chapa Eliane Aquino terá papel importante na gestão. Ela estará na coordenação das políticas sociais da prefeitura e será uma vice-prefeita muito atuante.