João, o grande culpado

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Publicada em 04/12/2016 às 00:12:00

Tribuna

 

João, o grande culpado

 

A cada semana novas constatações do caos implantado pelo prefeito João Alves Filho em Aracaju. A menos de 30 dias de devolver o cargo ao prefeito eleito Edvaldo Nogueira (PCdoB), o cidadão aracajuano continua recebendo notícias ruins sobre a gestão municipal. Aliás, muito parecidas com o que ocorreu no final da sua terceira gestão como governador do Estado, em 2006, e que na época só eram reveladas por este JORNAL DO DIA, fundado em janeiro de 2005.

Na última quinta-feira, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) expediu medida cautelar no Pleno, determinando que a Prefeitura de Aracaju suspenda todas as licitações em andamento no município, bem como que se abstenha de realizar novos certames ainda em 2016.

A decisão ocorreu após a 4ª Coordenadoria de Controle e Inspeção (CCI) encaminhar informação ao conselheiro Ulices Andrade a respeito do grande número de processos licitatórios deflagrados pelo município de Aracaju, cuja soma totaliza cerca de R$ 30 milhões. Na sua maioria, os objetos são relacionados à implantação do sistema de transporte público conhecido como BRT, que de concreto em quatro anos de gestão, apenas a pintura de faixas exclusivas da cor azul, para extorquir ainda mais o cidadão aracajuano.

Em seu voto o relator afirma que o Tribunal "encontra-se diante de situação indubitavelmente irregular e lesiva, cujos efeitos decorrem da falta de planejamento e do desequilíbrio das contas públicas". O conselheiro entendeu não ser razoável este tipo de gasto restando um mês para o final do mandato, sobretudo devido à "bem evidenciada situação financeira deficitária porque vem passando o município, inclusive com atraso no pagamento dos servidores públicos e fornecedores".

Destacou também Ulices Andrade que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em seu Artigo 42, diz ser vedado, "nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito".

Na semana anterior, o mesmo TCE já havia determinado o bloqueio das contas da administração João Alves Filho para pagar os salários de outubro dos servidores municipais, que ainda não receberam integralmente. Decisões semelhantes haviam sido concedidas pelos desembargadores Cezário Siqueira (para os servidores filiados ao Sepuma) e Roberto Porto (para os profissionais da área de Saúde).

Na última sexta-feira, a empresa Cavo/Estre, contratada emergencialmente por João Alves Filho no primeiro semestre numa operação condenada pelos órgãos de controle, emitiu a seguinte nota: “Devido à crítica situação financeira da prefeitura de Aracaju, a limpeza pública na cidade será readequada para atender a capacidade de pagamento da administração municipal, com consequente redução de equipes apenas de varrição, conforme acordo firmado entre a prefeitura e a Cavo, mediado pelo Ministério Público Estadual”. Em síntese, na sexta-feira foram demitidos mais 160 garis. Hoje apenas uma equipe faz a limpeza das ruas de Aracaju.

Isso sem contar, que os postos de saúde e unidades de emergência estão abertos, mas não possuem nem remédios básicos, como uma dipirona, os alunos estão sem merenda desde o início do segundo semestre e João Alves Filho, o responsável por todo esse caos, desapareceu da prefeitura.

Até o final de dezembro o caos só vai aumentar. A equipe de transição montada por Edvaldo estima um rombo de R$ 500 milhões, fora salários atrasados, para um orçamento anual previsto em R$ 1,8 bilhão, todo já comprometido. É um caos.

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A menos de 30 dias de devolver o cargo ao prefeito eleito Edvaldo Nogueira (PCdoB), o cidadão aracajuano continua recebendo notícias ruins sobre a administração João Alves Filho. Aliás, muito parecidas com o que ocorreu no final da sua terceira gestão como governador do Estado, em 2006, e que na época só eram reveladas por este JORNAL DO DIA, fundado em janeiro de 2005

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Presidência da Câmara

 

O vereador Iran Barbosa (PT) lança nesta terça-feira a sua candidatura a presidente da Câmara Municipal de Aracaju. Campeão de votos nas últimas eleições apesar do desgaste do PT e dos escândalos praticados por seus pares, Iran tem uma carreira política irretocável. Foi um ótimo deputado federal e teve desempenho excepcional nos dois mandatos como vereador da capital, daí talvez o reconhecimento do eleitorado.

Resta saber se terá condições de aglutinar apoio entre os eleitos pelo seu bloco. A campanha e a ação judicial contra o reajuste nos subsídios dos vereadores em 25%, a partir de primeiro de janeiro, podem afugentar votos de outros vereadores.

Entre os vereadores eleitos pela bancada do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), outros dois pleiteiam o cargo – Evandro Franca e Nitinho Vitale, do PSD. Pela futura oposição, querem a presidência os vereadores Élber Batalha Filho (PSB), que seria o homem forte caso Valadares Filho tivesse sido eleito prefeito de Aracaju, e o atual presidente Vinícius Porto (DEM), que levou boa parte de seus colegas para o cadafalso, com o escândalo das verbas indenizatórias. Até hoje 10 vereadores estão afastados de seus mandatos, dois foram presos e estão com direitos políticos suspensos.

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Guerra no PT

Para quem pensa que o clima no PT sergipano é de paz em função da unidade em torno das candidaturas de Edvaldo Nogueira e Eliane Aquino para prefeito e vice-prefeita de Aracaju, uma informação: os grupos de Rogério Carvalho e Márcio Macêdo disputam espaços na futura administração.

Eliane, ligada a Márcio, acha que o PT de Rogério já está devidamente contemplado em função dos cargos ocupados no governo Jackson Barreto; o grupo de Rogério entende que a tendência de Márcio foi favorecida com a escolha de Aquino como candidata a vice-prefeita. A corrente da deputada Ana Lúcia quer levar Iran Barbosa à presidência da Câmara.

Caberá a JB e ao prefeito Edvaldo Nogueira a busca por um novo entendimento entre as correntes petistas com vistas às eleições gerais de 2018.

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JB e a oposição

 

Como a oposição quer um terceiro turno, depois de duas derrotas seguidas (2014 para o Governo do Estado e agora na disputa da PMA e em todos os municípios da Grande Aracaju), o governador Jackson Barreto (PMDB) segue alimentando a confusão. Na quinta-feira, 01, deu a primeira sinalização de que poderá ser candidato a senador em 2018. Entrevistado na rádio Xodó FM de Socorro, ele disse que se seus adversários o provocarem, entrará na disputa por uma das duas cadeiras do Senado na próxima eleição.

"Todos têm certeza que não serei candidato, mas entendo que o papel do homem público é trabalhar para o povo e fazer o bem. Digo aos meus adversários: se comportem, pois se botarem a unha de fora, serei candidato para senador e tiro a vaga de um", afirmou.

O senador Valadares (PSB) não gostou das declarações e fez longo comentário através das redes sociais: “O governador Jackson Barreto não esconde a sua postura arrogante e autoritária. Parece que o poder lhe subiu à cabeça. Não satisfeito em controlar com mão de ferro seus aliados com ameaças e pressões de toda ordem, agora pretende exercer permanente vigilância sobre o comportamento da oposição em relação ao seu governo.

“O governador declara que se os seus adversários se comportarem mal, ele pode repensar o que disse e se lançar candidato a senador. Entendo que para os que como eu, estão nas hostes oposicionistas, essa pretensiosa declaração do governador não terá o mínimo impacto sobre o nosso posicionamento. Não recuaremos um milímetro em relação à apreciação negativa que fazemos de seu desastrado governo.

“Agora vamos ao sonho de sua vida: sentar na cadeira de senador como culminância de sua carreira política. Quem acredita na palavra de JB, que disse mil vezes que não mais será candidato e que vai se aposentar da política após o término do mandato de governador? Só um neófito em política acredita.

“Na verdade, JB é candidato. Só não o será se o nível de impopularidade de seu governo continuar baixo, como é hoje, na casa dos 70%. Além disso, é muito cedo pra cuidar disso. Por enquanto, ele apenas quer ganhar tempo pra se recuperar e evitar pressões. Acho melhor cuidar da administração a qual precisa mais do que nunca de dedicação e dinamismo, ações que, em demasia, faltam ao seu governo. Em tempos difíceis, menos política e mais trabalho, é o que o povo exige de seus governantes.

“Sugiro que régua do governador de medição do "mau comportamento" de adversários seja guardada para sempre no armário das inutilidades. Não estamos nem aí para suas falas e diatribes, na tentativa de moldar a nossa conduta e a legitimidade de nossas críticas.

“Por fim, digo sem medo de errar, Jackson Barreto só se aposenta da política se tiver medo de perder a eleição. Quem viver, verá.”

Enquanto isso, em artigo, o jornalista David Leite, que se apresenta como comunicador social especializado em gestão de imagem e mídias sociais, e integra a eficiente equipe de assessoria do deputado federal André Moura, atesta: “A oposição precisa mudar muito, se quiser virar o jogo em 2018. A mudança, porém, não pode ser apenas na estratégia de comunicação ou no marketing. Deve atingir o conceitual e a ação política".