Crea diz que prefeitura não fiscaliza obras irregulares

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Publicada em 04/12/2016 às 00:23:00

Em nova ronda realizada nas proximidades dos dois condomínios apontados como invasores de uma rua sem saída, nos deparamos com dois operários que desembarcavam carregamentos de pedras utilizadas em fabricação de alicerces. Mesmo aparentando desconfiança, os trabalhadores informaram que os dois condomínios já haviam discutido sobre a invasão, e, inclusive, se tornou caso de polícia. Questionados sobre o motivo, e quem teria ordenado o despejo das pedras, eles foram enfáticos nas respostas - como quem fosse orquestrado por terceiros:

"Aqui é uma chácara que estamos deixando essas pedras. Não posso dizer o nome porque não interessa a ninguém. A gente não fala nada porque essa área já teve muita confusão e até polícia teve que ser chamada para resolver a situação", disse o operário que preferiu não se identificar. Questionados sobre o alicerce criado nomeio da rua e quem estaria financiando a obra, eles concluíram dizendo: "aqui ninguém fala sobre o assunto; nem de um lado, nem do outro. Por isso não será a gente quem vai falar alguma coisa. A obra está aí porque a gente está trabalhando e vamos continuar até que mandem a gente parar", pontuou.

Procurado pelo JD, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, Acrísio Resende Silva, avaliou o problema como: 'falta de interesse político' para qualificar o plano diretor. Defasado desde o ano de 2000, o plano diretor contribui para que construções irregulares permaneçam em expansão na zona mais abrangente dos últimos anos em Aracaju. Preocupados com a situação, órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil e o próprio Crea, em 2010 o plano recebeu propostas de melhorias, mas foram rejeitadas pelos vereadores. O projeto foi ampliado, retornou à Câmara de Vereadores, mas voltou a ser rejeitado.

"Nós trabalhamos diretamente com a fiscalização da atuação dos nossos profissionais, fiscalização da obra fica por conta da prefeitura; isso não quer dizer que não possamos interferir de forma social. Todos sabem desse problema; infelizmente a defasagem do plano contribui para que a clandestinidade permaneça. Evidentemente a cidade vive um período de desordem, sem planejamento nenhum", avaliou. Acrísio Resende informou que o Crea segue disponível para contribuir na melhoria do Plano Diretor e no combate ao trabalho clandestino.